January 23, 2020

O Barcelona lidera a Liga Espanhola à passagem da 7ª jornada, numa altura em que o campeonato pára por duas semanas para compromissos internacionais. A era de Luis Enrique ao comando da equipa blaugrana arrancou da melhor forma com 6 vitórias e 1 empate, 19 golos marcados e nenhum sofrido. Na Europa, no entanto, a história é outra, e depois da vitória frente ao APOEL, a derrota no Parque dos Príncipes frente ao Paris Saint-Germain veio pôr a nu algumas deficiências nas transições defensivas e nas bolas paradas, os dois grandes problemas do Barça nos últimos anos.

 

As principais diferenças do Barça de “Lucho” para o de “Tata” Martino residem principalmente na ocupação dos espaços e pressão da equipa a meio-campo, ao invés de uma pressão desenfreada como se assistiu no início da época passada, onde os resultados até foram positivos, mas sem a consistência defensiva de hoje. O chileno Bravo fixou um novo recorde na Liga Espanhola, ao estar já há 630 minutos sem sofrer golos, (ultrapassou Artola, antigo guarda-redes dos catalães e da Real Sociedad, que há 37 anos esteve 560’ com a baliza inviolável) e tem ganho o lugar a Ter Stegen, o alemão que tremeu em Paris.

 

Na defesa, Mathieu, Piqué, Mascherano e Bartra têm-se revezado, Vermaelen ainda não se estreou, e nas laterais Daniel Alves e Jordi Alba, apesar da irregularidade exibicional, têm ganho na luta com Montoya, Douglas ou Adriano. A armada espanhola, aliás, tem estado uns furos abaixo do que demonstrou no passado (um pouco à imagem da própria Selecção) e tanto o defesa-esquerdo, como Busquets e Pedro procuram ainda elevar o ritmo e subir de produção. O “7” dos catalães é sempre um dos jogadores mais esforçados quando está em campo, mas o faro pelo golo e o poder de decisão têm fugido ao pequeno jogador oriundo de Tenerife, que nem tem aproveitado a saída de Alexis e o castigo de Suárez para causar boa impressão.

 

O pêndulo da equipa e o melhor reforço dos catalães tem sido o croata Ivan Rakitic. O ex-médio do Sevilha equilibra a equipa em termos defensivos e tem o discernimento necessário para aparecer em zonas de finalização, tendo já apontado dois excelentes golos. Na retina ficou para já um corte sobe a linha de golo no campo do Levante, quando o jogo ainda se encontrava num aborrecido 0-0, antes da equipa arrancar para uma vitória por 5:0. Um bom exemplo da capacidade física, atitude competitiva e entrega ao jogo do camisola 4.

 

No ataque, Messi e Neymar têm sido decisivos e ainda que o argentino não esteja o goleador fulgurante de outros tempos (marcou “apenas” 6 golos), a verdade é que tem participado em praticamente todos os golos da equipa e é o jogador com mais assistências no campeonato (6). O brasileiro, por seu lado, tem estado ele sim a um grande nível exibicional, sendo o máximo goleador da equipa com 7 tentos e começando a justificar o valor pago ao Santos (ainda não se percebeu quanto) na temporada passada. Neste capítulo, porém, é quase obrigatório falar de Cristiano Ronaldo, que tem pulverizado recordes e soma 13 golos no campeonato à 7ª jornada, os mesmos que Messi e Neymar juntos… Um início de época incrível para CR7, ainda que o Real Madrid seja 4º classificado a 4 pontos da liderança culé.

 

De referir que Luis Suárez ainda não se estreou oficialmente pelo Barcelona e que o castigo aplicado pela FIFA após o caricato episódio da “mordidela” a Chiellini no Mundial do Brasil termina precisamente no fim-de-semana do Real Madrid-Barcelona, um clássico que se pode tornar ainda mais especial.

 

Outros dos pontos que importa focar no trabalho de Luis Enrique é a gestão do plantel feita com a integração progressiva e cuidada das pérolas da cantera. O plantel do Barcelona tem uma média de idades de 26,22 anos, em contraponto com a média de 25,57 da época passada, mas a aposta na formação de La Masia tem sido evidente. Os golos de Munir El-Haddadi já o levaram à Selecção espanhola, mas Sandro e Samper também aproveitaram as oportunidades na rotação do plantel, junto de jogadores um pouco mais “experientes” como Bartra, Montoya, Sergi Roberto ou Rafinha, um dos preferidos do treinador e com quem trabalhou na época passada no Celta de Vigo.

 

A época do Barcelona passará muito pela evolução de muitos destes jogadores, pelo que Messi poderá fazer, da forma como Suárez se integrará na equipa e nas combinações com o argentino e Neymar, mas também de como poderão superar equipas com transições velozes como o Real Madrid, com a disposição táctica de um Bayern de Munique ou o poder físico e acerto nas bolas paradas de um Chelsea. É esperar para ver.

 

André Miranda

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