August 17, 2018

 

O dia 10 de junho de 1995 marcou a minha estreia oficial em finais da Taça de Portugal. Estava a poucos dias de completar 12 anos e tinha a oportunidade de ver o meu clube vencer uma competição importante pela primeira vez. “Só” por isto já conseguem ver a excitação com que o puto estava.

 

O adversário era o Marítimo e os ingredientes de uma final da Taça estavam lá todos. Jamor, sol abrasador, almoços no meio da mata, e aquela mística no ar, que eu na altura não compreendia, mas que agora consigo identificar.

 

A acompanhar-me nesta incursão estiveram o meu pai e a minha irmã (vinte anos depois viríamos a marcar novamente presença) e lembro-me de passarmos pelo meio de uma multidão delirante em direção aos nossos lugares. Vi os adeptos de uma maneira diferente naquela tarde, havia um troféu em disputa. O caso não era, portanto, para menos.

 

Aquela equipa do Sporting tinha jogadores de qualidade indiscutível como Balakov, Figo, Carlos Xavier, Amunike ou Iordanov, autor dos dois golos com que vencemos os madeirenses. É precisamente este último que me levou a escrever este texto, a partir de uma reportagem do programa brasileiro Esporte Espetacular.

 

Jornalista entrevista Iordanov 20 anos depois de o conhecer no…

Todos os jogadores têm o sonho de disputar um Mundial por motivos óbvios, mas Ivaylo Yordanov tinha um que se sobrepunha a todos os outros: estar presente num Mundial era derrotar a doença degenerativa que lhe foi diagnosticada precocemente, a esclorose múltipla. A Iordanov bastou estar presente no Mundial 98 em França para o ganhar. Foi por lá que conheceu um jovem jornalista brasileiro a quem deu uma entrevista e uma camisola da sua Selecção, a Bulgária. Agora, quase 20 anos depois, o mesmo jornalista foi a Sófia procurar o antigo jogador, retribuir a prenda, falar sobre a história de superação de alguém que ousou sonhar e viver quando a prudência a isso desaconselhava, e emocioná-lo ao mostrar-lhe as mensagens recolhidas de André Cruz, César Prates (que ainda se lembra dos cânticos todos de Alvalade), seus antigos colegas no Sporting Clube de Portugal, todos campeões quando Iordanov envergava a braçadeira de capitão do clube em 1999/2000, e Leandro Machado com quem se cruzou, também no Sporting, em 1997/1998. Isto é uma entrevista obrigatória a um campeão tanto dentro como fora dos relvados. Obrigatório.

Publicado por Entre Linhas em Terça-feira, 28 de Março de 2017

 

Cresci a ver o Iordanov jogar pelo Sporting, aprendi a admirar o jogador que dava tudo em campo, e o homem que a partir de determinada altura começou a lutar contra uma doença degenerativa.

 

A conclusão perfeita da carreira do Iordanov no Sporting foi quando teve a oportunidade de se sagrar campeão nacional. Qualquer sportinguista se emociona quando revê aquela imagem do búlgaro a colocar o cachecol no leão do Marquês de Pombal.

 

Em 2010, o Iorda teve um seu merecido jogo de homenagem em Alvalade, depois de uma disputa que, se não estou em erro, chegou a ir a tribunal. Na minha modesta opinião… não chega.
Talvez estejamos a perder demasiado tempo com assuntos sem importância e esquecemo-nos do que é realmente importante. Porque não recrutar Iordanov para trabalhar na Academia? Porque não ser mais uma voz a ensinar aos putos o que é ser Sporting? Se calhar conseguíamos evitar casos como os de Fábio Paim e outros, que, mal aconselhados, acabam por se perder e estragam carreiras promissoras.

 

Salvo um ou outro caso, deixou de fazer sentido tratar os jogadores atuais como ídolos. Os verdadeiros ídolos são os que ficaram lá atrás, os que viveram um futebol mais romântico (e por isso melhor em alguns aspetos) do que aquele que existe hoje.

 

Como sportinguista, gostaria de ver o Iorda junto dos seus e deixo aqui o apelo em jeito de desabafo. Acredito que ele seria muito mais feliz. E nós também.

 

Pedro Gabriel

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