September 20, 2018

Todos os portistas ficaram estupefactos com o resultado (2-2) frente ao Vitória de Guimarães. Não desvalorizando a exibição do adversário, que se encontra a efetuar uma boa temporada, resolvi analisar os lances de perigo que a defesa do FCP não conseguiu solucionar para entender como ocorreu o empate com relativa facilidade/infelicidade.

Analisando os ataques perigosos do Vitória, há a salientar:

– 14º minuto, canto para o Vitória, Abdoulaye não consegue ganhar o cruzamento, e Maazou, cabeceia por cima;

– 21º minuto, perda de bola do Fernando, Maicon tenta fazer a dobra e Abdoulaye deixa Maazou solto de marcação, recebendo a bola e rodando para um remate que poderia ter dado golo;

– 28º minuto, ataque do Guimarães culmina num cruzamento do lado direito da defesa do Porto, Abdoulaye coloca Maazou em jogo no momento do cruzamento e é incapaz de cortar o lance, resultando num cabeceamento perigoso de Maazou. Abdoulaye pede desculpas a Helton;

– 45º minuto, após vários cantos (que a defesa do Porto não conseguiu sacudir) Abdoulaye não ganha o cabeceamento no cruzamento. De seguida coloca em linha Maazou para este fazer o 1 – 2;

– 51º minuto, Helton bate a bola, um jogador do Vitória cabeceia para a frente onde Maazou (marcado à zona por Maicon) recebe e passa para o meio, onde entra Marco Matias fulgurante. Abdoulaye está atrasado em relação à linha dos defesas, a olhar para Maazou que faz o passe para as suas costas, não se apercebendo da entrada do jogador que vai fazer o golo (colocou em linha e não acompanhou a entrada do jogador do Vitória, resultando no 2-2);

– 72º minuto, passam por Abdoulaye como uma faca quente a cortar manteiga, que só não deu golo porque Maicon consegue resolver;

– 86º minuto, F.C. Porto vai iniciar um contra ataque e a defesa começa a subir. Fernando perde a bola e Abdoulaye, que ficou para trás, coloca mais uma vez um jogador do Guimarães em jogo que, posteriormente, efetua o remate ao poste. No seguimento do lance, Abdoulaye não consegue cortar a bola após esta bater no ferro, nem após a recarga. Danilo consegue “limpar” em cima da linha de golo.

 

Tudo isto tem um denominador comum: Abdoulaye. Um jogador que esteve até ao mercado de inverno no Vitória de Guimarães. Não pretendo colocar em causa o profissionalismo do jogador ou lançar suspeitas que terá jogado propositadamente mal. Nada disso!! Abdoulaye é fraco e destabilizou o F.C. Porto, dando força e esperança à antiga equipa com as sucessivas falhas defensivas.

 

Isto leva-me ao título do artigo: “Incontrolável controlo”. Não sou treinador de futebol, nem ambiciono. Paulo Fonseca é (ou pelo menos senta-se no banco no lugar de treinador). Não teria este senhor a responsabilidade de analisar o jogo e perceber que Abdoulaye não estava à altura do desafio? Que falhou demasiadas vezes? Que o perigo produzido pelo Guimarães advinha sempre que Abdoulaye era posto à prova? Vou ser sincero e referir que eu não vi o jogo em direto. Bastou-me ver os resumos no telejornal para, lance após lance, Abdoulaye demonstrar que merecia ir descansar para o balneário. Volto então a perguntar: Porque razão saiu Otamendi? Não entendo!

 

A calma que Paulo Fonseca transmite ao ver estes lances, descontrolam a nação portista, que vai vendo os sonhos de uma boa temporada esvoaçar como lã de vidro. Como é que este senhor não se descontrola com tamanha falta de concentração de um jogador?!? E ainda vem para a televisão dizer que não sabe porque é que o FCP nos últimos jogos sofre golos consecutivamente! Weird!

 

No entanto, devo salientar outro jogador que para mim tem estado a baixo da bitola que nos habitou: Fernando. Em todos os jogos Fernando tem tentado dar mais nas vistas, não no ponto defensivo que sempre o caracterizou, mas em lances de ataque/criação de jogo. Logicamente, tem perdido bolas em zonas proibidas. Nesses lances, mais uma vez, Paulo Fonseca calmíssimo, sem perder as estribeiras ou sequer aumentar os decibéis nas suas instruções e reprimendas à equipa.

 

Apesar deste jogo ter ditado uma distância enorme para o primeiro lugar do campeonato, para mim abriu outra realidade ainda pior: o 4º lugar está aí à espreita! Mas uma coisa é certa: Paulo Fonseca julga que tem a situação “controlada” e por isso continua calmíssimo.

 

n.d.r.: o artigo foi escrito no dia 04 de Março e apenas no dia 05 se concretizou o despedimento do treinador Paulo Fonseca.

 

Rafael Cunha

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