May 22, 2019

É fácil usar superlativos, hipérboles, e carregar a equipa de Golden State aos ombros. Bateram o record de vitórias seguidas num arranque de temporada. Apresentam uma equipa jovem, dinâmica, solidária e que parece não ter defeitos. Tem um líder discreto mas extremamente eficaz, que ilumina o jogo quando está em campo, e transforma cada jogada num espectáculo absolutamente fabuloso. Por outro lado, haters will hate. Há as eternas comparações (antigamente as defesas eram mais duras, o jogo era diferente, hoje é mais fácil), os prognósticos prematuros (não chegam às 72 vitórias, e mesmo que cheguem não serão melhores que os Bulls).

Quanto a mim, tento não entrar em nenhum dos extremos, mas saborear a sorte que tenho de poder ver evoluir esta equipa, como vi os Bulls dos anos 90, os Rockets dos anos 90, os Spurs dos anos 2000… Independentemente da cor da camisola, o que salta aos olhos é o PRAZER. O prazer e o privilégio de ver a história da NBA a fazer-se e desenrolar diante dos meus olhos. Records a serem batidos. O LeBron a chegar ao nível de um Oscar Robertson (top 25 de todos os tempos em pontos e assistências), o Curry a pulverizar os seus próprios records de triplos, o Rondo a coleccionar de novo triplos duplos como durante os melhores anos dos Celtics.

 

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Mas vamos com calma e tentemos olhar para este record com alguma frieza e análise. São 16 vitórias consecutivas para começar o ano. Apesar de ser impressionante o facto de o precedente, detido pelos Houston Rockets de Hakeem Olajuwon (15-0) datar de 1993, igualando o de 1948 dos Washington Capitals, há séries de vitórias mais impressionantes. O record absoluto é o dos Los Angeles Lakers em 1971-72, com 33 jogos consecutivos. Mas começar o ano com 16 vitórias consecutivas, ter uma percentagem de vitórias de 100% a 25 de Novembro é algo admirável. Vejamos:

  • 16 vitórias
  • 9 vitórias em casa, 7 fora
  • 4 vitórias contra equipas da Conferência Este (Detroit, Brooklyn, Toronto e Chicago)
  • diferença pontual média de 15,6 pontos
  • máxima diferença pontual num jogo: 50 pontos (contra os Memphis Grizzlies)
  • média de pontos marcados: 114,3
  • média de pontos concedidos: 98,7
  • jogos com prolongamento: 1 (contra os Brooklyn Nets. Resultado final: 99-107)
  • 4 back to backs (30 e 31 de Outubro, 6 e 7 de Novembro, 11 e 12 de Novembro e 19 e 20 de Novembro)

 

Já foi dito que neste momento a NBA tem uma conferência Oeste onde estão as equipas mais fortes da Liga. Este ano, apesar de as coisas estarem mais equilibradas, não podemos negar que a luta entre Golden State, San Antonio, Oklahoma City ou os Clippers para aceder à final seja bem mais renhida que entre Cleveland, Chicago, Atlanta ou Miami. Se os Warriors ganharam a maioria dos seus jogos contra equipas do Oeste, podemos dizer que ainda não enfrentaram os Oklahoma City Thunder ou os San Antonio Spurs, a meu ver, as duas equipas mais capazes de desafiar a supremacia destes Guerreiros. Na conferência Este, falta enfrentarem a maioria das equipas, e nomeadamente os Cavaliers de LeBron James, já com Kevin Love de volta ao roster, mas com Kyrie Irving ainda indisponível. O remake da Final está previsto para a noite de Natal, esperemos que até lá o base de Cleveland esteja em condições de jogar; com os Spurs, está previsto um mês depois.

 

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Calendários dos meses de Novembro e Dezembro dos Golden State Warriors. A azul os jogos em casa.

 

Se alguns hão de considerar o calendário destes Warriors relativamente clemente, vamos lembrar alguns dos adversários: Houston Rockets (Finalistas de Conferência), Los Angeles Clippers (Semi-Finalistas de Conferência), Memphis Grizzlies (idem), Chicago Bulls (idem). E em 16 jogos, 4 back-to-back (sem dia de descanso entre eles), a maioria deles em viagem. Nesas condições, o cansaço poderia ter sido um factor decisivo em qualquer jogo, mas acabou por não ser. No jogo contra os Nets, Brook Lopez teve a bola do jogo nas mãos e não converteu, levando o jogo a prolongamento, permitindo aos Warriors recuperar o espírito e ganhar. Nem todos os jogos foram festivais autênticos. Mal haja uma margem confortável, o cinco inicial repousa, e a segunda unidade ganha tempo de jogo. Quando o jogo aperta, antes de soltar as amarras a três pontos, a equipa aperta a defesa ao máximo, jogando com o famoso small ball  (Curry- Thompson – Iguodala – Barnes – Green) para o qual ainda nenhuma equipa parece ter encontrado solução. A combinação de experiência e juventude nesta equipa é perfeita. Harrison Barnes, Draymond Green e Festus Ezeli evoluem a olhos vistos, Shaun Livingston, Andre Iguodala ou Leandro Barbosa trazem a sua serenidade quando saem do banco. a defesa é de ferro (98,7 pontos concedidos apenas), o ataque é fluído (114,3 pontos marcados). E o jogo é absolutamente lindo de ver jogar. A fazer lembrar os Spurs de há 2 anos, mas com mais pernas…

 

E Golden State virou um bicho papão da NBA; mesmo com uma desvantagem de 20 pontos, esta equipa mostrou ter capacidade de recuperar e voltar à tona. A qualidade da equipa é indiscutível, o record está batido e pode ser pulverizado. Phoenix, Sacramento, Utah, Charlotte, Toronto, Brooklyn são os próximos adversários. Tudo é possível, sobretudo durante uma longa digressão de 6 jogos pela Conferência Este em Dezembro (cf calendário). Stephen Curry avisou, após o quinto jogo: “estamos melhores do que éramos o ano passado”. Alguns acharam que era cedo para tal afirmação, outros acharam que era excesso de confiança. Onze jogos depois, o mundo dá-lhe razão. Se o ano passado os Splash Brothers espalharam magia jogo após jogo, este ano, desde o princípio, toda a equipa se mostra mais concentrada, mais esfomeada. Em missão. Nunca antes na história da NBA um campeão em título tinha atacado a temporada com tamanha sede de reconhecimento, como se tivessem mais uma vez que provar a todos os outros que aquele troféu NÃO FOI SORTE!

 

E se LeBron James, o adversário da Final, volta a falar do facto de a equipa estar “extremamente saudável”, não deixa de reconhecer o talento dos Warriors, que “jogam com um só objectivo que é ganhar”. Com isto tudo dito, a pergunta subsiste, cada dia mais forte: quem conseguirá parar estes Warriors? E independentemente de quando ou contra quem acontecerá o fim desta série de vitórias, quem será capaz de contestar o domínio actual desta equipa na liga? Mais do que o número de vitórias total na temporada, a questão que (prematuramente) todo o mundo levanta é: CONSEGUIRÃO ELES GANHAR O TÍTULO DE NOVO ESTA ÉPOCA?

 

"Keep calm, coach. I got this!"

“Keep calm, coach. I got this!”

 

Ah, e já agora, em jeito de conclusão: já vos disse que estas 16 vitórias foram conquistadas sem o Steve Kerr no banco? Operado durante o verão, o Head Coach dos Warriors ainda não está em condições de se sentar com os seus jogadores, e é o seu assistente Luke Walton que tem conduzido a equipa.

 

Ricardo Glenn Baptista

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