May 22, 2019


Chegou ao fim mais uma época regular da NFL, estamos a entrar nos playoffs, o que significa que falta cerca de um mês para o futebol americano “hibernar”. Vamos fazer um balanço do que se passou e (tentar) antecipar o que se poderá passar. Esta fase regular teve três equipas a dominar mais de metade da temporada (Chiefs, Rams e Saints), mas acaba com um sentimento de que qualquer equipa das doze que ainda estão em prova pode levar o troféu para casa.


Começando desta vez pela NFC, Saints e Rams conquistaram os dois primeiros lugares da conferência, beneficiam de uma semana de descanso, mas já viveram momentos de maior fulgor. Além disso, ambas foram derrotadas por equipas que podem encontrar na ronda Divisional, os Saints em Dallas e os Rams em Chicago. Sendo que agora têm o factor casa, são resultados (e exibições) preocupantes. Tanto a equipa de New Orleans como a de Los Angeles têm sido máquinas de fazer pontos, mas também concedem muitos. Em New Orleans tem brilhado a alto nível Drew Brees, que está a fazer uma época notável, tendo conseguido nesta época o QB rate mais elevado da sua carreira (115.7) e o mais baixo número de intercepções (5).

Dos Los Angeles Rams esperava mais do lado defensivo da bola. Nem com Aaron Donald como forte candidato a Jogador Defensivo do Ano a hemorragia de pontos e jardas concedidas tem sido estancada. Quem apresenta uma defesa respeitável são os Chicago Bears que, por exemplo, limitaram este ataque dos Rams a 6 pontos na semana 14. Os Bears são uma equipa muito equilibrada, sendo a defesa que menos pontos concede (17.7 por jogo) e o nono melhor ataque (26.3 pontos por jogo). Matt Nagy, no seu primeiro ano como treinador principal conseguiu reanimar o jogo dos Bears, que venceram a NFC Norte pela primeira vez desde 2010.


Nos playoffs da NFC temos ainda Dallas Cowboys, Seattle Seahawks e Philadelphia Eagles. Os campeões em título garantiram o apuramento para o torneio in extremis e partem para a fase decisiva novamente comandados por Nick Foles, o MVP do último SuperBowl, mas desta vez sem factor casa vão ter um caminho mais difícil a percorrer para chegarem ao bi. Esta época já perderam com Saints, Rams e duas vezes com os Cowboys.


Os Seahawks são para mim a maior surpresa nesta fase, pois esta seria na minha perspectiva uma época de transição entre a geração marcada pela Legion of Boom e a futura geração. Apesar de terem perdido por diversas razões Kam Chancellor, Michael Bennett e Richard Sherman, os Seahawks voltaram à fórmula ofensiva que lhes deu sucesso no passado: apostar no jogo em corrida para aliviar o peso nos ombros de Russell Wilson. E a fórmula tem resultado, com a equipa de Seattle a ser a melhor nesse aspecto. Com a defesa a manter um nível aceitável estes Seahawks prometem complicar muito a vida aos Cowboys.


A equipa de Dallas destaca-se pela defesa, onde brilham os linebackers Leighton Vander Esch e Jaylon Smith. Vander Esch, rookie, regista 140 placagens, 9 passes defendidos e duas intercepções. Jaylon Smith, jogador de segundo ano, tem 121 placagens, 4 sacks e 2 fumbles forçados, 2 recuperados, sendo um para touchdown. A defesa dos Cowboys, no passado muito dependente da forma de Sean Lee é a sétima que menos jardas concede (392.2 por jogo) e a sexta melhor no que se refere a pontos (20.2 por jogo). Vai ser muito interessante seguir um jogo entre equipas muito semelhantes. Destaco pela negativa os Green BayPackers (ficaram tão aquém do esperado que Mike McCarthy acabou despedido), Minnesota Vikings (com a inclusão de Kirk Cousins numa equipa que parecia pronta a competir pelo SuperBowl não chegar à fase decisiva é sempre negativo, mas aquela linha ofensiva não ajuda nada) e Atlanta Falcons (a falha na revitalização do jogo em corrida custou o lugar a Steve Sarkisian, coordenador ofensivo e, apesar das imensas lesões que prejudicaram a defesa dos DirtyBirds o coordenador defensivo Marquand Manuel também foi dispensado, passando DanQuinn a assumir o play cal defensivo).


Passando agora à AFC, o cenário não é muito diferente. Os Kansas City Chiefs foram um rolo compressor durante grande parte da época, mas perderam algum gás nas últimas semanas. Desde a semana 10 os Chiefs perderam 3 vezes (contra Rams, Chargers e Seahawks, equipas de playoff), venceram outras 3 (Ravens e uns fracos Raiders por duas vezes) e descansaram na semana 12. Para uma equipa que soma 6 derrotas consecutivas em casa nesta fase (a última vitória remonta à época de 1993, ainda nem eu sabia o que era a NFL!!) não deixa de ser preocupante.


Patrick Mahomes tem sido assombroso na sua primeira época aos comandos da equipa de Andy Reid (com 50 touchdowns juntou-se a um clube muito restrito, que tinha como membros Tom Brady e Peyton Manning), mas a defesa é altamente suspeita, permitindo umas preocupantes 405.5 jardas e 26.3 pontos por jogo aos adversários. Para os lados do Missouri espera-se que esta semana de descanso permita recarregar baterias e preparar a defesa para os desafios que se avizinham. Os New England Patriots venceram a divisão, sem surpresa, mas foi com bastante aperto que conseguiram a segunda posição e a preciosa semana de descanso. A época em Foxborough foi atípica, mas agora entramos no território preferido de New England. Com pelo menos um jogo garantido no Gillette Stadium e a já mencionada estranha aversão dos Chiefs a vencerem jogos a eliminar no Arrowhead, a final de conferência pode ser novamente nos arredores de Boston. Os Houston Texans venceram a AFC Sul e podem agradecer a DeAndre Hopkins, o segundo jogador que mais jardas acumulou em recepção (1572). A defesa conta com outro forte candidato a Jogador Defensivo do Ano em JJ Watt e foi a quarta que menos pontos concedeu, 19.8 por jogo. O facto de ser das piores contra o passe, quando se tem pela frente Andrew Luck não é no entanto uma boa notícia. Os restantes anfitriões de uma partida de Wild Card são os Baltimore Ravens, que suaram até à última para confirmarem o triunfo na divisão. Mesmo assim são a equipa que ninguém quer enfrentar numa fase a eliminar, fruto da forte defesa e jogo dinâmico em ataque, principalmente desde que Lamar Jackson assumiu a posição de quarterback. Nos jogos em que foi titular, Jackson ganhou em média 79.4 jardas em corrida e tem sido o terror das defesas adversárias.


Os Ravens vão receber os Los Angeles Chargers que, tal como os Chiefs, estão em quebra de forma. Começando por Philip Rivers, que teve um total de 12 intercepções, sendo que 6 foram nos últimos 3 jogos. Prevejo um jogo difícil para os Chargers, que podem rever as notas da derrota com estes Ravens na semana 16 em LA, por 22-10. A última vaga foi ocupada por uns Indianapolis Colts, levados às costas por um renascido Andrew Luck. Após um ano de ausência, o camisa 12 dos Colts regressou em grande forma, registando o melhor rate da carreira, com 98.7, além de 4593 jardas, 39 touchdowns e 15 intercepções. Os Colts até começaram mal, com uma vitória e cinco derrotas, mas a partir daí perderam apenas mais uma partida. A linha ofensiva tem oferecido uma muito melhor protecção a Luck, o jogo em corrida tem aparecido e a defesa tem sido bastante melhor do que em épocas anteriores. Tudo se conjuga para um grande desafio em Houston. Assinalo ainda a época dos Cleveland Browns. Sendo verdade que uma vitória bastava para a época ser melhor do que a anterior, os Browns conseguiram mais. Baker Mayfield seus pares venceram 7 jogos e deram esperança à cidade.


Abordando agora as desilusões na AFC, vêm-me à cabeça três franquias: Jacksonville Jaguars, Denver Broncos e Oakland Raiders. Na Florida os Jaguars não conseguiram aproveitar o balanço de 2017 e acabaram em último lugar na AFC Sul. Já em Denver parece que a posição mais importante do jogo está amaldiçoada desde que Peyton Manning se reformou. De malas feitas para Las Vegas, os Raiders apostaram forte em JonGruden. O famoso treinador “aproveitou” esta temporada para destruir o roster e acumular escolhas de draft. A reconstrução está em marcha e na próxima época é obrigatório fazer melhor. Quero ainda falar de uma equipa. Pittsburgh Steelers não são para mim uma desilusão. Competiram até à última ronda pela divisão, Bem Roethlisberger nunca tinha alcançado tantas jardas em passe (5129) e Antonio Brown continua a dar cartas, sendo este ano o wide receiver com maior número de touchdowns, com 15. No entanto, as notícias que transpiram dão conta da insatisfação crescente do 84. Somando isto à mais que provável saída de Le’veon Bell, algo vai mal na SteelCity.


P.S. : A semana 16 trouxe a final da Fantasy League do Entre Linhas. A competição foi este ano ganha pela equipa Arsenal de Braga II, gerida pelo Pedro (se estiver a ler isto acuse-se!), que na final bateu a equipa Poznan Giants, propriedade do Tomás. Este que vos escreve terminou num irrelevante 11º lugar. Muitos parabéns e glória ao vencedor!


Nuno Fernandes

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