January 22, 2020

Julen Lopetegui está oficialmente de malas feitas, e não se volta a sentar no banco do Futebol Clube do Porto. Os adeptos portistas barafustaram, gritaram, agitaram lenços, fizeram silêncio no estádio, mas o que tirou o espanhol do seu posto foram os catastróficos resultados com que entrou em 2016. Depois de uma campanha de Champions que podia e devia ter corrido muito melhor do que correu (zero pontos conquistados nos dois últimos jogos da fase de grupos, quando um ponto no primeiro contra o Dinamo de Kiev teria sido suficiente para passar para os oitavos), o Porto de Lopetegui multiplicou os desaires. Apesar de ter passado o Natal no topo do campeonato, foi eliminado da Taça de Portugal  levando 3 golos EM CASA, e já está em segundo lugar da Liga em igualdade de pontos com o Benfica, graças a uma derrota em Alvalade e um empate face ao Rio Ave.

 

Quando foi a hora de se mostrar dominador, de retomar as rédeas do seu destino, de aumentar a distância com o Sporting no campeonato, de se manter em todas as competições possíveis depois da eliminação prematura da Liga dos Campeões… o Porto mostrou-se frágil, medroso, sem garra. E podemos admitir da nossa equipa todas as debilidades, menos a falta de vontade de conquista! Com Iker Casillas na baliza e o elenco de que dispomos, não desdizendo da qualidade dos adversários, o Porto tinha argumentos para dar a volta aos (surpreendentemente) poucos resultados negativos que granjeou. Mas não. Começar a Champions com um empate, e empatar na segunda jornada do Campeonato com o Marítimo não foram tão  graves. Não conseguir reagir às burradas tácticas e de jogo contra Kiev e Chelsea nos jogos de volta, foi fatal. Depois de tudo isso, viu-se nos três últimos jogos um Porto incapaz de reagir depois de um golpe, que foi humilhado em casa, que entregou o jogo ao Sporting em Alvalade, e que não soube afirmar a dominação exercida sobre o Rio Ave com um resultado expressivo. Um Porto que não encontrou resposta no terreno aos problemas que acabaram por selar o destino do treinador.

 

Objectivamente falando, depois disto o treinador não tinha condições para ficar. Com os seus clamores, com os seus lenços brancos, e até com o seu silêncio, os adeptos do Dragão falaram. E acabaram por ser ouvidos. Por mais que sejam os jogadores que resolvem em campo, o papel do homem do banco é crucial para pensar e executar o jogo. Mexer oportunamente na equipa, mudar esquemas tácticos, tirar o melhor do seu plantel. Coisas de que o Lopetegui não pareceu capaz, apesar do plantel “de luxo” de que dispôs no Dragão. E ponho de luxo entre aspas porque, como tem vindo a ser debatido na imprensa desportiva, a capacidade de um piloto a controlar o seu supercarro faz alguma diferença tanto no resultado da corrida como na manutenção do referido bólide. Assim sendo, mesmo com bons jogadores, as escolhas por vezes preocupantes de Lopetegui podem ter afectado o moral das tropas e a motivação de certos jogadores. Lopetegui perdeu o seu balneário há já algum tempo, e acredito que nem ele se tenha dado conta antes de ser tarde demais para corrigir a rota. Agora, vai ser preciso recomeçar uma temporada a meio da temporada, remotivar todo o mundo, reencontrar uma mística que esteve presente em todo o lado menos no balneário e em campo nesta primeira parte da Liga NOS do FCP.

 

Vai ser preciso rever coisas básicas. Vai ser preciso definir prioridades. Osvaldo de volta para a sua Argentina natal, o Porto precisa de reforçar as suas opções ofensivas, vai precisar de outro ponta de lança para alternar ou associar com Aboubakar segundo as necessidades. Vai ser preciso reforçar a defesa, sobretudo o corredor esquerdo, onde o Brahimi em ataque tem abatido um trabalho colossal por falta de apoio conveniente na sua linha. Vai ser preciso encontrar um líder em campo, e não vejo melhor que André André, literalmente um filho da casa, para ser o próximo comandante em chefe dos Dragões. A sua mestria no meio campo, o trabalho abatido por Imbula, as promessas que todos vemos em Tello, Corona e Aboubakar… Vai ser preciso converter tudo isto em qualidade de jogo, em confiança, em pontos, em vitórias, em MÍSTICA. O Futebol Clube do Porto definhou para além do que devia definhar um clube da sua dimensão e ambição. O Futebol Clube do Porto tem agora uma oportunidade de virar essa página, de reagir, de tirar as lições necessárias do episódio Lopetegui, de maneira a que o futuro seja um pouco mais radiante. Por enquanto com Rui Barros. Depois? Logo se vê. Mas o importante é virar a página, lutar por cada ponto no Campeonato, fazer a melhor campanha possível na Liga Europa, mostrar a garra e determinação que têm sido a marca deste emblema nos últimos 30 anos em que dominou o futebol português.

 

Em relação a Lopetegui… Fica o amargo sabor do “isto podia ter corrido tão melhor do que correu”. Fica o lamento por uma temporada e meia de mais ou menos, de derrotas no pior timing possível, e a certeza de que o Porto não era clube para ele, nem ele treinador para o Porto. Apesar de tudo, que a sua carreira lhe sorria tanto quanto possível, e que esta separação lógica e indispensável marque uma evolução para ele como para o meu Futebol Clube do Porto. O próximo (pois sabemos que Rui Barros é uma opção temporária), seja ele Marco Silva, Leonardo Jardim, André Villas-Boas ou qualquer outro, terá que vir com uma certeza e convicção: o Porto não é qualquer clube. E por conseguinte, não pode nem deve ser conduzido por qualquer treinador. 

#SomosPorto

Ricardo Glenn Baptista

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