December 13, 2019

Ena, ena, que trocadilho tão bom com que decidi começar isto… é o último, prometo…

 

É já hoje. Daqui a poucas a bola começa a rolar no Estádio do Dragão oficializando o início da principal Liga de futebol do nosso país (a Segunda Liga começou a semana passada, caso não tenham dado por isso. Tenho quase a certeza que não deram).

 

Nesta artigo vou fazer uma análise ao que podemos esperar da Liga deste ano, bem como dar-vos conta de algumas curiosidades. A primeira novidade que tenho para vos dar é sobre o nome da Liga. Desde que começou o fenómeno da “sponsorização” das competições da Liga, que não tem sido fácil para os adeptos acompanharem os nomes das respectivas provas. A Taça já não é de nenhum banco, a Taça da Liga já não é de nenhuma cerveja, a Segunda Liga já não é das águas, nem do refrigerante gaseificado com sabor a laranja (sim, já foi Liga Orangina) e a principal, ao contrário do que alguns comentadores especializados ainda insistem em chamar-lhe, também já não é Zon-Sagres. Primeiro porque a Zon já nem existe, na melhor/pior das hipóteses seria NOS-Sagres, mas a marca de telecomunicações deixou de ser parceira (a cerveja não, mas já não lhe dá o nome). Durante este ano chamem-lhe apenas Liga Portugal. A Liga Portugal divide-se em Primeira Liga e Segunda Liga. E é isto. Acham pouco original? Pensem nos nomes que por cá se arranjam para os bancos novos e os bancos que são maus negócios e lembrem-se que podia ser bastante pior!

 

A Liga este ano está cheia de bons motivos e novos motivos para lhe darmos uma espreitadela. O maior e mais forte é o clubismo. Sejamos sinceros, se não fossemos todos do clube A, B ou C não víamos isto. O futebol lá fora é muito mais bem disputado, sobretudo em Inglaterra, na Alemanha e em Espanha, mas o amor e devoção aos clubes (quase invariavelmente os três grandes) leva-nos a suportar, o que por vezes são massacres de 90 minutos de mau futebol e arbitragens ainda piores. A competitividade também não é por aí além. Se gostássemos de emoção víamos a Segunda Liga, onde, normalmente, a meio da época, uma equipa de meio da tabela sabe que, se perder o próximo jogo cai na zona de despromoção, mas se o empatar ascende ao topo da Liga. Sim, é assim tão esquizofrénica, sobretudo agora que consegue ter mais clubes que os grande campeonatos europeus. São ao todo 24 (!!!) a contrastar com os 18 que agora vão disputar a Primeira Liga. Digo agora, porque até à época transacta eram apenas 16 as equipas que disputavam a Primeira Liga, mas este ano, com a necessidade de reintegrar o Boavista (lembrem-me de escrever sobre isto mais tarde que ainda nos vamos rir muito), foi necessário aumentar o formato da competição. É verdade os axadrezados voltam ao principal escalão do futebol português por mérito próprio (tentar escrever isto sem me rir é um exercício bastante difícil… Perdi, confesso) e com ele voltam duas caras bem nossas conhecidas. Armando Teixeira, mais conhecido no mundo da bola por Petit, agora no papel de treinador e João Malheiro, o Presidente que levou a equipa do Bessa ao seu único título de campeão nacional, que abandonou o clube, pouco antes da sua queda, mas que teve a “sorte” de a este regressar muito pouco tempo antes de a Liga anunciar a reintrodução do Boavista nos escalões principais. Coincidências do destino…

 

A expectativa para saber o que este Boavista pode fazer é muita. Com um plantel de tostões e que junta o excesso de experiência de um (acreditam que o Fary ainda lá está? Pois eu também não quis acreditar), à total inexperiência dos outros todos, não creio em milagres, a não ser que o Pinto de Sousa volte a liderar algum organismo, mas não creio, não creio mesmo (se bem que por cá, nunca fiando). Seja como for, mesmo antes de começar o clube da pantera já está a fazer história: vamos voltar a ter um dos estádios do Euro a justificar o investimento. Yay!

 

Quem também pode fazer história é o Benfica. Há 30 anos que o clube da Luz não consegue sagrar-se bicampeão e o objectivo para este ano está traçado. Ninguém diria tendo em conta a pré-época do clube e a política de contratações, mas o treinador e o Presidente encarnados insistem que sim. O Benfica perdeu nomes sonantes da época passada como Garay, Rodrigo e Markovic e, apesar de ter feito contratações de “peso” (destacoLuís Filipe), a única compra que satisfez minimamente o exigente terceiro anel da Luz foi a de bebé, perdão, Tiago. Jorge Jesus já veio dizer que “não faz sentido chamar Bebé a um homem com 1,90 metros”, não será de admirar que daqui a algum tempo se oiça nas bancadas da Catedral o eterno hit da Romana. O jovem extremo/avançado português tem um dos percursos mais curiosos de sempre da história do futebol: Futebol de Rua (como sem-abrigo) -» Estrela da Amadora -» pré-época do Guimarães -» Manchester United -» Banco do Besiktas por empréstimo -» Reservas do Man Utd -» Rio Ave por empréstimo -» Paços de Ferreira por empréstimo -» e, finalmente, Benfica. Ufa, que canseira., sobretudo se tivermos em conta que tem apenas 24 anos.

 

Para disputar o título com o regressado campeão, os suspeitos do costume, FC Porto e Sporting. Os da invicta parecem levar vantagem nest duelo particular, apesar de terem terminado o campeonato do ano passado atrás do Sporting . Na verdade, e a avaliar apenas pela qualidade do plantel, o FC Porto parece levar vantagem em relação a toda a concorrência directa. Tiveram três grandes perdas esta época, duas negativas e uma bastante positiva. Perderam Mangala e Fernando, dois dos seus melhores jogadores dos últimos tempos, mas, para compensar, também perderam Paulo Fonseca. Ficaram a ganhar. Além disso, reforçaram-se muito e bem. Bruno Martins-Indi e Casemiro são os destaques naturais, mas com Lopetegui chegou uma armada espanhola (Tello e Adrian Lopez sobressaem do compatriotas) que ainda está para provar se é invencível ou não, mas que tem qualidade, tem, isso é inegável. Ainda não ultrapassam os brasileiros do plantel (9), mas 6 já é um número de respeito, sobretudo se tivermos em conta que o plantel do FC Porto tem apenas 4 portugueses! Fica a nota que no extremo oposto do FC Porto, a equipa com menos portugueses da Liga (e a única com um treinador não português), está o Penafiel, que não tem qualquer estrangeiro na equipa. É obra. Para além disso conta também com o mais novo dos 18 treinadores que começam a época. Ricardo Chéu vai-se estear no escalão principal com apenas 33 anos. Só isso já são motivos de sobra para desejar boa sorte aos penafidelenses.

 

O Sporting também tem estado muito motivado durante a pré-época. Talvez mais pelos resultados conseguidos na época passada (ou pelos resultados negativos do Benfica durante a pré-época), uma vez que os resultados dos jogos até agora não têm sido de encher o olho, mas a verdade é que o projecto de Bruno Carvalho continua a ser entusiasmante. A aposta na formação tem dados frutos (embora ainda não se tenham traduzido em títulos), o Sporting volta à Liga dos Campeões e conseguiu, pelo menos por enquanto, manter intactas as principais joias da coroa, Rojo, Slimani, William Carvalho, Adrien Silva e Rui Patrício. Mesmo os casos de indisciplina que agora vieram à baila, não são suficientes para abalar a fé verde-e-branca. Os reforços não são muito sonantes, mas prometem dar mais profundidade e qualidade ao plantel, mas talvez a mudança mais significativa neste novo leão seja no comando técnico. Marco Silva é um treinador jovem, ambicioso e ansioso por provar a competência que todos lhe reconheceram, pelos excelentes resultados que alcançou no Estoril (e que levaram muitos benfiquistas a desesperar ao descobrir que este não sucederia a Jorge Jesus no leme da equipa encarnada. Mea culpa.). Tal como a Lopetegui, falta-lhe experiência em grandes clubes e em competições europeias, nomeadamente na Champions, porque conseguiu o enorme feito de levar o Estoril à Liga Europa, mas ganha em arrojo e em vontade de surpreender. Vamos ver até onde pode ir este Sporting.

 

Para terminar, e como toda a gente gosta de fait-divers, restadizer ainda que pela primeira vez na história da Liga, vão jogar dois irmãos gémeos. Falo de João Aurélio do Nacional e Luís Aurélio do Moreirense, dois médios-centro que se vão enfrentar no início da Liga para os seus clubes, a 17 deste mês. O mesmo dia em que ambos completarão 26 anos! E com isto, já chega de WikiLiga por hoje, não?

 

Os dado estão lançados, de hoje até ao fim do mês e até ao fecho do mercado de transferências (cá e na Rússia, um mês depois) muito pode ainda mudar. Os dados estão lançados, os cachecóis estão de fora, as gargantas prontas, as cervejas cada vez mais geladas e os corações, esses desgraçados, preparados sofrer continuamente, durante 9 meses, divididos por 34 jornadas.

 

Concluo como principiei, esta Liga não é grande coisa, mas já ninguém se imagina sem ela, pois não? De hoje até meados de Maio vamos estar todos ligados na Liga. Boa sorte, que ganhe o melhor e que, faltando melhor alternativa, se repita o resultado do ano passado…

 

Pedro Filipe

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