September 22, 2018

 

Aproxima-se mais uma temporada da National Football League, sempre muito aguardada. Desde Fevereiro que não temos football com significado, portanto todos os amantes deste complexo e apaixonante desporto estão esfomeados. Vamos abordar aqui a competição, começando como habitualmente pela AFC.

 

Bill Belichick e Tom Brady, as figuras maiores dos New England Patriots

 

Nesta conferência reinam os New England Patriots, mas novas ameaças estão a surgir ao domínio dos homens do Massachusetts. Tom Brady e Bill Belichick continuam na linha da frente, apesar de terem perdido elementos que foram decisivos em anteriores conquistas (Malcolm Butler e Dion Lewis saíram para os Titans e Danny Amendola foi para Miami). Belichick já por várias vezes provou que consegue fazer belas omeletes quase sem ovos. Os Patriots têm nas entradas de Cordarrelle Patterson e Jeremy Hill as principais aquisições para o ataque e no veterano Adrian Clayborn a maior aquisição para a defesa. Destaque ainda para o regresso de Edelman após um ano ausente devido a lesão (vai estar suspenso durante os primeiros quatro jogos por uso de substância proibida). Algo menos do que a final de conferência será surpresa em New England.

 

Ben Roehlisberger e Antonio Brown dois dos killer bees dos Steelers

 

Uma das equipas que habitualmente mais perto estão dos Patriots são os Pittsburgh Steelers. Este ano estão de novo na linha da frente, embora com um problema chamado Le’veon Bell para resolver. O talentoso running back recebeu o franchise tag pela segunda época consecutiva, mas ainda não assinou, não compareceu junto da equipa durante a pré-época e parece não ter intenção de se juntar aos colegas de equipa, mesmo que isso o faça perder 855.000 dólares por cada jogo que falhar. Este braço-de-ferro parece estar a criar mau ambiente junto dos colegas de Bell, com Maurkice Pouncey a criticar Bell e David DeCastro a sugerir mesmo que o camisa 26 não jogue de todo esta época. Sem Bell na fotografia os Steelers contam ainda com a magia de Ben Roehlisberger e Antonio Brown para causar estragos aos adversários.

 

Mas na AFC parece estar a surgir um peso pesado, os Jacksonville Jaguars. Ancorada numa defesa de elite, a equipa da Florida esteve a cerca de 10 minutos de vencer em Foxborough e chegar ao SuperBowl. A equipa já designada de Sacksonville aposta em Leonard Fournette para tirar o jogo das mãos de Blake Bortles, o quarterback que é o ponto fraco dos Jaguars. A linha defensiva é muito forte e Jalen Ramsey é um cornerback desbocado, mas que corresponde em campo. Para aliciante temos um Patriots @ Jaguars logo na segunda semana! Mas primeiro os Jaguars vão ter que se preocupar com a sua própria divisão, que será muito equilibrada. Os Texans não podem ter o mesmo azar com as lesões que têm tido. DeShaun Watson e JJ Watt fizeram muita falta, esperemos que este ano se consigam manter saudáveis. Os Texans juntaram ainda Tyrann Mathieu a uma defesa já de alto nível. Em Tennessee mora uma equipa com novo treinador principal (Mike Vrabel) e que, como já mencionado, recebeu reforços de peso. Em 2017 ficaram pela ronda divisional dos playoffs, este ano querem mais. E ainda na mesma divisão, nota para o regresso de Andrew Luck, que não deverá fazer destes Colts uma ameaça, pois o plantel é bastante fraco.

 

Continuando na AFC, falemos da AFC Oeste, que será também muito interessante de seguir, com Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers na frente, Denver no bom caminho e os Raiders a fazerem não se sabe bem o quê. Começando pela equipa de Andy Reid, agora comandada em campo por Patrick Mahomes. O ataque tem tudo para ser explosivo e a defesa vai ter Eric Berry de volta, um “reforço” importante. Já em Los Angeles os Chargers estão a rezar a todos os santinhos para que as pragas de lesões deixem a equipa mostrar todo o seu valor, embora já tenham ficado sem Hunter Henry, lesão que fez com que Antonio Gates adiasse a retirada. Philip Rivers, Keenan Allen e Melvin Gordon no ataque, Joey Bosa e Melvin Ingram na defesa são os destaques desta equipa. Em Denver o problema era a posição de quarterback que, como sabemos, tem pouca importância no jogo, parece resolvido. Case Keenum fez uma grande temporada em Minesotta e assina assim com uma equipa candidata a, pelo menos, fazer melhor do que em 2017 e lutar no mínimo pela divisão. As escolhas de draft Bradley Chubb e Royce Freeman parecem ser acertadas, a defesa perdeu Aqib Talib, mas isso pode até ser uma boa notícia e a linha ofensiva dá mais garantias (embora aqui o difícil fosse ser pior).

 

Khalil Mack na sua apresentação em Chicago

 

Já em Oakland (por enquanto) entrou Jon Gruden, pago a peso de ouro, mas ainda não se percebeu bem para onde vai esta equipa. A troca de Khalil Mack para Chicago não faz sentido para ninguém, mas ainda é cedo para avaliar quanto vão perder os Raiders. Nesta conferência destaco ainda os rookies em Cleveland, Baltimore e New York.

 

Baker Mayfield a primeira escolha do draft da NFL

 

Baker Mayfield foi a escolha número 1 do último draft, mas irá ser o número 2 no depth chart dos Browns, atrás de Tyrod Taylor, pelo menos para já. Os Browns têm a missão mais fácil de todas as 32 equipas da liga, uma vez que, para fazerem melhor que na pretérita temporada, basta vencerem um jogo. O plantel tem mais qualidade (adicionaram Jarvis Landry e Carlos Hyde além do já mencionado Tyrod Taylor) e a cabeça de Hue Jackson está no cepo. Diria que necessita de pelo menos 6 vitórias para continuar em Cleveland. Já em Baltimore o rookie em destaque também não será titular, ficando, para já, no banco a aprender com Joe Flacco (e a morder os calcanhares ao veterano, o que pode ser positivo). Falo de Lamar Jackson, um dos mais entusiasmantes jovens a entrar na NFL nos últimos anos e claramente o futuro dos Ravens.

 

Sam Darnold, o novo menino bonito de Nova Iorque

 

Já na Big Apple a esperança dá pelo nome de Sam Darnold. O jovem mostrou bons apontamentos na pré-época e as expectativas não serão propriamente altas, apesar da imprensa em New York não dar descanso às equipas da cidade. Entre as equipas restantes desta conferência, apresento os Miami Dolphins como candidatos a protagonizar uma surpresa. Com a aquisição de Robert Quinn (apagado nos últimos anos, é um defensive end bastante talentoso) a defesa vai ser melhor e com o regresso de Ryan Tannehill o ataque também tem tudo para ser mais produtivo, com Kenyan Drake a apostar em fazer de 2018 o seu ano.

 

Deixado para trás o “aperitivo”, passemos ao prato principal, a NFC. A National Football Conference está carregada de equipas fortes, começando pelos vencedores do SuperBowl LII, os Philadelphia Eagles. A equipa de Doug Pederson fez história ao vencer o troféu Vince Lombardi pela primeira vez, num jogo memorável. Para este ano adicionaram o defensive tackle Haloti Ngata e o defensive end Michael Bennett a uma defesa já muito forte. No ataque espera-se que Carson Wentz regresse ao seu nível e será o mais esperado reforço dos Eagles. Menção para a saída de LeGarrette Blount e de Trey Burton, o autor deste passe

 

 

A principal ameaça ao domínio de Philadelphia virá da equipa que derrotaram na final de conferência de 2017, os Minnesota Vikings. Os Vikings apostam tudo em Kirk Cousins para darem o passo que lhes faltou o ano passado. Com a defesa a manter as principais unidades, existe a certeza de continuar a aterrorizar os adversários. Com Cousins a ter um contrato totalmente garantido, algo inédito, veremos se o número 8 aguenta a responsabilidade. A seguir a estes dois pesos-pesados, há ainda muita qualidade. Comecemos pelos New Orleans Saints, que sofreram uma derrota desoladora em Minnesota na ronda divisional.

 

 

A equipa manteve a base que lhe permitiu chegar à segunda ronda dos playoffs, foi agora buscar Teddy Bridgewater para suceder a Drew Brees, mas vai estar sem Mark Ingram durante quatro jogos, suspenso devido a uso de substâncias proibidas. A defesa foi surpreendentemente boa em 2017 e recebeu o reforço de Patrick Robinson, que regressa a New Orleans com um anel de campeão conquistado ao serviço dos Eagles. Alvin Kamara quer certamente dar seguimento à excelente temporada de estreia em que tanto ajudou Sean Payton a aliviar a carga que Drew Brees carregava. Na NFC Sul temos ainda que contar com Atlanta Falcons e Carolina Panthers. A equipa da Georgia quererá jogar o SuperBowl em casa e espera que o segundo ano de Steve Sarkisian como coordenador ofensivo faça o ataque levantar voo, nas asas de Julio Jones, Devonta Freeman e Tevin Coleman. Já em Charlotte, os Panthers acreditam em Cam Newton e Christian McCaffrey para liderarem um ataque que em 2017 foi apenas o 19º melhor da NFL. Na defesa destaca-se o ingresso do defensive tackle Dontari  Poe, vindo dos rivais Falcons para reforçar a linha defensiva de Carolina, mas a grande figura desta defesa tem sido Luke Kuechly, um linebacker que aparece em todo o lado, mas nos últimos anos tem perdido alguns jogos devido a concussões (falhou 10 jogos nas últimas três temporadas). Muito perto do nível destas equipas encontram-se os Los Angeles Rams. A equipa de Sean McVay foi a sensação de 2017, pois ninguém esperava uma melhoria tão acentuada em relação aos tempos de Jeff Fisher. Jared Goff deu vários passos em frente, Todd Gurley renasceu das cinzas e a defesa esteve em bom nível. Para esta época, as expectativas são imensas. Brandin Cooks chegou para emprestar a sua qualidade ao ataque, mas por onde esta equipa pode brilhar ou desiludir é na defesa. Com as chegadas de AqibTalib, Marcus Peters e Ndamukong Suh. e sob o comando do mestre Wade Phillips, a defesa é muito forte no papel, mas reúne num só balneário muitas personalidades conflituosas. Qualquer faísca, por mínima que seja, pode resultar em explosão.

 

Mike McCarthy com Brett Favre e Aaron Rodgers

 

Numa segunda linha, surgem os Green Bay Packers. Com Aaron  Rodgers a 100% e a adição de Jimmy Graham os Packers esperam ultrapassar a desilusão da última temporada e regressar aos playoffs. Muhammad Wilkerson também espera regressar ao seu melhor nível (em 2013 ao serviço dos NY Jets registou 10.5 sacks e em 2015 conseguiu 12). Mike McCarthy necessita de ganhar porque, apesar de aparentemente não ter o lugar em risco, uma presença em SuperBowls é muito fraco currículo para alguém que orientou Brett Favre e Aaron Rodgers, dois dos melhores quarterbacks da história do jogo.

 

O rookie Saquon Barkley

 

Focando na NFC Norte, encontramos uma das equipas que mais expectativas me criou, os Chicago Bears. Orientados agora por Matt Nagy, os homens da Cidade Ventosa esperam que o novo homem do leme leve o ataque para um patamar superior. Além de um novo treinador principal, Mitchell Trubisky vai ter à sua disposição um novo arsenal, constituído pelos receivers Allen Robinson (ex-Jacksonville), Taylor Gabriel (ex-Atlanta) e por Trey Burton (tightend, ex-Philadelphia). A defesa tem também um reforço de peso, Khalil Mack, um dos jogadores mais disruptivos da liga, sendo verdade que à conta desta aquisição os Bears ficam sem a escolha de primeira ronda nos próximos dois drafts. Já os New York Giants e os Dallas Cowboys são uma incógnita. Os G-Men apostaram em reforçar a linha ofensiva e o backfield, com a contratação de Nate Solder (offensive tackle) e os rookies Saquon Barkley (running back) e Will Hernandez (offensive guard). Os Giants podiam ter escolhido neste draft o sucessor de Eli Manning, mas deram um voto de confiança ao veterano e duas vezes MVP do SuperBowl. Já a defesa continua a ter bastante qualidade, com Landon Collins, Damon Harrison e Alec Ogletree em destaque. Os Giants têm também um novo treinador principal, Pat Shurmur.

 

Jason Witten trocou o campo pela bancada, onde será comentador da ESPN

 

Já em Dallas, a mudança de geração concretizou-se. Após a saída de Tony Romo (a propósito, os comentários de Romo são uma coisa fabulosa!), este ano os Cowboys dispensaram Dez Bryant e assistiram à retirada de Jason Witten que, seguindo os passos do seu antigo quarterback, vai passar para a cabine de um canal de televisão, no caso a ESPN, para ocupar a vaga deixada em aberto por Jon Gruden. O ataque fica assim entregue a Ezekiel Elliott e Dak Prescott, com a chegada de Tavon Austin e Allen Hurns. O problema está na famosa linha ofensiva, este ano afectada com a lesão de Zack Martin (não deve jogar na primeira semana) e o afastamento de Travis Frederick devido a uma doença que afecta o sistema nervoso. A defesa continua ser comandada por Sean Lee, desde que as lesões assim o permitam.

 

Richard Sherman trocou os Seattle Seahawks pelos San Francisco 49ers

 

Para finalizar a NFC tenho muita curiosidade para ver como são os San Francisco 49ers no segundo ano de Kyle Shanahan , com Jimmy Garoppolo a iniciar o ano como titular e com Richard Sherman na defesa. Por falar em Sherman, em Seattle acabou a era da Legion of Boom, com a retirada de Kam Chancellor e a saída também de Michael Bennett. À hora a que escrevo, dá-se conta do regresso de Earl Thomas após ausência, embora nada satisfeito com as condições do seu contrato. Russell Wilson vai continuar a carregar a maior parte do jogo atacante dos Seahawks, contando com o apoio de Doug Baldwin, um jogador bastante subvalorizado e de Chris Carson. Pete Carroll é um dos melhores treinadores da NFL, não deve ser desprezado, mas não parece ter neste plantel o talento necessário para lutar por uma divisão que deverá ser dos Rams. Curiosidade para ver nas restantes equipas, a estreia de Matt Patricia como treinador principal nos Lions, Alex Smith nuns Washington Redskins que não devem ser desprezados e uma linha defensiva dos Buccaneers que inclui Vinny Curry e Jason Pierre Paul. Nos Bucs menção ainda para a suspensão de James Winston durante 3 jogos, por violar o código de conduta da NFL.

 

Os dados estão lançados para mais uma época de grande futebol! A NFL em Portugal tem cada vez mais adeptos e tem também uma nova casa, a Eleven Sports. O jogo de abertura opõe os Philadelphia Eagles aos Atlanta Falcons e joga-se no Lincoln Financial Field, na madrugada de quinta para sexta-feira, à 1h20 da manhã, hora de Lisboa.

 

Nuno Fernandes

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