December 8, 2019

Vamos dizê-lo sem rodeios: a temporada de 2012/2013 foi uma das melhores da história da NBA. Tivemos recordes quebrados, filosofias de jogo inovadoras em choque com a tradição, um sem número de momentos memoráveis e uma das melhores Finals da história da liga. Vai ser um ano incrivelmente difícil de superar. Só não dizemos abertamente que será impossível porque a NBA tem o agradável hábito de nos furar constantemente as previsões e expectativas. E quais são essas expectativas, exatamente?

Bem, podemos começar por dizer que este será um ano em que, na pele de um resistente fã dos Orlando Magic, me junto à triste mais esperançosa matilha de adeptos cujas equipas consistem de um conjunto de jovem talento, potencial ilimitado e figas cruzadas na rica lotaria que será o draft de 2014. Será dessa colheita que se antecipa que saiam uma quantidade impressionante de futuras estrelas, desde o multifacetado Jabari Parker, ao dominador Julius Randle e ao prodígio canadiano Andrew Wiggins, já apelidado d’ “o próximo LeBron James”.

Será um ano em que, dada a quantidade sem precedentes de equipas que assumiram sem vergonhas o desejo de ter resultados medíocres para melhorar as suas possibilidades de sacar os “prémios” mais cobiçados da próxima lotaria, poderemos ver uma melhoria considerável nas equipas de topo de ambas as conferências. Nunca foi tão difícil avançar com uma previsão segura de quais são os principais candidatos ao título. Pelo menos para além dos Heat.

Será um ano em que se esperam mais decisões bizarras de treinadores capazes de levar os fãs à mais irracional das fúrias, mais falhas imperdoáveis de jogadores que deviam saber melhor, mais momentos caricatos impossíveis de prever (como o Russell Westbrook a recusar-se a deixar uma mascote acertar um cesto do centro do ‘court’) e, claro, mais Javale McGee. Nenhuma temporada da NBA tem demasiado Javale McGee.

Será um ano em que se espera (ou, mais ainda, se deseja) que todos os jogadores que caíram vítimas de graves lesões na temporada passada regressem com o corpo rejuvenescido e uma vontade ainda maior de vencer. Queremos ver se Kevin Love e Ricky Rubio finalmente se conjugam para formar um dos mais electrizantes duos da liga, se Rajon Rondo consegue arrastar os seus Celtics para os playoffs sem o “Big Three” a apoiá-lo, se o Derrick Rose consegue tornar os seus Bulls na principal ameaça ao reinado dos Heat e se o Kobe arranca a pele de um dos braços e revela que, mais do que conquistar mais um anel, está é à procura do John Connor. Também gostaríamos que ninguém se lesionasse este ano, se não for pedir muito.

Será um ano em que poderemos, finalmente (ainda que com alguma tristeza), assistir ao inevitável “render da guarda” e presenciar o momento em que lendas da NBA como Kobe Bryant, Tim Duncan ou Dirk Nowitski cedem as “chaves” da liga a estrelas em ascensão como Kyrie Irving, James Harden ou Paul George.

Será um ano em que os ‘stat geeks’ continuarão a sua ascensão de um grupo de nicho para alguns dos maiores influenciadores de tendências não só na comunidade de fãs da NBA mas também, e acima de tudo, em cargos de direção cada vez mais elevados nos ‘front offices’ da NBA. Temos visto pessoas de todos os níveis de conhecimento desportivos a ficarem tão fascinados com a complexidade geométrica dos movimentos defensivos como com a intensidade explosiva imediata de um afundanço na cara de um defensor desamparado.

Será um ano em que teremos equipas da qual não sabemos de todo o que podemos esperar. Será a chegada de Dwight Howard ao já muito interessante plantel dos Houston Rockets suficiente para os tornar imediatamente candidatos ao título, ou terão ainda de esperar que a química se desenvolva entre as suas estrelas? E o que dizer do galáctico grupo de veteranos que os Brooklyn Nets juntaram e não tem outra escolha que não atacar já o título? E, numa dimensão menos ambiciosa, será que os Detroit Pistons se vão mesmo tornar na “Lob City do Este” ou a temporada está destinada a terminar com Brandon Jennings e Josh Smith a lutarem pela bola um com o outro em pleno jogo?

Será um ano, por fim, em que vamos começar a ter uma noção mais definitiva do lugar de LeBron James no elevado panteão dos melhores jogadores de sempre. Mesmo que o simultaneamente idolatrado e odiado prodígio que levou os seus talentos para South Beach não volte a ganhar mais nenhum título, será difícil justificar a sua exclusão de um Top 10 de sempre – embora não tenha dúvidas que haja um sem número de casmurros que insistirão em negar-lhe esse (ou qualquer espécie de) crédito. Que ele é o melhor jogador desta geração é um dado adquirido (para grande injustiça do gigante talento de Kevin Durant), pelo que agora teremos de começar a enquadrar tudo o que faz no contexto da construção de um legado. Se os Miami Heat conseguirem o sempre fugidio ‘three-peat’ e LeBron James juntar a isso mais um MVP da temporada e outro das Finals não teremos de o catapultar para o Top 5? E se ele não se ficar por aí? Quando poderemos genuinamente inclui-lo na conversa para… (pausa de medo para ter a certeza que quero mesmo escrever isto) o melhor de sempre? Duvido seriamente que LeBron alguma vez chegue a esse patamar tão “aéreo”, mas com um jogador com este tipo de talento, o céu é o limite. Só nos resta continuar a olhar para cima.

Portanto, este será um ano que terá de sofrer com a dura comparação de se seguir a uma das melhores temporadas de sempre da NBA. Será um ano com um sem número de ângulos e histórias e esperanças e desilusões e fins e recomeços. Acima de tudo, será um ano em que não sabemos o que esperar. E essa é a melhor das expectativas.

Pedro Quedas

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