December 13, 2019

 

calendario

 

Sem desprimor para qualquer das quatro equipas do grupo C a única marca verdadeiramente extraordinária e distintiva é isso mesmo, o comprimento. Ou, mais especificamente, a distância. Não entre a qualidade das formações, embora também haja, mas sobretudo entre a capital do cabeça de série, o Benfica, e da equipa do pote 4, o Astana. Nada mais, nada menos que 6.164,42 km, a maior distância jamais percorrida entre duas equipas da Liga dos Campeões (atravessar o Atlântico e ir até New York seriam apenas 5.422,70 km). O jogo de hoje na Luz é uma verdadeira taça intercontinental. Só para terem uma noção quando for 19:45 em Lisboa serão 00:45 do dia de amanhã em Astana, a capital do Kazaquistão, o que cria um feito absolutamente incrível, se pensarem bem. Na visão portuguesa o Benfica jogará com Astana dia 15 de setembro, mas na visão cazaque o jogo acontecerá… dia 16! Com tudo isto é apenas normal que surjam alguns equívocos…

 

confusão

A distância é tão grande que a notícia da venda do Cardozo ainda não chegou lá…

 

Pormenores à parte e como diz o Rui Veloso, o que os une é muito maior que o que separa e o que une todos é o desejo de passar aos oitavos de final da maior competição de clubes do mundo.

 

benfica

Esperemos que o patrocinador não dê o mote para a época do Benfica. Para já o Salvio agradece a escolha.

 

Do pote 1, como cabeça de série do grupo temos o Benfica. Aqui entre nós bi-campeão português dispensa apresentações. A equipa ainda está em processo de reconstrução, depois da conturbada e já exaustivamente analisada saída de Jorge Jesus.

O plantel não sofreu grandes alterações desde a época passada, mas perdeu o seu timoneiro, os nas palavras do próprio “o cérebro”. No último jogo a equipa que se vinha a exibir a um nível preocupante tirou a barriga de misérias e deu 6-0 ao Belenenses. A goleada ao outro histórico de Lisboa pode ser o tónico ideal para entrar com o pé direito na Champions, assim se mantenha afinada a pontaria.

Este também é um capítulo que pode ser aproveitado por Rui Vitória para se demarcar do seu antecessor, que sempre fez fracas campanhas na competição.

 

atleti

Não fizeram mais de 500 trocas fizeram apenas alguns ajustes. Isto é publicidade enganosa.

 

No pote 2 saiu o Atlético de Madrid, que convenhamos é a equipa favorita a ganhar o grupo. Há dois anos foi campeão espanhol e finalista vencido da competição numa final disputada no… Estádio da Luz. Desde aí muita coisa mudou para os colchoneros, mas manteve-se o essencial. A estrutura e as ideias do treinador Simeone permanecem imutáveis.

Uma equipa que vale pelo coletivo, mas que nem por isso deixa de ter grandes estrelas, e muitas delas com conhecimento intrínseco do Benfica. Demasiado intrínseco. Oblak e Tiago já trajaram de águia ao peito, tal como Siqueira que deveria ter voltado este ano mas que foi impedido por Simeone, quem sabe antecipando enfraquecer indirectamente um futuro opositor. Jackson Martinez representou o FC Porto nas últimas três épocas por isso também conhece tudo o que há para conhecer sobre os encarnados.

Uma das defesas mais sólidas de Europa, perdeu Miranda para o Inter de Milão mas viu regressar Filipe Luís do Chelsea. Perdeu o turco Arda Turan para o Barça mas foi buscar a promessa belga de origem portuguesa Ferreira-Carrasco ao Mónaco, e sobretudo, trocou Mandzukic (Juventus) por um bem-amado, filho da casa, que tem tudo para voltar a ser feliz, algo que já não acontece desde que saiu de Liverpool, Fernando “El Niño” Torres.

 

gala

Há ai um que está com cara de quem ainda não acordou. Esperemos que se mantenha assim até dezembro.

 

Ir jogar à Turquia é sempre uma dor de cabeça. Seja porque os adeptos são demasiado hostis e o clima do estádio aterrorizador, seja porque todos os jogadores turcos se excedem quando jogam em casa. O Galatasaray não é diferente.

A equipa que saiu do pote 3, juntou este ano ao seu leque de jogadores craques como Lukas Podolski do Arsenal, José Rodríguez do Real Madrid, Kevin Grosskreutz do Borussia de Dortmund ou Lionel Carole do Troyes, já com uma passagem discreta pelo… Benfica.

Naturalmente discutirá com os portugueses e os espanhóis a passagem à fase seguinte da competição.

O holandês Wesley Sneijder é a principal estrela da companhia que conta ainda com Burak Ylmaz, o Mitroglu da Turquia (ai de mim se algum turco ou algum grego lê isto), Umut Bulut, o experiente Hamit Altintop ou o internacional uruguaio Fernando Muslera.

 

astana

Ui olha aquele, e o outro… há o rapidíssimo e o tal que é uma máquina… Estou a brincar não conheço ninguém.

 

Sabem como em Portugal há equipas de futebol que têm secções de ciclismo? Bem, no Cazaquistão o Astana, a maior equipa de ciclismo tem uma secção de futebol. Que por acaso se sagrou campeã do país. E, também por acaso, conseguiu a qualificação para a Liga dos Campeões. Ou pelo menos nós esperamos que tenha mesmo sido tudo por acaso, fruto do mais absurdo acaso e que a equipa se revele tão fraca como todos supomos (a verdade é que ninguém sabe muito bem). As deslocações a Astana prometem ser fabulosas, sobretudo quando vier o frio, precisamente na altura da deslocação do Benfica, no dia 25 de novembro.

Este ano a equipa recebeu Serikzhan Muzhikov (FC Kaisar Kyzylorda), Junior Kabananga (Cercle Bruges), Denys Dedechko (FC Vorskla Poltava), Branko Ilić (FK Partizan), Zhakyp Kozhamberdy (FC Taraz), Rinat Khairullin (FC Zhetysu Taldykorgan) e perdeu Birzhan Kulbekov (released), Ulan Konysbayev (FC Kairat Almaty), Tohtar Zhangylyshbay (FC Kairat Almaty), Sergey Ostapenko (released), Casper Larsen (Odense BK), Berik Shaikhov (FC Irtysh Pavlodar), pelo que, como podem ver que está claramente mais forte. Ou mais fraca. Ou igual. Não sabemos, não conhecemos ninguém, mas uma coisa sabemos, pela primeira vez na história o Cazaquistão tem uma equipa presente na fase de grupos da Liga dos Campeões e isso pode e deve ser motivação suficiente para fazer, pelo menos uma gracinha em casa. Esperemos que seja mesmo só uma.

 

Pedro Filipe

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