October 19, 2018

 

Depois de coroar o FC Porto como campeão, um ataque selvagem em Alcochete, o Desportivo das Aves levantar a Taça de Portugal, o Real Madrid ganhar a Champions pela terceira vez consecutiva, a França se tornar campeã mundial, Cristiano Ronaldo se transferir para a Juventus e os sub-19 lusos se tornarem campeões europeus (ufa, que aconteceu muita coisa!), está na hora de subir o pano e começar a Liga NOS 2018/19.

 

Começa hoje com um Benfica—Vitória Guimarães, no meio da pré-eliminatória da Champions entre os encarnados e os turcos do Fenerbahçe, sábado entra em campo o campeão FC Porto, frente ao Desportivo de Chaves, e no domingo Sporting visita o Moreirense e Sporting Braga recebe o recém-promovido Nacional da Madeira.

 

Sabemos que o nosso futebol tem sido pródigo em casos, apitos dourados, azuis, encarnados e, quiçá, às bolinhas amarelas, e-toupeiras, cashballs, ataques a academias… um pouco de tudo. Mas não queremos ir por aí. Aqui o que nos interessa é o futebol, o que se passa dentro das quatro linhas, as grandes defesas, os golos de levantar o estádio, os passes milimétricos, a emoção, o riso, o choro, tudo que de bom o desporto-rei nos dá. Por isso, toca a calçar as chuteiras pretas e dar o pontapé de saída.

 

Porto de raça

“Eu quero o Porto campeão!”, pediam os adeptos, e os comandados de Sérgio Conceição fizeram-lhes a vontade. Agora vem um novo desafio, revalidar o título conquistado. Os portistas viram partir Marcano (AS Roma), Ricardo Pereira (Leicester), Diogo Dalot (Manchester United), André André e Osório (Vitória Guimarães), Gonçalo Paciência (Eintracht Frankfurt) e Waris (Nantes). Depois de perder metade da defesa campeã, Conceição viu que era aí que tinha de reforçar mais a equipa e para isso promoveu o jovem Diogo Leite da equipa B e foi buscar Mbemba (Newcastle), João Pedro (Palmeiras), Éder Militão (São Paulo) e Saidy Janko, que já foi dispensado (Saint-Étienne), e juntou-lhes o jovem avançado camaronês Marius Mouandilmadji (Cotonsport). 

 

Os portistas começaram bem, com a vitória na Supertaça frente ao Desportivo das Aves (3-1), mas continuam com o caso Marega por resolver, depois do maliano ter sido colocado a treinar à parte por não ter “condições emocionais”, quando se falava de uma possível transferência para o West Ham que não se chegou a concretizar. Apesar deste episódio e de ter uma defesa remodelada, Soares de fora por lesão durante dois/três meses e Danilo ainda a recuperar, os dragões partem no lugar da frente para a conquista do título. Mantiveram a equipa técnica e, até ver, grande parte do plantel que levou o “caneco” para o Porto, e isso só podem ser boas notícias.

 

 

Benfica investidor

Os encarnados falharam o tão ambicionado penta e viram que não podiam passar outro ano sem um forte investimento no plantel. Chegou o guarda-redes Vlachodimos (Panathinaikos), os defesas Conti (Colón), Lema (Belgrano) e Ebuehi (ADO Den Haag), regressou o médio Alfa Semedo (Moreirense) e promoveram o jovem Gedson Fernandes (Benfica B), e juntaram-lhes os avançados Ferreyra (Shakhtar Donetsk) e Castillo (Pumas). Na porta de saída passaram apenas jogadores que nunca foram aposta regular, João Carvalho e Diogo Gonçalves  (Nottingham Forest), Jiménez (Wolverhampton) e Lisandro López (Genoa).

 

As entradas foram muitas mas, tal como com o FC Porto, no Benfica fala-se muito da saída do melhor jogador encarnado dos últimos anos, o brasileiro Jonas. Sai para as arábias ou renova contrato? Os benfiquistas suspiram pelo Pistolas e pelo menino da casa Rúben Dias, que tem o Lyon a acenar-lhe com vários milhões para rumar a França. Até ao fecho do mercado as cabeças dos jogadores nunca estão totalmente “limpas”, falta saber se estão limpas o suficiente para entrar na Champions e chegar à terceira jornada com força para enfrentar o Sporting. Tem a palavra Rui Vitória.

 

 

Sporting Peseiro(so)

Fica aqui a nossa vénia ao trabalho de Sousa Cintra para tentar recuperar um Sporting dilacerado por um presidente bipolar e umas dezenas de pessoas que são tudo menos adeptos de futebol. Vários jogadores rescindiram contrato no seguimento do ataque selvagem e cobarde em Alcochete, uns voltaram (Bruno Fernandes, Battaglia, Acuña e Bas Dost) e outros partiram definitivamente — Rui Patrício (Woverhampton), Podence (Olympiacos), William Carvalho (Real Betis), Gelson Martins (Atletico Madrid) e Rafael Leão (Lille). Aos jogadores que rescindiram juntaram-se as saídas de Piccini (Valencia), Bryan Ruiz (Santos) e Alan Ruiz (Colón).

 

Em termos de entradas, os leões viram Nani (Lazio) regressar a “casa” e juntaram-lhe Marcelo (Rio Ave), Raphinha (Vitória Guimarães), Bruno Gaspar (Fiorentina), Renan Ribeiro (Estoril Praia), Viviano (Sampdoria), Sturaro (Juventus) e, ainda por confirmar, Diaby (Brugges) para tentar atacar o título.

 

O fantasma de Bruno de Carvalho tarda em sair de cena, agora são os leais ao Sporting e as guerras e ataques pessoais continuam. Sousa Cintra está a fazer o melhor possível para manter um clube que está tecnicamente falido, virado do avesso e que teve um dos piores casos de agressão da história do futebol europeu (e mundial) à tona até que o próximo presidente entre em cena a 9 de setembro, após um clássico com o Benfica. Estamos curiosos para descobrir que Sporting teremos a partir daí, com ou sem Peseiro.

 

 

Guerreiros da Pedreira

O Braga é um clube que não resisto a admirar. A ligação António Salvador-Jorge Mendes tem funcionado muito bem e tem criado consistentemente plantéis equilibrados e com várias soluções, aproveitando (muitas vezes) o chamado “refugo” dos grandes. Abel Ferreira tem feito um grande trabalho e, se algum dos grandes mostrar maiores fragilidades (estamos a olhar para ti Sporting), o Braga pode fazer um brilharete e acabar bem perto do título. 

 

Perdeu jogadores como Stojiljkovic (Crvena Zvezda), Danilo (Nice) e Vukcevic (Levante) mas reforçou-se bem com Palhinha (Sporting), Claudemir (Al-Ahli Jeddah), Eduardo Teixeira (Estoril Praia) ou João Novais (Rio Ave). Garantidamente, se os grandes não estiverem no seu melhor, contem com o Braga para fazer uma gracinha. Fiquem com um vídeo de um dos momentos altos da época do Braga.

 

 

Rio do bom futebol

O Rio Ave tem sido um colírio de bom futebol ao longo das últimas épocas e teve o seu expoente máximo na temporada transacta com Miguel Cardoso aos comandos. O treinador partiu para o Nantes mas a ideia continua a ser a mesma, fazer crescer o clube enquanto se pratica um futebol positivo, para esse efeito a direcção depositou a sua confiança em José Gomes (ex-adjunto de Jesualdo Ferreira no FC Porto que estava na Arábia Saudita ao serviço do Al Taawon). O guarda-redes Cássio seguiu para o Al Taawon, Pelé foi para o Mónaco de Leonardo Jardim e João Novais para o Braga mas chegaram jogadores de qualidade como Galeno (FC Porto), Gelson Dala (Sporting), Bruno Moreira (Paços de Ferreira) ou Léo Jardim (Grémio). Tem tudo para voltar a ser figura de destaque na liga, basta ver o bom futebol apresentado frente ao Jagiellonia.

 

 

De Trás-os-Montes à Madeira

Chaves, Guimarães, Boavista e Marítimo fizeram um campeonato seguro mas, tirando o Boavista, todos trocaram de treinador. Curiosamente, algumas das trocas foram entre eles. Luis Castro saiu do Chaves para assumir os comandos do Vitória Guimarães, para o seu antigo lugar foi Daniel Ramos… vindo do Marítimo. Que por sua vez contratou Cláudio Braga vindo do Fortuna Sittard. O único que ficou quieto no sítio foi Jorge Simão que continua à frente do Boavista e promete mais uma época de qualidade. 

 

O grande destaque acaba por ir para o Vitória que, com Luis Castro, e as entradas de André André, Osório, João Carlos Teixeira (FC Porto), Rafa Soares (Portimonense), Guedes (Desportivo Aves) ou Ola John (Benfica), tem tudo para fazer uma grande época e aproximar-se mais do pelotão da frente, apesar da eliminação precoce da Taça da Liga.

 

Vila das Aves festeja e os outros ficam a ver

Vá, aqui estamos a ser tendenciosos. Mas num pedaço de texto em que falamos de Desportivo Aves, Tondela, Belenenses e Portimonense tínhamos que dar alguma destaque ao clube de Santo Tirso. Preferimos não entrar na burocracia dos dois Belenenses e no clube que vai jogar na Liga NOS no Jamor e no que vai para as Distritais de Lisboa e continua no Restelo.

 

Os quatro clubes vêm de épocas seguras, não muito longe da linha de água, mas o destaque tem de ser para os comandados de José Mota que aproveitaram um momento de fragilidade do Sporting, conquistaram a Taça de Portugal e asseguraram a entrada do clube na história do futebol português. Será muito difícil repetir o feito, mas já desistimos de ter certezas. O outro destaque vai para a saída de Vítor Oliveira do Portimonense (António Folha foi para o seu lugar), com o mago da segunda liga a voltar a dois lugares onde já foi feliz, a Ledman LigaPro e o Paços de Ferreira. O quarteto deve continuar na luta pela permanência em 2018/19.

 

 

Ovos Moles, Choco Frito e Sopa de Nabos

Que é como quem diz Feirense, Vitória Setúbal e Moreirense. O Vitória do Sado viu sair José Couceiro, visivelmente desgastado, contratou o competente Lito Vidigal e conseguiu o empréstimo do jovem guarda-redes Joel Pereira (Manchester United). Por seu lado, o Feirense manteve Manta Santos e reforçou-se com jogadores como Sturgeon (V. Guimarães), Edinho (V. Setúbal) ou o nigeriano Kehinde (Man. Utd.). 

 

Quanto ao Moreirense, vai no quarto treinador em apenas um ano. O escolhido para iniciar a época foi Ivo Vieira, que não conseguiu salvar o Estoril da descida, onde foi buscar Halliche. Recebeu também Chiquinho, Pedro Nuno e Heriberto (Benfica), Ivanildo (Sporting), Loum (Braga), entre outros. Não se avizinham tempos nada fáceis para estes três emblemas.

 

Os retornados

Santa Clara e Nacional estão de volta à prova maior do futebol português. Não deixa de ser curioso que ambos os emblemas venham de fora de Portugal Continental. O Santa Clara trocou de treinador, Carlos Pinto saiu para a Académica e para o seu lugar chegou João Henriques (ex-Paços de Ferreira) que não acabou a época muito amigo de Sérgio Conceição. Juntou-se-lhe um carregamento de novos jogadores, com destaque para Ukra que é sempre garantia de entretenimento, e vamos ver se não se junta ao grupo de equipas que vem à Liga NOS passear durante um ano para rapidamente voltar para a segunda liga.

 

Quanto ao Nacional, os madeirenses mantiveram Costinha no comando e deram-lhe 10 reforços, com o destaque a ir para Gorre (Swansea) e Arabidze (Shakhtar Donetsk). Ambos vêm das camadas jovens dos ex-clubes mas não deixam de ser casos raros na nossa liga para clubes da dimensão do Nacional. A luta pela permanência promete ser muito intensa este ano.

 

Os dados estão lançados, os plantéis (quase) fechados e a emoção está ao rubro. Que role a bola no relvado porque já estamos cheios de fome de bola nos estádios dos país campeão europeu.

 

Paulo Correia

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