December 13, 2019

Sim, vai ser um artigo com números. Sim, será tão ou mais chato que o pachola Campeonato Português. Vamos começar por partes. Depois analisamos o todo. Business as usual. Ao melhor estilo do Entre.

 

ASSIM ‘CANTAM’ OS NÚMEROS

O Futebol Português é chato todos os dias. Não sou eu que o digo. É a base de dados de um site qualquer.

Vencedores distintos da Eredivisie? 29. Vencedores distintos da Premier? 23. Vencedores distintos da Ligue1? 18. Vencedores distintos da Liga Austríaca (cujo site curiosamente reza assim ó)? Basta scrolar pelo últimos dez/quinze anos e estão lá mais vencedores que os do actual e vintage Campeonato Nacional.

É quando vamos descendo na Europa que o caldo verde perde a chouriça… devagar, devagarinho, mas perde. Liga Italiana? 95 participantes ao todo, 16 vencedores.  Liga Espanhola? Nove (sim, vai por extenso e tudo), num total de 57 participantes em cerca 88 edições. A resposta aos vencedores da Liga Portuguesa, infelizmente, todos vocês sabem de cor e acabada de sair do lume: cinco. 71 participantes. 82 edições.

ASSIM ‘CHILAM’ OS #TRÊSGRANDES

Enquanto os ‘piquenos’ continuarem a ser ‘piquenos’, isto não muda. É difícil (porém possível, não pesquisámos por preguicite) percorrer a lista completa de cerca de 82 vice-campeões e terceiros classificados que ‘ousaram’, ‘bem que tentaram os malandros’, ‘ai esses gabirus’ ser de um local diferente do que Lisboa e Porto. Este ADN tão polarizado e litoralizado (somos de um país costeiro como o caraças mas Espanha, França e Itália também não se podem queixar de falta de charco) foi-se prolongando, criou-se uma hashtag à maneira (que não sabemos quando nasceu; até pesquisámos só que depois vimos um anúncio qualquer e cagámos) para arrebentar com as esperanças de qualquer clube profissional de Futebol nascido durante o séc. XX e fora das grandes cidades de rugir: os #TRÊSGRANDES (vai de Caps e tudo).

Ora, os #TRÊSGRANDES, em termos comunicacionais, é um truque patético. Chega a ser tão absurdo que qualquer clube que seja campeão, para além de ser considerado case e um desafio à ordem natural da cousa Futebolística Nacional, logo queira ser apelidado de… QUARTO GRANDE. Não conhecemos outro país assim. Os #TRÊSGRANDES já foram mesmo referidos pela imprensa estrangeira como #BIGTHREE. É certo que há ‘epicentros futebolísticos’. Mas poucos serão tão pronunciados como os do Futebol Português.

Retirando zoom e incluindo outras modalidades na imagem, vemos que o Óquei – que chegou a ombrear com o Futebol em termos de popularidade durante boa parte do séc. XX – é outra coisa. Embora à partida seja maioritariamente litoralizada, à chegada soa diferente: não há #TRÊSGRANDES, há mais. E de ‘maijalém’, do “tempo do Ultramar” e com clubes de Angola e Moçambique (no Basquetebol aconteceu o mesmo, durante finais da década de 60 estes #TRÊSGRANDES eram chatos, até abriam sucursais lá fora pá)!

Com os #TRÊSGRANDES assegura-se uma hegemonia quase ‘natural’, sem pedir licença, abre-se pouco espaço a reviengas de clubes como Aquele Ali, O Outro Acolá e Olha Ali Mais Um que por acaso até joga nos Açores. É mais giro, o povo gosta, até que somos só 10.606.477, não é?!

No Ciclismo – outra modalidade que parava o País nesse tempo do… Outro Gajo – é que… porra pá. Isto não passa da cepa torta. #TRÊSGRANDES outra vez. Rivalidades? Sim, mandem vir. Outros clubes? Nem dopados meus queridos, não dá, escolham outra.

Enquanto isto assim estiver, Portugal esquecerá heróis por cantar para além dos #TRÊSGRANDES. É que eles ‘andem aí’! Nós no fim atiramos os nomes de alguns. Não vos esqueceremos!

ASSIM ‘HABLAM’ OS #TRÊSGRANDES

Não contentes com o domínio incontestado da maior parte das modalidades desportivas, os #TRÊSGRANDES, glutões, atiram-se para outros outros Campeonatos. Falamos, obviamente, do Campeonato Digital da 1ª Divisão. Perdão, o Campeonato Digital Mundial. Porque se os #TRÊSGRANDES acham que cá dentro está tudo ‘tratadinho’, então que venham os Maiores da Europa. Os Melhores do Mundo. Os #TRÊSGRANDES sabem o que andam a fazer! Força #TRÊSGRANDES! Carreguem!

Carreguem com o fardo de terem claques de #MÉDIOS da Turquia com o dobro dos vossos ‘fãs’ combinados.

Arranjem força nos bracinhos para lidar com o peso de #PEQUENOS do Brasil a malharem boas campanhas.

Porque, tal como já foi dito, cá dentro, está de facto tudo ‘tratadinho’. Os jornais levam com mais de cem anos a falar quase sempre dos mesmos (dos Diários do Governo aos Recs desta vida). A Televisão apareceu (em Portugal) precisamente numa altura em que não se falava de outros. O que levou, de forma tranquila e sem fazer qualquer comichão, a uma migração pacífica para as plataformas digitais. Do mIRC ao 2.0, há espaço para todos, é verdade. Mas nem todos têm o mesmo peso e a mesma medida.

Na Televisão, então, é simplesmente aterrador. A Taça de Portugal e a Taça da Liga são as únicas excepções em termos de visibilidade para clubes ‘piquenos’ e médios. Se o País foi educado a ver e a torcer pelos #TRÊSGRANDES, porque raio, mas por que maldita carga de água é que tem de ver um jogo entre dois clubes ‘piquenos’? Mas quem mandou?…

Isto aliado a um peso cada vez maior do digital em algumas Redacções Televisivas leva ao inevitável… destaques, notícias de abertura, grandes entrevistas, mais airtime para influenciadores de opinião, bestas como O Bucha, O Estica, O Cara de Cú, o Tal Paspalho, mais Um Imbecil ou O Metralha-Bitaites deitam completamente por terra alguma esperança em transformar o Futebol Português num produto menos secante de ser consumido. Tanto por nós como por quem acaba de aterrar e sintoniza rapidamente os canais dos #TRÊSGRANDES para seguir Campeonatos do seu País de origem. Ou um #GRANDE canal de cabo, que supostamente deve divulgar Mais Desporto Nacional e que continua a importar a preço de saldo conteúdos lá de fora. Enfim.

A Comunicação dos próprios #TRÊSGRANDES cá para fora não é diferente porque estamos no 2.0. “Mudam-se as plataformas, migram-se as araras”. Os receptores/simpatizantes/adeptos/consumidores/ estarão sempre lá. Em termos de práticas… o Futebol não evolui. É prova de A-# de como haver mais plataformas não significa melhor linguagem, melhor dirigismo, melhores jogadores, melhores acordos publicitários, melhor nickles.

Continuamos a saber melhor nomes de árbitros do que nomes de jogadores dos ‘piquenos’. Continuamos a comentar alegremente propaladas Estrelas Internacionais Que Nunca Aqui Vão Meter A Pata. Preferimos falar de foras-de-jogo que foram ou não foram e deviam ter sido. Devemos ser dos países com mais replays passados por penálti, não-penálti, meio-penálti, quase-penálti, penálti-roubado, penálti-emprestado, penálti-alugado…

Em vez de simplesmente nos lembrarmos que, de vez em quando, há vida para além desta porcaria toda.

PARADOXOS

O Campeonato Português, pela sua História e formato está, então, destinado a produzir epifenómenos. OK, já vamos tarde e a péssimas horas para ter uma visibilidade de uma Premier League. Tirem daí a ideia.

Vamos sim a tempo de produzir de 20 em 20 anos atletas com uma capacidade tremenda, superior à média de qualquer Europeu. Continuamos, à boleia dos #TRÊSGRANDES e sobretudo de alguns ‘piquenos’ (está quase, já vamos revelar nomes), em lugares respeitáveis de rankings que até contam para alguma coisa. Temos alguns dos melhores (e vazios) Estádios da Europa, para equipas de todos os gostos e divisões (as Distritais também contam)!

E também temos Estádios onde não dá para jogar jogos dos #TRÊSGRANDES porque está para lá de farrusco. Já tivemos dos melhores árbitros do Mundo. Temos empresários… err… err… humm… eee… pois queeee… enfim, diz temos bons empresários.

O bigode e o par de óculos deram lugar ao gel e à barba de três dias mas a ‘velha raposa’ continua lá: o Treinador Português é perfeitamente capaz, vendado e amordaçado em qualquer parte do Mundo, de pegar em 11 nababos e metê-los a ganhar cinco jogos seguidos.

O adepto comum não lê códigos de conduta Turcos ou Argentinos. Arriscamos até ouvir coisas como “vai-se bem à bola em Portugal, o bilhete é honesto e não faz frio” ou “bebi umas quantas e só insultei agentes Desportivos durante o intervalo”. Não estranhamos.

CONVOSCO… OS ‘COXOS’!

(ou OUTROS CLUBES QUE JOGAM/JOGARAM NOS CAMPEONATOS PORTUGUESES)

Futebol

Barreirense (clube formador de Bento, Carlos Manuel, Futre, Chalana)

Estrela da Amadora (forte tradição formadora, vencedor da Taça de Portugal)

Salgueiros (participação na Taça UEFA; clube “mais popular e bairrista da Invicta”)

Leixões (forte tradição formadora, vencedor da Taça de Portugal)

Belenenses (primeira ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1946)

Beira-Mar (participação na Taça UEFA, vencedor da Taça de Portugal)

Boavista (segunda ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 2001, semi-finalista da Taça UEFA)

Sporting de Braga (vencedor de uma Taça Intertoto, de uma Taça da Liga e finalista vencido da Liga Europa)

Óquei

Paço de Arcos (primeira ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1941)

Desportivo de Lourenço Marques (err… quarta ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1961)

Barreirense (quinta ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1964)

Ferroviário de Lourenço Marques (pimbas! Campeão em 1968, 1970 e 1971!)

Óquei de Barcelos (prácsse! Campeão em 1992, 1995 e 2000!; zwooosh! vencedor da Taça dos Campeões em 1991, da Taça das Taças em 1992 e da Taça CERS em 1994)

Candelária (finalista da Taça CERS em 2006)

Andebol

Belenenses (primeira ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1973)

ABC de Braga (segunda ida à tromba dos #TRÊSGRANDES, Campeão em 1986)

Basquetebol

Barreirense (2 Campeonatos Nacionais)

Illiabum (1 Supertaça)

#dospequenostambémrezaaHistória!

Manuel Tinoco de Faria

One Comment

  • Responder
    Pedro
    12 de Fevereiro de 2016

    No basquete falta mencionar o Ovarense que foi Campeão Nacional 5x, alem de ser vencedor de 3 Taças de Portugal, 3 Taças da Liga e 8 Supertaças além de ser o clube português com maior número praticantes de Basquetebol nas camadas jovens de formação.

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