July 16, 2019

Nos dias que correm, quando se fala em vencedores da Ligados Campeões, invariavelmente somos levados a pensar de forma automática nos tradicionais tubarões europeus: Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique, Chelsea, Juventus, Manchester United… Nada de novo, portanto. Mas como eu sou“do contra” e pseudo hipster, gosto de focar as minhas atenções noutro tipo de clubes e de jogadores. É por isso que hoje vos trago o grande Helmuth Ducadam, herói sem igual do mítico Steaua Bucuresti (Bucareste para os amigos) dos anos 80.

Long story short: na já longínqua época 1985/86, o Steaua logra chegar à final da então Taça dos Campeões Europeus frente ao todo poderoso Barcelona. Acresce que o jogo foi disputado em Sevilha, no Ramón Sánchez Pizjuán. Ou seja, tudo feitinho para mais uma vitória inolvidável dos culés.

Só que não.

Os incansáveis jogadores do Steaua conseguiram levar o jogo para o desempate por grandes penalidades, após um fastidioso empate a zero. Nestaroleta russa que são os cálcio di rigore(penalty em italiano, já ficam a saber mais uma coisa nova hoje), o que é que os blaugrana Alexanko, Pedraza, PichiAlonso e Marcos tiveram em comum? Todos conseguiram falhar as respetivas penalidades. Falhar? Devo estar parvo, só pode. O Helmut Ducadam é que defendeu os quatro penalties! Quatro! Esqueçam o Ricardo, o Sergio Goycoechea, oSubasic, e outros quaisquer que se lembrem que tenham feito figurão na lotariados penalties… Este gigante romeno de bigodaça à Stalin deu a vitória ao seu Steaua com uma daquelas exibições de uma vida, que nem nos melhores sonhos de infância um aspirante a guarda redes consegue imaginar.

Após a vitória por 2-0 no desempate por grandes penalidades,e após ter defendido QUATRO(!) penalties, tudo indicaria que o homem seria transferido para um gigante qualquer da Europa, certo? Um Real, uma Juventus,um Barça…

Mais uma vez: só que não!

Esta final foi o último jogo do bom do Ducadam, que literalmente desapareceu do mapa durante 3 anos. Sim, depois desse jogo, nada mais se soube do homem durante 3 anos, quando voltou – também vindo do nada – foipara jogar pelo desconhecidíssimo Vanorul Arad, qual Zach Thornton da Cortina de Ferro. Rezam as más línguas que o não menos mítico Ceausescu (ditador romeno, se não souberem quem é, google it),portador de um ego daqui até à Lua, ficou ciumento com a popularidade do guardaredes e ordenou que lhe dessem um tiro no braço, já que a primeira explicação para o súbito desaparecimento foi uma “lesão no braço”. Quando se deu a reaparição, 3 anos depois, a desculpa foi uma “doença de sangue”.Independentemente das verdadeiras razões, até hoje nunca se descortinou qual o motivo para o apagão. Mas é isso que dá beleza à coisa, não é?

Miguel Pinho

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