December 10, 2018

 

É já nesta quinta-feira que regressa a Liga das Nações, uma competição que começou este ano. Muitos são aqueles que não gostam desta nova ideia da UEFA, mas eu até vejo algumas vantagens nela.

 

Decorria o ano de 2013, quando a UEFA começou a pensar na criação de uma nova competição entre Selecções Europeias: A Liga das Nações.

 

A ideia baseava-se em separar as 55 Selecções da UEFA, em 4 divisões, com subidas e descidas. As Divisões A e B teriam 12 Selecções (4 grupos de 3), a Divisão C seria composta por 15 Selecções (3 grupos de 4 e apenas 1 grupo de 3) e a Divisão D teria 16 Selecções (4 grupos de 4). O vencedor de cada grupo (à excepção da Divisão A) sobe à divisão acima, enquanto o último lugar desce uma divisão, excepto na Divisão D, obviamente.

 

Os vencedores dos 4 grupos da Divisão A, irão jogar uma meia-final, em Junho de 2019. Dias 5 e 6 serão jogadas as meias-finais, sendo a final e o jogo de 3º e 4º lugar, no dia 9. Para quem não sabe, os primeiros cinco Europeus (de 1960 a 1976) foram organizados dessa mesma forma: Com uma qualificação inicial, apenas quatro Selecções se qualificavam para a Fase Final e seria mais tarde decidido em qual dos países iria a mesma ocorrer.

 

Em Março de 2018, as três Selecções do grupo 3 (Portugal, Itália e Polónia) mostraram interesse em organizar a Fase Final. Com a eliminação da Polónia, sabe-se que apenas Portugal e Itália são os potenciais anfitriões e que será já esta semana que isso ficará definido.

 

As divisões (da A à D) foram definidas, consoante o coeficiente das Selecções no Ranking da FIFA no final da qualificação para o Mundial 2018, sem incluir os playoffs. Portanto, quer isto dizer que as 12 melhores Selecções Europeias nesse ranking constituíram a Divisão A da Liga das Nações, as 12 Selecções seguintes a Divisão B, e assim sucessivamente.

 

A Portugal calhou no sorteio as Selecções da Itália e da Polónia e, até agora, tem corrido bem à equipa das Quinas. Mesmo com a ausência de Cristiano Ronaldo (recusou representar a Selecção nos jogos amigáveis e na Liga das Nações, até ao fim do ano), Portugal já bateu a Itália, no Estádio da Luz, por 1-0, e conseguiu vencer na Polónia por 3-2, tendo também mostrado, a meu ver, exibições bastante positivas.

 

Já no Sábado (dia 17) às 19:45h, Portugal vai até Itália e, em caso de não perder o jogo, ficará definido que será um dos quatro finalistas e, automaticamente, o organizador da Fase Final. Em caso de derrota, Portugal ainda terá nova oportunidade, contra a já eliminada selecção polaca, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.

 

Outra coisa que ainda confunde muita gente, é a qualificação para o Euro 2020. Daquilo que se sabe, uma coisa é certa: Os quatro vencedores dos grupos das Divisões A farão parte de grupos de qualificação para o Euro com 5 Selecções (na Qualificação para o Euro 2020, vão existir cinco grupos de 5 Selecções e cinco grupos de 6 Selecções), até porque em Junho, irão decorrer as meias-finais e a final da Liga das Nações, praticamente em simultâneo com as jornadas 3 e 4 da qualificação para o Euro 2020. Sendo assim, é natural que as quatro semifinalistas tenham de ficar num grupo com um número de Selecções mais reduzido.

 

Só que esta nova competição, não parece agradar a muita gente. Como por exemplo, o treinador do Liverpool, Jürgen Klopp que teceu muitas críticas à UEFA

 

A opinião de Jürgen Klopp em relação à Liga das Nações

 

A tentativa da UEFA, a meu ver, foi clara: Acabar com os jogos de preparação, onde a maior parte deles, pareciam ser aborrecidos para a maior parte das pessoas, criar uma competição para se jogar “mais a sério” e, claro, haver equilíbrio nos jogos. Parece-me bem mais interessante ver um Portugal-Itália, Alemanha-França, Espanha-Inglaterra, do que estar a ver jogos entre Selecções cuja discrepância é enorme.

 

A mesma coisa até entre Selecções que são, teoricamente, mais fracas, mas que querem crescer e ter mais objectivos. Por exemplo, uma Selecção que se estreou há poucos anos, como Gibraltar, que tem estado em grande nos últimos tempos, conquistando já duas vitórias nos últimos dois jogos, frente à Arménia e Liechtenstein. Se conseguissem algo histórico, como subir à Divisão C, seria muito motivante e histórico para o país, podendo festejar algo, ao invés de andar a jogar sempre contra Selecções de peso e a ter (quase) sempre, derrotas duras de engolir.

 

A festa de Gibraltar depois da vitória por 2-1 frente ao Liechtenstein

 

Sendo assim e, para aqueles que consideram que a Liga das Nações “não serve para nada”, não será preferível fazer dois “particulares” (já que é assim que alguns tratam a Liga das Nações) com Selecções como a italiana e a polaca, juntando aos que fizemos mesmo com a Croácia e Escócia, enquanto folgávamos, do que andarmos a jogar com outras Selecções mais fracas? É que agora a UEFA mudou o formato de Qualificação para o Euro 2020, havendo jornadas duplas em Março, Junho, Setembro, Outubro e Novembro (durante o ano de 2019) e um novo formato de playoff, com meia-final e final, para definir as últimas 4 Selecções apuradas, em Março de 2020.

 

No meu ponto de vista, é uma competição europeia de Selecções e tem de ser para ganhar! Não era excelente ganharmos já esta competição, logo na sua estreia, para podermos “casar” esse troféu com o do Euro 2016? Seria uma boa forma de mostrarmos a muita gente, que o nosso êxito de há dois anos não foi por sorte, mas sim, por mérito e, pelo trabalho que temos vindo a fazer de há alguns anos para cá!

 

Voltando a falar em equilíbrio, basta reparar que ainda está praticamente tudo em aberto, sendo que só é certa a despromoção de Islândia e Polónia para a Divisão B, enquanto a Ucrânia, fará o caminho inverso.

 

Espero que sábado a nossa Selecção nos dê mais um motivo de orgulho, para podermos assistir, novamente, a Portugal no topo da Europa e logo a jogar em casa! A possibilidade de voltarmos a ter jogos grandes no nosso país faz-me sentir saudades do Euro 2004, que tanta alegria nos foi causando, com excepção daquela inglória noite de 4 de Julho de 2004…

 

Em frente, Portugal!

 

Miguel Palha

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