June 18, 2019

 

O mês de Março era esperado ansiosamente por muitos amantes do desporto. Afinal, regressava a Fórmula 1, regressavam os jogos dos campeões da europa de futebol – contra um sortido húngaro na Luz e com um joguinho de sueca na Madeira, 16 anos depois – e arrancava também o Mundial de velocidade. (Que emoção ver o nosso Miguel Oliveira numa incrível corrida em Moto 2, deixando escapar por muito pouco o pódio, no Qatar).

 

Mas o mês de Março era também entusiasticamente aguardado pelos apaixonados do surf e dos desportos de mar, e pelos que – como eu – vibram com a representação nacional ao mais alto nível desportivo, como é o caso do mundial de surf. Voltamos, em 2017, a ter um português no restrito grupo dos melhores surfistas de competição do mundo. Sai Saca, entra Kikas (com um ano de interregno pelo meio).

 

Depois de muita dedicação e trabalho, dentro e fora de portas – ou melhor, dentro de água e fora de pé – Frederico Morais qualificou-se para o World Championship Tour (WCT), a elite do surf mundial. Entre australianos, norte-americanos, havaianos (sim, competem em representação do arquipélago e não dos EUA), brasileiros, um ou outro francês – até um italiano – está, novamente, um dos nossos!

 

A estreia de Frederico Morais no Tour foi em bom. Uma vitória no primeiro round da primeira etapa do ano na Gold Coast australiana. Kikas foi superior aos adversários na bateria 10 – nada mais nada menos que o brasileiro sensação Filipe Toledo, vencedor do Pro Gold Coast em 2015 e da etapa de Peniche no mesmo ano, e o experiente australiano Ace Buchan, há 11 anos no Tour, ex n.º 3 do ranking – e passou directamente ao terceiro round.

 

 

O cascalense de 25 anos acabou por ser arredado da prova pelo King – 11 vezes campeão do mundo, e que já vimos Kikas derrotar – Kelly Slater, mas não envergonhou ninguém. Um 13.º lugar e 1750 pontos conquistados na primeira etapa como surfista com lugar cativo no WCT.

 

 

Malas feitas para a costa oeste da Austrália, seguiu-se a segunda etapa da temporada, o Margaret River Pro. Frederico Morais não se saiu tão bem. Perdeu na ronda inaugural e na de repescagem, mas deixou bem vistas as cores portuguesas com a terceira melhor onda do dia e quarta da prova, a merecer pontuação de 8,57 em dez possíveis.

 

Costuma dizer-se que “devagar se vai ao longe” e para começar não está nada mal. Frederico Morais já mostrou que tem no sangue o que é preciso para estar no topo, onde ainda agora chegou: garra, confiança, cabeça no lugar, vontade de ganhar e muito surf – e que surf! – nos pés. Diz quem já teve a oportunidade e – perdoem-me a honestidade – o genuíno orgulho de o entrevistar.

 

 

Termino com uma sugestão. Na televisão ou na internet, não percam. Vai valer a pena. O Kikas volta a entra na água a partir de dia 12 de Abril na mítica etapa de Bells Beach.

 

#GoKikas

 

Carlota Crespo

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE