December 13, 2019

Os ataques demolidores dos Atlanta Falcons e dos Cincinnati Bengals continuaram a devassar os seus adversários. As defesas vorazes dos New York Jets e dos Denver Broncos continuaram a sufocar os seus oponentes. E até vimos equipas deprimidas como os Baltimore Ravens ou os Chicago Bears a mostrar os primeiros sinais de vida. Esta 4ª jornada não teve falta de jogadas e narrativas dignas de destaque. Ainda assim, peço-vos que me permitam dedicar o texto desta semana a apenas um jogo. O confronto entre Saint Louis Rams e Arizona Cardinals prometia ser o mais interessante da semana e cumpriu com tudo o que prometeu. E tudo isto aconteceu em duas metades muito distintas:

 

1ª Parte: O abraço apertado dos Rams

Durante as primeiras três jornadas da temporada, os Arizona Cardinals apresentaram um ataque historicamente bom, acumulando pontos atrás de pontos com um passing game devastador, liderado pelo veterano quarterback Carson Palmer e o revitalizado wide receiver Larry Fitzgerald. Não parecia haver solução para os parar. E eis que lhes apareceram pela frente os Saint Louis Rams. Robert Quinn, Aaron Donald e companhia foram os primeiros a conseguir controlá-los – e não da forma que normalmente esperaríamos que o fizessem. A estratégia chama-se “bend, don’t break” e está predicada em permitir as jogadas “normais” para bloquear as jogadas extraordinárias. Ou seja, jogar sem ego, colocar pressão constante no quarterback (tiveram quatro sacks neste jogo, sendo que os Cardinals apenas tinham permitido três nas primeiras três partidas) mas sem medo de “deixar passar” os passes curtos. O objectivo máximo era “apenas” não permitir touchdowns. E resultou. Vezes e vezes sem conta, os Cardinals conseguiram avançar até às últimas jardas do terreno mas, chegados aí, não conseguiam entrar na end zone, tendo de se resignar aos meros três pontos de um field goal. No papel, Carson Palmer acabou por ter um jogo produtivo, com 352 passing yards, mas o sufoco da excelente defesa dos Rams manteve os Cardinals sempre por perto e incapazes de construir as desmoralizantes vantagens que sempre pareciam conseguir. Mas este foi apenas um dos ingredientes da receita para esta vitória dos homens de Saint Louis. Para completar o prato, foi preciso algo mais especial.

 

2ª Parte: Saiam da frente de Todd Gurley

Com todos os (merecidos) elogios que têm sido disparados à impressionante e jovem linha defensiva dos Rams, o mesmo não se tem podido dizer do seu ataque. Nick Foles é um quarterback competente, mas não muito mais que isso. Tayvon Austin é capaz de grandes jogadas (até terminou este jogo com dois touchdowns), mas tende a deixar a sua inconsistência minar a sua ascensão aos patamares mais elevados da sua posição. Faltava qualquer coisa a este ataque. Faltava dinâmica. Faltava explosão. Faltava Todd Gurley. Escolhido na 10ª posição do draft deste ano, havia muitas dúvidas quanto às capacidades deste talentoso running back, principalmente depois de ter perdido todo o seu último ano na universidade com uma grave lesão muscular. Os Rams foram a equipa que acabou por ganhar coragem e escolhê-lo, confiando que o potencial se iria sobrepor ao historial de lesões. E o começo acabou por ser relativamente calmo. Depois de apenas nove rushing yards no seu jogo de estreia contra os Steelers, o jovem Gurley tinha apenas cinco também ao intervalo do jogo contra os Cardinals. Mas depois, na segunda parte, nasceu uma estrela. A cada corrida, Gurley ganhava mais confiança, ultrapassando os seus adversários tanto em corrida como em puras demonstrações de força e capacidade atlética. A sua run de 52 jardas no último e decisivo período permitiu a Foles, na jogada seguinte, concretizar o touchdown que acabou por dar a vitória aos Rams. E Todd Gurley não mostrou apenas os seus dotes atléticos, mas também uma inteligência e visão de jogo invulgares num rookie. Depois dos Cardinals conseguirem o seu primeiro e único touchdown logo a seguir para colocar Arizona a dois pontos de distância, cabia aos Rams tentar manter a posse de bola. Foles colocou a bola nas mãos de Gurley, que furou a linha defensiva e, tendo um caminho possível para concretizar um touchdown, preferiu, inteligentemente, parar e recolher a bola entre os braços, para deixar o relógio passar e permitir aos Rams gerir o relógio até ao fim. Os 146 rushing yards com que Gurley fechou o seu segundo jogo na NFL demonstraram os seus dotes atléticos. A sua frieza na jogada decisiva demonstrou uma inteligência só ao alcance dos mais dotados. Temos estrela.

 

A glória do excesso

Futebol americano não tende a ser um desporto de subtilezas mas antes de grandes momentos. Para ganhar jogos nas trincheiras da NFL quer-se sempre mais, quer-se muito. Por exemplo, Adrian Peterson é muito rápido…

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… Ed Dickson é muito sortudo…

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… e Mario Williams é muito bruto.

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Com todo este frenesim, por vezes é melhor simplesmente dormir uma soneca:

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Sweet dreams, fãs da NFL.

 

Resultados 4ª Semana

Detroit Lions – 10 X 13 – SEATTLE SEAHAWKS

BALTIMORE RAVENS – 23 X 20 – Pittsburgh Steelers

CAROLINA PANTHERS – 37 X 23 – Tampa Bay Buccaneers

NEW YORK JETS – 27 X 14 – Miami Dolphins

Jacksonville Jaguars – 13 X 16 – INDIANAPOLIS COLTS

NEW YORK GIANTS – 24 X 10 – Buffalo Bills

Philadelphia Eagles – 20 X 23 – WASHINGTON REDSKINS

Oakland Raiders – 20 X 22 – CHICAGO BEARS

Houston Texans – 21 X 48 – ATLANTA FALCONS

Kansas City Chiefs – 21 X 36 – CINCINNATI BENGALS

Cleveland Browns – 27 X 30 – SAN DIEGO CHARGERS

GREEN BAY PACKERS – 17 X 3 – San Francisco 49ers

SAINT LOUIS RAMS – 24 X 22 – Arizona Cardinals

Minnesota Vikings – 20 X 23 – DENVER BRONCOS

Dallas Cowboys – 20 X 26 – NEW ORLEANS SAINTS

 

Nota: as equipas que jogam em casa estão à direita, tal como é apresentado nos sites de desporto norte-americanos.

Pedro Quedas

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