December 8, 2019

Os Seattle Seahawks terminaram a época regular com o melhor registo na NFC e agora estão na Super Bowl. Os Denver Broncos terminaram a época regular com o melhor registo na AFC e vão-lhes fazer companhia. A melhor defesa contra o melhor ataque. A final que todos previam no início da temporada. Aborrecido, certo? Sem interesse, não é? Raios parta este desporto em que nunca há surpresas…

A verdade é que esta final acaba por ser uma surpresa. Em 48 edições da final do campeonato de futebol americano, é apenas a 10º vez que os dois number one seeds de cada conferência chegam à final. A única coisa previsível que a NFL costuma ter… é a sua imprevisibilidade. Este ano temos uma final entre as duas melhores equipas – não vejo muito por onde me queixar.

Antes de nos debruçarmos sobre o que acontecer na final, vamos ver rapidamente como lá chegámos:

 

New England Patriots: 16

Denver Broncos: 26

Peyton Manning é, muitas vezes, criticado por se ir abaixo nos grandes momentos. Por ser o tipo de jogador que acumula estatísticas incríveis durante os jogos da temporada regular mas que depois acusa a pressão dos jogos de mais alto calibre nos playoffs. Por essa razão, muitos previam que a maior segurança de Tom Brady podia ser o catalisador para uma vitória dos Patriots. Para mal dos pecados dos fãs da equipa de New England, Manning deve ter ouvido as críticas e respondeu com uma das suas melhores exibições numa temporada em que já quebrou todo o tipo de recordes. Com 400 passing yards e 32 passes acertados em 43 tentativas (para oito receivers diferentes, um feito incrível), Manning trucidou a defesa dos Patriots e nem sequer teve de se apoiar tanto no seu running game. Apesar de tudo, Knowshon Moreno e Montee Ball juntaram-se para conseguir 102 yards em 26 tentativas, um número perfeitamente respeitável. O resultado final pode não parecer especialmente dominador, mas a exibição foi. Principalmente no lado do campo onde os Denver Broncos são melhores – o ataque. Para se ter uma ideia desse domínio, basta ver que, tirando o primeiro drive, em que foram obrigados a fazer punt, e o último drive, na qual o jogo já estava a terminar, os Broncos conseguiram marcar pontos sempre que ficavam com a bola no ataque, algo que é incrivelmente raro. Da parte dos Patriots, resta simplesmente dizer que caíram de pé. Lutaram até ao fim, deram tudo o que tinham, mas, talvez já se soubesse mas não se tenha dito por uma questão de respeito, tinham pela frente uma missão quase impossível. Seguiu em frente a melhor equipa.

 

San Francisco 49ers: 17

Seattle Seahawks: 23

A julgar pelo início do jogo, todos os pesadelos dos fãs dos Seattle Seahawks pareciam estar a confirmar-se. Russell Wilson começou o jogo com um fumble logo na primeira jogada e as críticas de estar a deixar-se afectar pelos nervos (que começaram depois da paupérrima exibição contra os New Orleans Saints) davam todo o ar de serem acertadas. A defesa dos San Francisco 49ers mostrou-se feroz e dominadora durante toda a primeira parte e o quarterback Colin Kaepernick estava a mostrar todo o poder do seu temível running game (terminou o jogo com 130 rushing yards em 11 tentativas, números que já seriam incríveis para um running back mas que são verdadeiramente extraterrestres para um quarterback). Mas como podiam estar então a vencer por apenas 10-3 ao intervalo? Porque a defesa dos Seahawks é fenomenal, a melhor na liga. E assim, depois de ser transportado ao colo pela sua defesa durante os primeiros 30 minutos de jogo, o ataque dos Seahawks resolveu acordar na segunda parte e tudo mudou. Primeiro, tivemos um rushing touchdown do elétrico Marshawn Lynch. A seguir, Anquan Boldin respondeu com um touchdown e os 49ers procuraram manter o controlo das operações, mas a defesa dos Seahawks estava a jogar a um nível demasiado elevado e não os deixou mais marcar até ao final do jogo. Com uma dose segura de rushing e de um renovado ritmo no passe de Wilson – principalmente quando procurava o talentoso receiver Doug Baldwin –, a equipa de Seattle acabou por fazer o suficiente para levar de vencidos uns 49ers igualmente duros mas apenas um pouco menos talentosos. Foi a diferença que chegou para a vitória.

Pedro Quedas

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