O processo de escolha para o título deste artigo foi muito mais demorado que o habitual, passando as hipóteses por realçar a estreia do UFC na cidade de Nova Iorque, ou o combate principal, ou os três combates de título na mesma noite, ou a riqueza do cartaz no seu todo. Mas o único agente impossível de ignorar é o electrizante Conor McGregor, presente em todos os segmentos promocionais do UFC e das identidades jornalísticas independentes, por quem o evento se constrói à volta.

A personalidade única do irlandês fez com que se tornasse numa rockstar reconhecida mesmo por internautas que não seguem o desporto das Mixed Martial Arts, mas a sua aptidão dentro do octógono é tão ou mais interessante de acompanhar e idolatrar.
McGregor vem de uma vitória por decisão sobre Nate Diaz, num combate brutal – em todos os sentidos da palavra – que vingou a chocante derrota de Março frente ao californiano.

Alguns analistas questionavam a capacidade de McGregor em manter-se como uma super-estrela depois da sua primeira derrota no UFC, mas o desporto das MMA tem mostrado ser, vezes sem conta, um desporto de histórias de redenção e curiosidade nas conjugações de estilos diferentes, que podem levar ao lutador A ganhar ao B, e ao B ganhar ao C, mas ao C ganhar ao A.
Estando o poder do lado da organização, é impossível para os lutadores escolher os
confrontos mais favoráveis e manter recordes invictos por muito tempo, daí as séries de Anderson Silva, Georges St-Pierre e Jon Jones serem tão impressionantes.
Apesar da grandeza dos confrontos entre McGregor e Diaz, estes não tiveram qualquer implicação no panorama dos cinturões, já que foram efectuados na divisão dos 77 kg. McGregor, campeão dos 65 kg (!) tem carta verde para quebrar algumas regras.

Hoje, McGregor voltará a não defender o seu título, mas terá a possibilidade de ganhar um novo, o de 70 kg, caso derrote o actual campeão Eddie Alvarez. Seria a primeira vez que o UFC teria um campeão de duas divisões em simultâneo, tendo BJ Penn falhado a conquista do segundo contra o já mencionado Georges St-Pierre.
Eddie Alvarez é um veterano do desporto, que construiu grande parte da sua reputação como campeão do Bellator (organização onde actua André Fialho, o melhor atleta português) e chegou ao UFC mais que uma década depois da sua estreia profissional.
A sua estreia no UFC não foi bem sucedida, tendo sido derrotado por Donald Cerrone por decisão, mas uma série de vitórias frente às estrelas Gilbert Melendez e Anthony Pettis levaram-no a um confronto com o então campeão de pesos leves, Rafael dos Anjos. Alvarez não desperdiçou a oportunidade e conseguiu o KO técnico no primeiro assalto.

Naturalmente, espera-se um combate explosivo entre Eddie Alvarez e Conor McGregor, com mãos pesadas a abundarem, mas é possível que o americano decida levar o jogo para o solo, onde se apontam as maiores debilidades no jogo de McGregor.
São dois lutadores que podem terminar um combate a qualquer momento e que não têm receio de expor algumas aberturas ao adversário, favorecendo as trocas acesas no striking.
Mesmo com a lógica a apontar para uma direcção, é impossível saber ao certo o que vai acontecer dentro da grade. E num combate desta magnitude, qualquer desfecho, desde um KO incrível a uma lesão horrível, será motivo de conversa nos dias que se seguem.

Pouco falamos da recente legalização das MMA no estado de Nova Iorque (o único que faltava dos 50 americanos) que possibilitou a realização do evento, ou do combate enviado directamente pelos deuses entre Tyron Woodley (campeão dos 77 kg) e Stephen “Wonderboy” Thompson, ou da disputa do título de peso palha feminino entre duas atletas da Polónia, Joanna Jedrzejczyk e Karolina Kowalkiewicz, mas é assim o UFC 205: abundância de prendas que poderemos acompanhar a partir das 3 da manhã na Sport TV 5.
Os mais fanáticos poderão acompanhar toda a acção no UFC Fight Pass, que começa à meia-noite.


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