November 14, 2019

Sou fã dos Carolina Panthers. Porquê? Haverá alguma razão que faça algum sentido lógico? Se perguntarmos a qualquer fã a razão para a sua escolha de equipa algum deles terá uma resposta sequer remotamente racional? Da minha parte, posso avançar que talvez tenha sido por gostar do esquema de cores a azul e preto. Ou então foi talvez por saber, na altura em que os escolhi (em 2011), que estavam no fundo mas tinham a primeira escolha do draft e queria vê-los a crescer desde o início. É muito possível que eu seja simplesmente um fã tresloucado da série Friday Night Lights e não posso ver Panthers escrito em lado nenhum sem me atirar de cabeça.

Mas não interessam as razões. Começou mais uma temporada da NFL e, mais do que nunca, as minhas esperanças estão elevadas para uma boa temporada para a minha equipa. Mas esta é a altura em que me vejo forçado a tirar a venda de fã e a colocar os óculos de analista. Porque, se é verdade que a equipa de Carolina tem tudo para concretizar o seu potencial este ano, é inegável que ainda há muitas arestas a limar.

Os maiores problemas de todo o plantel dos Panthers estão na sua linha secundária na defesa, o que se torna ainda mais problemático se considerarmos que estão integrados numa divisão onde jogam alguns dos melhores ataques focados no passe em toda a liga – como os New Orleans Saints de Drew Brees ou os Atlanta Falcons de Matt Ryan.

Por outro lado, para combater este problema, a equipa de Carolina conta com um dos melhores front seven em toda a liga, comandados pelo fenomenal linebacker Luke Kuechly, que liderou a NFL em tackles na temporada passada. Os Panthers contam também com nomes como Charles Johnson, Greg Hardy, Jon Beason e o rookie Star Lotulelei para formar uma das mais intimidantes defesas da liga, especialmente no que ao passing rush (pressão no quarterback) diz respeito.

Quando olhamos para o ataque dos Panthers, tudo se resume a se o talento no plantel se vai finalmente materializar em campo ou continuar a jogar abaixo do que consegue. O veterano wide receiver Steve Smith deverá continuar a ser tão bom como sempre, mas precisará de um bom contributo por parte dos novos receivers acabados de contratar (Ted Ginn e Domenik Hixon) para impedir que as defesas se concentrem simplesmente nos seus movimentos. Os Panthers também vão precisar de maior explosão por parte do seu duo de running backs (DeAngelo Williams e Jonathan Stewart) para aliviar a pressão do jogo de passe.

Mas tudo isto são meros detalhes. Importantes, mas detalhes ainda assim. Porque todos sabemos que o sucesso desta equipa depende acima de tudo de um factor X: quão bom é Cam Newton? O híper-talentoso quarterback dos Panthers, escolhido com a primeira escolha do draft, entrou na liga com muitas dúvidas sobre o seu talento e arrasou-as com o seu primeiro jogo. Com 422 passing yards, Newton bateu o recorde de jogo de estreia para um rookie que antes era detido por Peyton Manning, sendo também responsável por três touchdowns, um deles em corrida. No final da temporada, Newton tinha acumulado mais de quatro mil passing yards, tornando-se o primeiro rookie da NFL a superar essa marca.

No que a estatísticas diz respeito, o talento de Newton é inquestionável. Com 7.920 passing yards (40 touchdowns) e 1.447 rushing yards (22 touchdowns), é inegável que Cam está a ter o melhor começo estatístico de qualquer quarterback desde a criação da NFL. Tem faltado apenas uma coisa. Infelizmente, tem sido as vitórias. Com registos de 6-10 na sua primeira temporada e 7-9 no ano passado, Cam Newton continua a não ter liderado a sua equipa aos playoffs – algo que estreantes como Andrew Luck e Robert Griffin III conseguiram fazer em 2012.

Cada vez mais, a pressão está nos seus (gigantescos) ombros. Ainda mais considerando que os seus colegas o nomearam capitão da equipa pela primeira vez na sua ainda curta carreira. Se este ano não mostrar uma viragem para os Panthers, é garantido um aumento no volume de questões. Será Cam Newton um grande jogador que é traído pela incompetência do seu treinador ou antes um desperdício de talento e um egoísta que não consegue liderar uma equipa?

Acredito que isso não vai acontecer. Acredito que os Panthers vão ser uma das equipas mais excitantes em toda a liga. Acredito que vão ter um registo entre 8-8 e 10-6. Acredito que têm boas hipóteses de chegar aos playoffs. A partir daí, quem sabe? Como tudo o resto, está nas mãos de Cam Newton.

Pedro Quedas

2 Comments

  • Responder
    Pedro Author
    7 de Setembro de 2013

    Primeiro que tudo, obrigado 🙂 E depois, sim, concordo. Eu adoro o Luke Kuechly e espero coisas muito boas desta defesa neste e nos próximos anos, mas a equipa só ter vôos mais altos se o Cam der “o pulo”. Eu acredito que vai ser este ano, mas continuo a ter dúvidas se é uma opinião fundada ou “wishful thinking” de fã 😉

  • Responder
    Tiago
    6 de Setembro de 2013

    Óptimo texto.
    Acho que esta época vai ser a do ‘sim ou sopas’ para o Cam Newton (e, consequentemente, para os Panthers). Será que é o quarterback talentoso e atlético que mostrou ser na sua época de rookie ou será antes o quarterback talentoso, atlético mas muito inconsistente e até algo mimado que se revelou na época passada? A defesa é, como dizes, muito boa (também é mérito do treinador, o Ron Rivera, ex-defensive coordinator dos meus Bears) e deve garantir pelo menos um record de 0.500. Mais do que isso está exclusivamente dependente do Newton e da sua sociedade com o velhinho (mas altamente eficaz) Steve Smith.

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