May 26, 2018

Com contrato expirante no final da presente temporada, têm sido recorrentes os debates, os rumores e as (tentativas de) vidências sobre o futuro de LeBron James, discutivelmente o melhor basquetebolista da atualidade, indiscutivelmente um futuro Hall of Famer da NBA. Nesse sentido, surgiu recentemente um inquérito promovido pela ESPN, em que especialistas foram consultados acerca das grandes questões do momento na NBA, entre as quais, naturalmente, o destino do King na free agency deste verão. Os resultados foram os seguintes [dados retirados do site lancelivre.pt]:

À pergunta “com quem vai LeBron assinar no final da temporada?”:

Cavaliers – 59%

Lakers – 22%

Heat – 7%

Outro (Grizzlies, Rockets, Sixers) – 12%

À pergunta “com quem deve LeBron assinar no final da temporada?”:

Cavaliers – 66%

Heat – 8%

Lakers – 8%

Outro (Knicks, Rockets, Sixers) – 18%

Ponto prévio. É importante ter em conta o timing deste inquérito, de forma a justificar a discrepância entre a hipótese Cleveland e as restantes: divulgado imediatamente a seguir ao trade deadline. Sendo que, a priori, e a julgar pelas primeiras indicações, a equipa parece mais preparada para arrebatar o anel do que antes das trocas, o que abona a favor da continuidade de LBJ na próxima época. No entanto, como sabemos, estas contas fazem-se no fim, pelo que aguardemos a prestação desta equipa nos playoffs.

 

 

Partindo, então, das respostas à primeira pergunta, mais fidedignas e representativas do que poderá acontecer, os Los Angeles Lakers surgem como a segunda hipótese mais forte para LeBron. Se, de início, me pareceram rumores sem grande cabimento, nesta fase já são demasiados para continuarem a ser ignorados. LeBron pode, efetivamente, vestir purple and gold em breve. Mas fará sentido? Em minha modesta opinião, nunca fez, e, na atual conjuntura, continua a não fazer. Para ambas as partes. Senão vejamos.

Na perspetiva de LeBron: pese embora o atrativo de ser líder numa grande cidade e num grande mercado (é a única razão razoavelmente lógica que encontro para este rumor), não me parece muito inteligente juntar-se a uma equipa que, para ser candidata ao título, teria que sofrer uma revolução total, isto é, construir uma equipa do zero para competir agora. Ora, LeBron sabe, de sua própria experiência, que estas construções, até se revelarem edifícios consistentes, exigem tempo (quer em Miami, quer no regresso a Cleveland, apenas na segunda época a equipa convenceu e conseguiu o título). Recordo que (embora por vezes não pareça) LeBron tem 33 anos. Tempo é coisa que não tem, de todo! Nas palavras do próprio, há um “fantasma de Chicago” para apanhar. E são precisas, em princípio, pelo menos mais 3 épocas.

 

“A minha motivação é um fantasma que persigo. Esse fantasma jogou em Chicago.” – LeBron James

 

Na perspetiva dos Lakers: seria deitar ao lixo um projeto de rebuild que, finalmente, ao fim de bastantes hesitações, parece ter pernas e core para andar. (E seria ainda termos que assistir ao erguer de um muro das lamentações chamado LaVar Ball.) Lonzo Ball, se for capaz de melhorar o seu lançamento, tem tudo para ser um base marcante e diferenciador; Brandon Ingram leva já médias de 16 pontos na sua segunda época e aparenta ter potencial para ser um defensor de topo e um ball handler fiável; já Kyle Kuzma é o steal do draft deste ano com a sua inesperada capacidade de pontuar abundante e eficazmente. Certo, LeBron é LeBron. Mas valerá a pena abdicar deste grupo de jovens talentosos que, com alguns ajustes e esperada evolução, podem marcar uma era nos Lakers, por dois, no máximo três anos do prime de James, sendo que os Lakers continuarão a ser um destino apetecível para FAs, agora e sempre? Para já, o front office da equipa tem dado sinais de fidelidade à história do franchise, isto é, lutar sempre pelos melhores FAs ao invés de “perder tempo” a desenvolver jovens, com as trocas de Jordan Clarkson e Larry Nance Jr. por Channing Frye e Isaiah Thomas, cujos contratos terminam no final da temporada e a ideia é, claramente, salvo alguma surpresa, não os renovar, de forma a libertar espaço salarial para atrair os melhores jogadores livres a.k.a. LeBron James e Paul George.

 

Para já, só no 2K.

 

Em suma, trata-se de um rumor com hipóteses reais de acontecer, contrariamente ao que à partida seria plausível. Ainda assim, não acredito que seja a melhor opção, nem para LeBron, nem para os Lakers. Neste momento, atendendo às ambições de LeBron (quer ganhar a todo o custo, pelo que o fator fidelidade à “casa” não terá peso na decisão) e ao tempo que lhe resta, a melhores opções são permanecer em Cleveland [esta equipa não me parece ser suficiente para bater Golden State, mas com algumas trades (Kevin Love por um big mais versátil, como Anthony Davis, por exemplo) creio que é possível uma aproximação aos dubs] ou juntar-se a uma equipa de topo já consolidada, a quem só falte um pequeno upgrade para alcançar o título. Nessa ótica, e dentro das hipóteses que constam do inquérito, os Houston Rockets, com ajustes salariais obviamente necessários, seriam talvez a melhor paragem para LBJ. E que barbaridade seria um trio com James, Harden e Paul! A acontecer, quem sabe se não teríamos finalmente o fim do sistema de conferências? São futurologias que ficam para futuros artigos. Até lá.

 

João Mendes

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