January 20, 2018

 

Parece que ainda ontem estávamos aqui a prever o que se iria passar nesta época da National Football League e já estamos a poucos dias da ronda divisional dos playoffs. Começando pelos clichés, tivemos confirmações e desilusões. Começando pela AFC, vamos resumir o que se passou.

 

American Football Conference

 

Na conferência americana a estrada para o Super Bowl volta a passar por Foxborough. Pela oitava época consecutiva os New England Patriots conseguem um dos dois primeiros lugares da AFC, beneficiam de uma semana de descanso e vão jogar a final de conferência em casa, se lá chegarem, pela quarta vez nestas oito temporadas, sendo que nessas ocasiões apenas por uma vez deixou de ir ao Super Bowl (2012, derrotados pelos Baltimore Ravens). Tom Brady continua em grande nível, a equipa técnica é brilhante e a defesa recebeu agora a adição de James Harrison que veio colmatar uma importante lacuna na segunda linha defensiva.

 

 

Como de costume os Patriots começaram aos tropeções (2 vitórias e 2 derrotas nos primeiros jogos), mas quando encontraram o seu ritmo foram (quase) imparáveis, vencendo 11 dos últimos 12 jogos. No segundo lugar da conferência ficaram os Pittsburgh Steelers, que até podiam ter ficado no primeiro lugar, mas falharam no jogo chave, na semana 15 quando receberam os Patriots e perderam o jogo por 27-24 e além disso perderam Antonio Brown por lesão, o wide receiver que estava na luta pelo troféu de MVP da fase regular.

 

 

Os Steelers lamentarão também o desaire em casa dos Chicago Bears logo na terceira semana e que se revelou bastante significativo. Na terceira posição da conferência aparecem os Jacksonville Jaguars, com uma defesa impressionante a carregar a equipa perante a irregularidade de Blake Bortles. A defesa da equipa da Florida registou 55 sacks, a que menos jardas permitiu aos adversários, a segunda com mais intercepções (21) e a segunda menos batida (268 pontos, 16.8 por jogo). Já vimos esta fórmula resultar em títulos outras vezes. Para finalizar os vencedores de divisão temos os Kansas City, que transformaram o seu ataque esta época, com Alex Smith a lançar bomba atrás de bomba, a caminho da sua melhor época em termos de jardas em passe (4042). O rookie Kareem Hunt liderou a liga em jardas ganhas em corrida (1327) e Tyreek Hill foi uma arma em grandes jogadas, liderando a liga em recepções de 40 jardas ou mais (9). As outras duas equipas apuradas para a fase a eliminar nesta conferência são os Tennessee Titans, pela primeira vez desde 2008 e os Buffalo Bills, que já não marcavam presença nesta fase desde o século passado (1999).

 

 

Passando agora às desilusões desta conferência, comecemos pelos Oakland Raiders e Denver Broncos. Mesmo incluídas numa divisão muito competitiva esperava-se mais de ambas as equipas. Denver continua a ter uma defesa de elite, mas o ataque não corresponde, preso a um carrossel de quarterbacks de baixa qualidade. Essa deverá ser a principal prioridade de John Elway entre draft e free agency, encontrar um “general de campo” capaz de dar alguma dinâmica ao jogo ofensivo da equipa. Em Oakland, toda a equipa regrediu e isso culminou no despedimento do treinador principal Jack del Rio. Parte dos problemas passaram pela troca de coordenador ofensivo. Após um ano de excelência, Bill Musgrave foi despedido e Todd Downing promovido. O ataque não foi o mesmo, apesar da incorporação de Marshawn Lynch (que demorou a entrar no ritmo, como seria previsível após um ano sabático). Derek Carr teve dificuldades em encontrar alvos com espaço, sendo forçado a lançar para janelas apertadas. O resultado é visível nos números: 22 touchdowns, 13 intercepções em oposição a 28 TD, 6 INT na época passada. Os Raiders confirmaram a contratação de Jon Gruden, analista da ESPN para os jogos de segunda-feira e que já conta com um anel de campeão. Ainda nesta conferência, referência para os  Baltimore Ravens, que perderam o acesso aos playoffs practicamente na última jogada da fase regular e para os Cleveland Browns que fizeram história da pior maneira possível, ao serem a segunda equipa de sempre a acabarem a temporada sem qualquer vitória, após os Detroit Lions em 2008.

 

 

National Football Conference

 

A NFC foi, como se previa, mais nivelada por cima. Philadelphia Eagles e Minnesota Vikings conseguiram as duas primeiras posições e uma semana de descanso, mas chegam a esta fase com estados de espírito bem diferentes. Enquanto em Minnesota se respira confiança, em Philadelphia regista-se alguma apreensão por causa da lesão de Carson Wentz. O titular do ataque dos Eagles estava a realizar uma excelente época, entrando até na discussão para MVP da época regular, quando se lesionou na semana 14, durante a vitória dos Eagles na casa dos Rams. Curiosamente isto faz com que Eagles e Vikings cheguem ambos aos playoffs sendo comandados pelos quarterbacks suplentes. Mas enquanto Case Keenum tem feito uma época muito boa em Minnesota, Nick Foles ainda não mostrou nada relevante em Philadelphia, embora tenha jogado pouco tempo. Vamos ver se esta semana de folga ajuda Foles, que registou em Philadelphia a melhor época da sua carreira (2013). Existe ainda outra semelhança entre Eagles e Vikings: ambas têm defesas de grande qualidade, sendo os Vikings mais fortes globalmente e estando no bom caminho para se tornarem na primeira equipa a jogar um Super Bowl em casa.

 

 

A terceira posição da conferência ficou em Los Angeles onde os Rams foram uma das agradáveis surpresas da época. Enquando na última temporada tinham o ataque mais aborrecido da liga, sem jogo em passe e com o jogo em corrida a ser facilmente parado, este ano o ataque “explodiu” para o primeiro lugar em pontos marcados (478) e pontos por jogo (29.9). A defesa era o ponto forte da equipa e assim se manteve, tendo em Aaron Donald um forte candidato ao prémio de jogador defensivo do ano. A chegada de Sean McVay (que trouxe consigo Wade Phillips, histórico coordenador defensivo e Matt LaFleur, treinador de quarterbacks em Atlanta na época passada na qual Matt Ryan ganhou o prémio de MVP, recorde-se) dinamizou toda a organização, o que bem necessário era num mercado como Los Angeles, onde os perdedores são esquecidos.

 

 

O quarto lugar da conferência foi alcançado pelos New Orleans Saints, que também viveram uma época de transformação. Onde antes o jogo era colocado nos ombros de Drew Brees, agora é o jogo em corrida a brilhar, com Mark Ingram e Alvin Kamara a fazerem grande parte das despesas ofensivas da equipa da Big Easy. As restantes posições de playoff foram alcançadas por Carolina Panthers e Atlanta Falcons (os únicos a repetirem a presença nesta fase em relação a 2016, na NFC).

 

 

Em Carolina o ataque fica muito dependente do jogo em corrida, uma vez que o jogo em passe de Cam Newton continua bastante errático. Já do lado defensivo da bola Luke Kuechly é um garante, desde que se mantenha saudável. Em Atlanta houve inauguração de estádio novo (e que estádio!!), mas a equipa não correspondeu ao que se esperava. A saída do coordenador ofensivo e brilhante mente ofensiva Kyle Shanahan explica muitas das dificuldades dos Falcons na construção ofensiva, tanto em passe como em corrida. Falando de desilusões na NFC o grande destaque vai obrigatoriamente para os New York Giants, que venceram apenas 3 jogos. A defesa não esteve ao nível esperado após uma boa época em 2016 e o ataque ressentiu-se bastante da ausência de Odell Beckham Jr., numa época em que até Eli Manning chegou a sentar-se no banco e que acabou com o despedimento de Ben McAdoo. Algum desapontamento ficou também em Dallas, Green Bay e Seattle, embora por razões diferentes. Em Dallas a suspensão de Ezekiel Elliott e a ligeira regressão de Dak Prescott condicionaram a equipa. Na Big D parece ter chegado ao fim o tempo de Dez Bryant também. Já em Green Bay foi a lesão de Aaron Rodgers a acabar com as esperanças dos Packers. Para finalizar, em Seattle tudo indica que se vá iniciar o processo de desmantelamento da Legion of Boom e correspondente reconstrução defensiva. Não fazia mal aos Seahawks reforçarem também a linha ofensiva que não consegue proteger Rusell Wilson. John Schneider e Pete Carroll já demonstraram que conseguem encontrar valor em rondas tardias de draft e jogadores livres e vão precisar disso novamente. Para fechar a NFC, menção ainda para os San Francisco 49ers que acabam a época em grande nível, após terem ido buscar o suplente de Tom Brady, Jimmy Garoppolo para liderar o ataque, com cinco vitórias consecutivas.

 

Wild Card Round

 

A primeira ronda dos playoffs trouxe uma grande surpresa, uma meia surpresa, uma vitória previsível e teve um grande jogo.

 

Começando pela grande surpresa, os Kansas City Chiefs foram derrotados em casa pelos Tennessee Titans. Não era previsível à partida e muito menos quando ao intervalo os Chiefs venciam por 21-3. A equipa da casa ressentiu-se bastante na segunda parte da ausência do tight end Travis Kelce, obrigado a abandonar a partida depois de ter sofrido uma pancada no capacete que o deixou grogue. Ainda assim a segunda parte dos Titans foi de bom nível, com Mariota a levar a equipa às costas, com dois passes para touchdown. Derrick Henry também esteve muito bem, com 156 jardas ganhas em corrida (1 TD). Esta derrota aumentou a sequência negativa dos Kansas City Chiefs, pois foi a sexta consecutiva em casa em jogos de playoff.

 

A meia surpresa veio de Los Angeles, onde na minha perspectiva os Rams eram favoritos frente aos Atlanta Falcons, apesar de alguma falta de experiência nesta fase. A equipa da casa perdeu o jogo numa área em que é bastante competente, as equipas especiais. Dois fumbles no retorno de pontapés foram transformados pelos Falcons em 10 pontos, liderança gerida com mestria a partir daí. Os Falcons parecem estar a atingir um pico de forma numa altura decisiva e parecem também ter aprendido com o colapso histórico do último Super Bowl a gerir melhor as suas vantagens.

 

A vitória previsível foi a dos Jaguars em casa frente aos Bills, num jogo muito fraco. Ambas as equipas são melhores a defender do que a atacar e isso ainda é mais saliente quando ambos os quarterbacks são banais. Para vos dar uma pequena noção, os Jaguars que venceram este jogo conseguiram um total de 230 jardas em ataque (155 em corrida e 75 em passe) enquanto que os LA Rams, que perderam o seu jogo, alcançaram 246 jardas só no jogo em passe. No entanto  a defesa de Jacksonville é muito forte e pode carregar esta equipa.

 

Para terminar esta ronda de Wild Card, falemos do melhor jogo da ronda, o que opôs New Orleans Saints e Carolina Panthers, uma rivalidade divisional transposta para os playoffs. Para quem viu este jogo e o de Jacksonville, disputados no mesmo dia, a diferença na qualidade de jogo dos quarterbacks saltou à vista. Drew Brees e Cam Newton deram espectáculo, combinando para 725 jardas em passe, 4 touchdowns (2 para cada) e uma intercepção (Brees). A defesa dos Panthers esteve muito bem a limitar o jogo em corrida dos Saints, com a dupla Ingram/Kamara a ficar pelas 45 jardas combinadas. No entanto o atque de Carolina limitou-se a field goals até ao quarto período do jogo, quando perdiam por 12 pontos e não conseguiram ultrapassar a equipa da casa. Destaques individuais ainda para Michael Thomas e Ted Ginn, receivers de New Orleans que alcançaram 246 jardas combinadas em recepção e para o rookie Christian McCaffrey de Carolina que obteve 117 jardas no total, em corrida e em recepção.

 

No próximo fim de semana vamos para o Divisional Round e o calendário é o seguinte:

Atlanta Falcons @ Philadelphia Eagles, sábado, 21h35, hora de Lisboa

Tennessee Titans @ New England Patriots, domingo, 1h15

Jacksonville Jaguars @ Pittsburgh Steelers, domingo, 18h05

New Orleans Saints @ Minnesota Vikings, domingo, 21h40

 

 

Nuno Fernandes

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