August 25, 2019

A NBA está aí ao virar da esquina. Já começaram os amigáveis e estamos todos a ter uma primeira olhadela ao que vai ser o futuro da nossa equipa favorita. Muitos destes jogos servem, acima de tudo, para começar a colocar minutos nas pernas dos jogadores mais veteranos e começar a perceber como estes se encaixam com os rookies a chegar.

Terão sido os novos talentos acabados de sair do forno uma escolha visionária ou um erro apocalíptico? Foram escolhas óbvias ou fora do normal? Imbuído pelo espírito da imprevisibilidade do draft, decidi olhar para a história da lotaria da NBA e avaliar os melhores jogadores escolhidos em cada uma das primeiras 15 posições:

1º – Magic Johnson, Los Angeles Lakers, 1979: A concorrência nesta categoria é, como seria de esperar, muito apertada. Poderia ter escolhido jogadores mais recentes (como Tim Duncan, Shaquille O’Neal ou LeBron James) ou jogadores mais antigos (como Hakeem Olajuwon, Oscar Robertson ou Kareem Abdul-Jabbar). Por fim, acabei por ir para o homem com o sorriso que contagiou o Showtime dos Lakers, o inigualável Magic Johnson.

2º – Jerry West, Los Angeles Lakers, 1960: Sempre que virem o logo da NBA, fiquem a saber que estão a olhar para a passada icónica de Jerry West, um dos melhores marcadores de pontos de sempre da NBA e o único jogador a ser sagrado MVP das Finals apesar de ter perdido. A concorrência nesta posição é variada, contando tanto com os talentos de Jason Kidd, Gary Payton ou Isiah Thomas, como com o infame Sam Bowie, que ficou famoso por ter sido escolhido antes de…

3º – Michael Jordan, Chicago Bulls, 1984: Esta posição do draft conta com lendas como Dominique Wilkins, Kevin McHale, Pete Maravich e até Wilt Chamberlain. O facto de mesmo assim ter sido uma decisão fácil só mostra o enorme talento daquele que é considerado por muitos o indiscutível líder no topo da hierarquia da NBA, um homem com uma lista de conquistas tão extensa que seria preciso todo um novo artigo só para as enumerar  – Michael Jordan.

4º – Rick Barry, San Francisco Warriors, 1966: Rick Barry foi um jogador invulgar. Um competidor nato… que tinha o condão de criar um inimigo a cada pessoa com que se cruzava. Um lançador exímio… que lançava lances livres “à padeiro”, mas com uma eficácia tremenda. Campeão e MVP das Finals. Na lista de notáveis nesta posição do draft encontramos jogadores como Dave Cowens, Dave Debusschere, Dikembe Mutombo ou Sam Perkins.

5º – Charles Barkley, Philadelphia 76ers, 1984: “The Round Mound of Rebound”. Com um talento inigualável tanto para resgatar a bola dos ares depois de um lançamento falhado como para dizer algo incrivelmente ofensivo, Sir Charles é um dos mais icónicos jogadores de toda a história da NBA. Uma decisão que teria sido fácil, não fosse ser acompanhado nesta posição por nomes como Kevin Garnett, Walt Frazier, Ray Allen, Dwyane Wade ou Scottie Pippen.

6º – Larry Bird, Boston Celtics, 1978: Adrian Dantley, Jerry Sloan, Jerry Lucas, Lenny Wilkens. Tudo excelentes jogadores – dois deles (Sloan e Wilkens) até se tornaram lendários treinadores. Mas esta posição pertence ao lendário Larry Bird, o homem que escondia, por trás de um aparente ar de saloio provinciano, um dos maiores instintos matadores que a liga já viu. A sua rivalidade (e posterior amizade) com Magic Johnson ajudou a tornar a NBA o que é hoje em dia.

7º – Bernard King, New Jersey Nets, 1978: Uma carreira brilhante que podia ter sido ainda mais estelar se não tivesse tido uma ruptura no ligamento anterior cruzado, depois da qual nunca mais voltou a ser o mesmo. Apesar da lesão grave, Bernard King fica na história como um dos mais espetaculares jogadores da NBA e um digno representante desta posição do draft, junto de nomes como Kevin Johnson, Alvin Robertson e Chris Mullin.

8º – Sam Jones, Boston Celtics, 1957: Bill Russell dominava os jogos. Sam Jones terminava-os. O shooting guard que acompanhou o lendário poste em dez títulos (!) ficou especialmente conhecido pela sua capacidade inata de marcar os cestos decisivos sempre que algum jogo ficava apertado. Outros grandes nomes descobertos nesta posição foram Detlef Schrempf, Tom Chambers, Jack Sikma e Robert Parish.

9º – John Havlicek, Boston Celtics, 1962: Uma das principais razões para a década vitoriosa dos Celtics nos anos 60 veio da sua capacidade em encontrar talento no draft. Cinco anos depois de encontrarem Sam Jones na 8ª posição, a equipa de Boston encontrou John Havlicek, que terminou com uma média de 20.8 pontos por jogo mas ficou conhecido acima de tudo pela sua garra defensiva. Também Dirk Nowitski, Tracy McGrady e Charles Oakley foram escolhidos nesta posição.

10º – Willis Reed, New York Knicks, 1965: Campeão duas vezes pelos Knicks, Willis Reed ficou na história por ter entrado lesionado no jogo 7 das Finals para marcar os dois primeiros cestos da sua equipa e catapultá-los animicamente para o título. Paul Pierce, Horace Grant, Jeff Malone e Gail Goodrich são excelentes jogadores, mas os seus talentos empalidecem face a uma lenda viva como este poste que faz parte do céu estrelado das memórias de Nova Iorque.

11º – Reggie Miller, Indiana Pacers, 1987: Fora do Top 10 nas escolhas dos general managers, Reggie Miller viveu durante muito tempo na sombra da sua lendária irmã, Cheryl. Quando começou a acertar triplos na cara de basicamente qualquer um que se lhe colocasse à frente, poucos se continuaram a rir. Lendário pela suas performances nos momentos decisivos, Reggie Miller é acompanhado, na lista de ilustres escolhidos em 11º lugar, por Robert Horry. Quão adequado.

12º – Julius Erving, Milwaukee Bucks, 1972: “Doctor J” teve um começo atribulado na sua carreira, saltando de equipa em equipa (e até entre ligas, mudando da ABA para a NBA), mas não há como negar o produto final. Tão elegante quanto brutal, Julius Erving introduziu na liga a arte do afundanço e inspirou muito do que é o basquetebol moderno. Muggsy Bogues, Cedric Maxwell e Paul Silas também foram descobertos na 12ª posição.

13º – Kobe Bryant, Hornets – Lakers, 1996: Karl Malone é considerado não só um dos melhores power forwards de sempre como uma das maiores descobertas da história do draft, escolhido apenas na 13ª posição. Como não está em primeiro nesta escolha, então? Porque teve o “azar” de ser escolhido no mesmo lugar que Kobe Bryant, o jovem talento que veio diretamente do liceu para a liga e tornou-se não só um dos maiores ícones do recheado panteão dos Lakers mas também um dos melhores jogadores de sempre da NBA.

14º – Clyde Drexler, Portland Trailblazers, 1983: Quando chegamos a estas escolhas, começar a ficar perplexos com o quanto alguns donos não souberam perceber o talento que tinham pela frente. Como explicar que tenham caído para a 14ª posição jogadores como Tim Hardaway, Maurice Lucas e, acima de tudo, o transcendente talento de Clyde Drexler, um dos melhores bases de sempre e o único homem que ainda hoje acredita ter sido melhor até que Michael Jordan.

15º – Steve Nash, Phoenix Suns, 1996: A terminar este nosso hipotético draft temos talento do futuro, com Kawhi Leonard, e talento do passado, com Dell Curry. Mas o que temos, acima de tudo, é mais uma prova que o draft de 1996 foi um dos mais estranhos de sempre, com Kobe escolhido na 13ª posição, seguido, dois lugares mais abaixo, pelo genial Steve Nash, vencedor de dois MVP da temporada regular e um dos responsáveis por algum do basket mais espetacular alguma vez praticado.

Pedro Quedas

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