December 8, 2019

Sempre que se justificar, irei escrever uma coluna com uma hierarquia adaptada da NBA, um meio caminho entre Power Rankings e o estado de coisas na liga, categorizada como muito bem me apetecer. Após 3 semanas de competição, a ideia hoje é tirar uma fotografia geral ao que tem acontecido às equipas, onde estão, de onde vêm e para onde vão. O artigo foi escrito após os jogos de Domingo, dia 16 do presente.

 

O líder do pelotão

1. Spurs (5-4)

A coisa não está muito famosa, eu sei. Mas também sei que o Splitter está de fora, o Patty Mills só volta em Janeiro, o Kawhi tem jogado meio vesgo nos primeiros tempos, e os Spurs já andam a descansar estrelas nos primeiros dez jogos, enquanto estudam o que se passa à sua volta. O objectivo é estarem saudáveis em Abril, naquela que, com toda a probabilidade, será a última ida das vidas de Timothy Duncan e Emanuel Ginobili ao playoff. A nós resta-nos saborear. Ah, e antes que me esqueça: o Kawhi Leonard não vai a parte nenhuma, descansem.

 

Os perseguidores do Faroeste

2. Golden State Warriors (8-2)

3. Houston Rockets (9-1)

4. Memphis Grizzlies (9-1)

5. Dallas Mavericks (7-3)

6. LA Clippers (5-3)

Ora aqui está um ramalhete jeitoso. Ainda não tenho confiança suficiente para colocar nenhuma destas equipas como favoritas contra os Spurs, caso amanhã começassem a disputar a final de Oeste, mas estão no grupo das que podem vir a fazê-lo. Apesar de todas apresentarem algumas falhas, são certezas quase absolutas a repetirem presença no playoff, e por isso a verdadeira luta está em chegar a uma das primeiras 4 vagas, que garante vantagem caseira na primeira ronda.

 

Os Warriors estão em grande forma. Steve Kerr é M-U-I-T-O melhor e mais inteligente que Mark Jackson, está a apostar (e bem) em David Lee como âncora da segunda linha e com um lineup principal de ‘Bogut + 4 gajos no perímetro’ que anda a causar estragos. Os Splash Brothers continuam a cuspir bolas de fogo noite sim, noite não, e sempre ouvi dizer que acertar à bruta em cestos que valem 3 pontos de uma vez ajuda imenso.

 

Houston e Memphis apresentam o melhor registo da liga neste momento e serão uma concorrência feroz para os Spurs, já que para além da conferência, também partilham a mesma divisão (juntamente com Dallas e New Orleans, que requinte de quinteto). Os Grizzlies continuam iguais a si próprios, grit and grind; resta-nos ver até onde podem ir com as ajudas de Vince Carter e Courtney Lee no perímetro. Gasol e Z-Bo continuam a ser o frontcourt contra o qual ninguém quer jogar, e Conley o mestre de cerimónias. Os Rockets têm dois dos 20 melhores jogadores da liga, e isso basta na maioria das noites. Passam as noites a lançar triplos e lançamentos livres (Moreyball!!) e são a equipa contra a qual os adversários pior lançam, um grande sinal para a defesa. Resta saber se equipa que vive de triplos, sobrevive a playoffs.

 

Os Mavericks continuam a ser o laboratório particular onde Cuban, Carlisle e Nowitzki fazem as suas experiências loucas produzindo uma máquina ofensiva que é do mais bonito que a NBA tem, quando carburada. O problema está do outro lado, e não há como escondê-lo: se esta equipa quer ter a mínima esperança de repetir 2011, tratem de conservar o Tyson Chandler tão bem quanto consigam. Já os Clips estão com um início bem desanimador, ao ponto de quase não os incluir nesta categoria: depois de ter funcionado bastante bem o ano passado, a dupla Blake-DeAndre voltou, defensivamente, aos tempos mórbidos da altura de Vinny Del Negro. Chris Paul parece viver em gestão de esforço para Abril, e o resto dos jogadores variam entre o ‘até jogou qualquer coisita hoje’ e o ‘não me lembrava deste gajo ser tão mau hoje em dia’.

 

A Este, nada de novo

7. Cleveland Cavaliers (5-3)

8. Toronto Raptors (8-2)

9. Chicago Bulls (7-3)

10. Washington Wizards (7-2)

“Yay, the East” (parafraseando alguém). Esta conferência continua bem nivelada por baixo, especialmente quando olhamos para a outra costa. Cleveland surge à frente porque, duh, emprega um funcionário chamado LeBron James, e equipas que empregam funcionários chamados LeBron James tendem a ser favoritas nesta conferência ranhosa, ponto. É assim desde 2007, com excepção do pico 2008-10 de Boston, e continua a sê-lo agora. Se acharem que uma das outras 3 é melhor que os Cavs, tudo bem, e não faltarão argumentos para defender essa tese, mas eu discordo. Os Cavs têm começado a mostrar do que são capazes aqui e ali, mas a principal ideia que fica do que já vimos é que Kyrie Irving e Dion Waiters têm muito, muito a aprender sobre o que é uma equipa. E defensivamente a coisa não está nada famosa, e sem soluções óbvias à vista. Tudo normal, e nada que não se tivesse aqui previsto, há um mês.

 

Toronto está em grande forma, com Kyle Lowry a justificar o contrato gordinho que recebeu no Verão. Têm uma profundidade incrível e muitos jogadores com contratos a expirar – que podem ser usados para trocar por uma peça adicional, que é o que parece faltar ao conjunto canadiano. Chicago é exactamente aquilo que pensávamos: uma equipa com jogadores e treinador com um potencial assustador, liderados por um jogador com um boletim clínico não menos assustador. Por agora, é manter as velas acesas por Rose. Os Wizards estão em boa posição para fecharem o quarteto que irá ter homecourt nesta conferência. Apresentam um registo saudável, construindo com a ajuda dos interessantes Garrett Temple e Otto Porter, usados na rotação nas ausências de Webster e Beal.

 

Todos querem saber, quem nós somos

11. Portland Trailblazers (7-3)

12. New Orleans Pelicans (5-3)

13. Miami Heat (5-5)

14. Phoenix Suns (5-5)

15. Atlanta Hawks (5-4)

16. Brooklyn Nets (4-5)

 

Sem dúvida o grupo mais heterógeneo da lista. É provavelmente um pouco injusto para Portland vir aqui parar, mas a verdade é que não acho que estejam suficientemente perto do grupo perseguidor a Oeste, por ser uma equipa ainda muito débil a nível defensivo. Causaram uma surpresa no playoff do ano passado, graças a um LaMarcus possuído e a um buzzer beater surreal de Damian Lillard, mas a seguir foram sumariamente executados por San Antonio, depois de Dallas ter levado os seus rivais do Texas a disputar uma série a 7 jogos. Digamos que, numa liga em que uma lesão pode mudar tudo, as 10 equipas acima classificadas têm todas uma hipótese (ainda que remota, nalguns casos) de acabarem a época de anel no dedo. Portland é a melhor das que não têm hipótese.

 

Esqueçam os Pelicans. Esta equipa devia chamar-se os New Orleans Unibrows. Faltam as palavras para falar de Anthony Davis. É tão raro, mas tão raro, aparecer um big man nos dias de hoje em que uma pessoa olhe e pense imediatamente ‘F***-se, este tipo é um predestinado’. É o que acontece com ele, e não sei mesmo o limite deste homem. Nunca vi nada assim. Abriu a época com 26 pontos, 17 ressaltos e 9 blocos contra os Magic e nunca mais parou. Apresenta nesta época um PER – um ‘medidor de performance’, em que a média dos jogadores todos da NBA é sempre 15, e a partir de 30 é considerado extraordinário – de 35.5, bem acima do record de sempre da NBA para uma época de Wilt Chamberlain, de 31.82 (apenas 7 jogadores na história da NBA passaram a barreira dos 30). Vejam todos os minutos que conseguirem deste miúdo, porque é daqueles de que vamos falar aos nossos netos.

 

Miami está cá para estabelecer duas verdades que muita gente negava nos tempos em que LeBron lá morava: que Chris Bosh é um grande jogador de basket quando é usado para outra coisa que não ficar parado na linha de 3 pontos, e que Erik Spoelstra é um grande, grande treinador. Quanto a Wade, muito bom quando tem jogado, mas já falhou dois por lesão. Deverá ser assim o ano todo. Phoenix e Atlanta são equipas com um jogo bastante agradável, mas questões estruturais no caso dos Hawks e defensivas no dos Suns deixam algumas dúvidas sobre a sua consistência para o futuro. A equipa de Horford, Millsap e companhia deverá mesmo rumar aos playoffs por força de jogar em Este; Phoenix tem uma tarefa bem mais complicada. Os Brooklyn Nets encontram-se a meio caminho entre um projecto megalomaníaco abortado à nascença e uma renovação (ainda) não anunciada. Brook Lopez já anda por aí outra vez, e é uma incógnita perceber para onde esta equipa se vai virar no futuro.

 

Nós não devíamos estar em 17º

17. Charlotte Hornets (4-6)

Um arranque no mínimo tremido colocou rapidamente água na fervura, no que diz respeito ao conjunto do Michael Jordan. Muitos, eu incluído, tinha-os firmemente enfiados na categoria Cavs/Bulls/Raps/Wiz na luta pelo top-4 de Este, mas algo não está bem por ali. Lance Stephenson tem de perceber que não é uma estrela, apenas um muito bom jogador complementar, e que esta equipa funciona melhor à base de Kemba Walker e do jogo interior de Al Jefferson.

 

Espera. Será que somos… bons?

18. Sacramento Kings (6-4)

19. Milwaukee Bucks (5-5)

20. Boston Celtics (3-5)

Quem achava que este trio iria estar com um registo colectivo de 14-14 após 28 jogos, que levante o braço. Eu não. Sacramento está enfiado na luta pelos playoffs em Oeste(!), liderados por um DeMarcus Cousins nada menos que avassalador. Boston tem Rondo de volta, peças interessantes para o futuro, e parece ter arranjado um treinador para muitos e bons anos, a fazer lembrar o trabalho de Doc Rivers antes da chegada do Big Three em 2008. Os Bucks acertaram em Jabari Parker, e a aposta tem que ser desenvolver ao máximo o talento de que dispõem para um futuro de regresso às grandes vitórias (mesmo que não seja em Milwaukee. Alguém mais está a torcer pelo regresso iminente de Seattle à NBA?!).

 

O nosso lugar não costumava ser este

21. Indiana Pacers (4-7)

22. OKC Thunder (3-8)

A diferença que um ano faz. Os Pacers e os Thunder são equipas que, estando saudáveis, têm lugar mais que garantido nos playoffs das suas conferências, mas a verdade é que, estando ambas na mesma situação, devem optar por soluções diferentes. Os Pacers deviam ser tão maus quanto conseguissem, e voltar para o ano com um pick alto no Draft, Paul George e Hibbert a 100%, e continuar a partir daí. Já OKC não se pode dar a esse luxo: é que daqui um ano e meio um tal de Kevin Durant é free agent (e Westbrook e Ibaka no seguinte…) e por isso os Thunder não se podem dar ao luxo de atirar uma época ao lixo, todos os segundos contam. A equipa tem sido corajosa na ausência das duas estrelas, e a esperança é que o barco não esteja definitivamente afundado aquando do seu regresso. Pagava bom dinheiro para termos San Antonio Spurs vs Oklahoma City Thunder logo na primeira ronda, 1º contra 8º. Conseguem imaginar as narrativas? O vencedor da série seria automaticamente a equipa pela qual eu torceria a partir daí, quer fosse pelo bis inédito dos texanos na despedida de Manu e Duncan, quer pela história de Cinderela dos Thunder.

 

Somos mauzinhos, mas o futuro é risonho !

23. Utah Jazz (4-7)

24. Orlando Magic (4-7)

25. Minnesota Timberwolves (2-7)

Desenganemo-nos, nenhuma destas equipas vai a parte nenhuma este ano, mas os seus adeptos têm de estar confiantes no futuro. Utah tem a vantagem de parecer já ter encontrado um treinador para o futuro em Quin Snyder, enquanto os Magic e Wolves irão ter que despachar mais cedo ou mais tarde as carcaças inúteis que habitam os seus (Jacque Vaughn e Flip Saunders, aka ‘dois tipos que se tivessem ganho o casting para serem a dupla white cop + black cop do Arma Mortífera tinham morrido na primeira cena derivado da sua incompetência). Não obstante, uma coisa é certa: muito talento, e muito jovem, habita por estas paragens. Burke, Burks, Exum, Gobert, Oladipo, Gordon, Payton, Wiggins, Rubio e Dieng, por exemplo, são nomes que ouviremos durante muito tempo na NBA.

 

Nós tínhamos outros planos, mas viemos parar aqui na mesma

26. Detroit Pistons (3-7)

27. New York Knicks (3-8)

28. Denver Nuggets (2-7)

Estamos a chegar à parte depressiva do programa, por isso agarrem os sacos herméticos colocados debaixo dos vossos assentos caso vos urja regurgitar. Estas são 3 equipas que, pelo menos dentro de portas, acreditavam que podiam chegar aos playoffs. As de Este pelas chegadas de Phil Jackson e Stan van Gundy, os Nuggets por se terem visto do inferno de lesões que foi o ano passado, aliado ao grande Mundial protagonizado por Kenneth Faried. Não está a começar bem assim. Os Nuggets não fazem ideia de quem são, com uma equipa moldada para run and gun, mas com Brian Shaw a querer introduzir princípios do Triângulo há mais de um ano. Os Knicks têm o mestre do respectivo polígono, mas as dificuldades para assimilar o que quer que isso seja são mais que muitas. E os Pistons precisam de shooters para colocar à volta de Monroe/Drummond/Josh Smith e o Caldwell-Pope e o Kyle Singler não são a solução (o único verdadeiro, Jodie Meeks, está magoado).

 

O artigo já nem devia estar a ser lido nesta altura. Não, a sério

29. LA Lakers (1-9)

30. Philadelphia 76’ers (0-9)

Eu não me vou alongar por aqui. Vamos apreciar Kobe pelo incrível que é um jogador debitar 44 pontos num Domingo à noite contra um candidato ao título, porque mais ninguém na equipa dele é especialmente excelso na arte de meter bolas no cesto. E vamos apreciar Philadelphia pelo facto de estar a perder de propósito há mais de um ano e ainda ninguém os ter recambiado para a D-League de castigo. Onde, sou honesto, tenho as minhas dúvidas sobre se seriam campeões.

 

Lucas Niven

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