December 14, 2019

Qualquer fã da NBA adora voltar atrás no tempo e avaliar as melhores e as piores decisões feitas pelas equipas nos drafts. É fácil, e incrivelmente divertido, apontar o dedo às decisões ridículas feitas pelos GMs da NBA e colocarmo-nos num pedestal de certezas absolutas e verdades definitivas. Ora, numa tentativa de equilibrar os pratos da balança, nós aqui no Entre Linhas decidimos enfrentar o verdadeiro  pelotão de fuzilamento que são os nossos leitores.

Assim, decidimos fazer um draft com os melhores jogadores de sempre da NBA, com quatro escritores do Entre Linhas a fazerem o seu cinco ideal – dependendo das escolhas disponíveis a cada ronda. Depois de um breve sorteio, ficou decidido que Bruno Silva (BS) teria a primeira escolha, seguido de Ricardo Glenn Baptista (RB), Pedro Filipe (PF) e, no fim, este que vos escreve, que assinará as suas escolhas como PQ.

É de ter em conta que os cincos titulares das nossas equipas finais não têm necessariamente de ter um jogador por cada posição mas antes um conjunto de atletas equilibrado, divididos entre o jogo interior e o exterior.

Sem mais demoras, seguem as nossas escolhas:

 

Draft:

1 – BS – Michael Jordan: “The best that ever was. The best that ever will be.”. Esta é a frase que define a carreira do melhor jogador de todos os tempos (para mim título apenas disputado pelo campeoníssimo Bill Russell). O maior competidor da história da NBA, tendo carregado várias equipas medianas dos Chicago Bulls até ao título (apenas contou com um outro grande jogador na equipa – Scottie Pippen). Dados: 6 finais jogadas, 6 finais ganhas, 6 Finals MVP, 5 MVP de temporada regular, 10 vezes escolhido para a melhor equipa da NBA, líder de pontuação média nos playoffs, 9 vezes escolhido para a melhor equipa defensiva da NBA, campeão da NCAA e 2 medalhas de ouro olímpicas. Mas Jordan foi também um dos primeiros jogadores a reinventar-se. À medida que os anos passaram foi acrescentando novas armas ao seu arsenal ofensivo (como um invejável jogo de pés interior ou o temível turnaround jumper – praticamente indefensável). A melhor descrição da carreira de Jordan terá sido efectuada por Larry Bird, num jogo em que os Celtics derrotaram os Bulls “Hoje Deus jogou disfarçado de Michael Jordan!”. É (ainda) o 3º melhor marcador da história da NBA (devendo perder esse lugar para Kobe Bryant num futuro breve). Quiçá não tendo abandonado a modalidade durante 1 ano e meio (os 94/95 e 95/96 – regressou a meio do ano de 96) estivesse mais à frente em termos de pontos e tivesse mais 1 ou 2 títulos mas, mesmo assim, marcar o lançamento vencedor de uma final a jogar fora, com 36 anos, não é para todos. Em suma, o maior competidor da história da NBA (título apenas disputado por Bill Russell).

 

2 – RB – Earvin “Magic” Johnson: Hoje em dia fala-se na rapidez dos bases, nas suas capacidades atléticas, no seu desempenho como organizadores de jogo. Se Chris Paul ou Tony Parker são autênticos chefes de orquestra, como o foram num passado recente Steve Nash ou Jason Kidd, Magic foi um verdadeiro MAESTRO. 2.06m, uma visão estratosférica   do jogo,  o melhor no-look pass do século XX, ele é o homem a quem a NBA deve o showtime. Isto para não falar da sua polivalência, que o tornava capaz de jogar em qualquer posição numa quadra de basket, o que ele demonstrou desde a sua temporada de rookie, durante as Finais da NBA. Com Kareem Abdul-Jabbar lesionado, “Magic” assumiu a posição de poste no Game 6, e foi girando todas as posições em campo, acabando com 42 pontos, 15 ressaltos, 7 assistências e 3 roubos de bola. Isto sendo rookie, numa equipa de veteranos onde o talento não faltava. Outro ponto crucial da carreira deste imenso jogador foi a rivalidade com os Boston Celtics, e em particular com o seu grande amigo, Larry Bird. Nenhum jogo nos anos 80 teve a audiência e a excitação que se viu nos confrontos entre Lakers e Celtics, especialmente em Finais. Foram guerras autênticas, oposições de estilos e espectáculo que deleitaria qualquer fã deste desporto. E “Magic” trouxe alguma alegria ao jogo do basket, tanto pela sua maneira de jogar como pelo seu constante e rasgado sorriso, de quem tem consciência da sorte que é viver da sua paixão. Como fã dos Celtics, este é o único Laker que consigo pôr na minha equipa. Para mim, second best ever.

 

3 – PF – Kobe Bryant: É consensual para toda a gente que Michael Jordan foi o melhor jogador de sempre e que nenhum antes ou depois dele lhe é comparável, certo? … Errado! Está longe de o ser. Sabem quem também não vai nessa conversa? O próprio MJ! Que disse há algum tempo que o Kobe Bryant era o único jogador que tinha feito o suficiente para lhe ser equiparado e ainda mais recentemente declarou que não perderia um mano a mano com Lebron James, mas que tinha dúvidas quanto a um duelo com Kobe Bryant. Isto de comparar grandezas nunca é fácil, mas uma coisa é certa, se MJ foi his “Royal Airness” e dominou a NBA na década de 90, KB foi sem dúvida quem lhe sucedeu no trono e dominou a liga na década de 2000. Depois do #23 vem o #24, é matemática simples. Para a história ficará a eterna contenda sobre qual dos dois números é maior. Kobe Bryant tem ainda um feito também ele notável: é dos poucos atletas que dominaram a modalidade sempre na mesma equipa, os Los Angeles Lakers.

 

4 – PQ – Kareem Abdul-Jabbar: Podia ter dito que escolhi Kareem Abdul-Jabbar, originalmente conhecido, quando chegou à NBA, como Lew Alcindor, porque se reformou como o recordista de pontos marcados em toda a sua carreira. Podia dizer que o escolhi porque terminou a carreira com médias de 24,6 pontos, 11,2 ressaltos e 2,5 blocks. Podia até dizer que o escolhi porque conquistou 6 anéis de campeão, 2 MVPs das Finals e 6 MVPs da temporada regular, entre muitos, muitos outros prémios. Que mais impressionante ainda que o modo como dominou inquestionavelmente a liga nos seus primeiros anos de carreira foi o modo como continuou a ser uma máquina virtualmente indefensável mesmo quando já tinha 40 anos e se aproximava rapidamente o fim da sua carreira. Mas a verdade é que eu simplesmente não podia deixar de ter na minha equipa o dono do mais belo lançamento em toda a história da NBA – o inigualável “sky hook”.

 

5 – PQ – Larry Bird: Larry “The Legend” Bird. O homem que, em conjunto com Magic Johnson, revolucionou a liga com o seu foco no passe constante e no jogo colectivo. Capaz de destruir a defesa contrária tanto com um passe inesperado como com um triplo nos últimos segundos, Bird usava o seu ar de, sejamos sinceros, parolo para fazer com que os adversários o menosprezassem – e quando o faziam… já tinham perdido. Conhecido também como “Basketball Jesus”, o prodígio de French Lick, Indiana, era capaz de dominar o jogo tanto pela sua capacidade de encestar os lançamentos mais ridiculamente difíceis como com uma jogada defensiva crucial ou um passe altruísta para jogadores discretos que se tornavam estrelas por jogar ao seu lado. Líder de algumas das melhores equipas que a liga já viu, foi o modelo original para tantos dos “big men” lançadores que hoje são a regra na maioria da NBA. O rei do “trash talk” tinha de ter um lugar na minha equipa.

 

6 – PF – Wilt Chamberlain: De todos os bons jogadores da história da competição, é raro que um tenha um dado estatístico que se destaque tanto da concorrência. Raro, mas não impossível, porque Wilt Chamberlain tem algo que o coloca automaticamente na categoria de imortal, um recorde que muitos consideram ser inultrapassável (o Sr. que ficou mais perto de o destronar é o primeiro deste maravilhoso 5. Numa noite inspirada em Janeiro de 2006 fez 81 pontos contra os Toronto Raptors). Qual? Foi o único jogador que até hoje fez 100 pontos num jogo na NBA. É verdade, não leram mal, não foi um erro tipográfico, Wilt Chamberlain é conhecido como o “Mr. 100 Points”, devido a essa sua exibição na vitória dos “seus” Philadelphia Warriors (hoje Golden State Warriors) contra os New York Knicks por 169-147. Em “apenas” 48 minutos o gigante poste de Filadélfia registou 100 pontos e 25 ressaltos!!! Quando se enumeram os melhores de sempre da modalidade, o nome do “Big Dipper” é inolvidável. Conta com dois títulos de campeão, um pelos San Francisco Warriors em 1967 (a equipa entretanto já se tinha mudado da costa Este para a costa Oeste dos Estados Unidos) e outro pelos inevitáveis Los Angeles Lakers em 1972, onde formava uma das duplas mais temíveis de sempre, com alguém que dá pelo nome de Jerry West.

 

7 – RB – Bill Russell: William Felton Russell, alias, Bill Russell, alias, Uncle Russ’, alias “Hey Bill!”. A escolha deste jogador no meu draft deve muito à NBA TV, que me gratificou de alguns “Hardwood Classics” onde pude satisfazer a minha curiosidade sobre a maior Lenda que jamais jogou com a camisola dos Celtics. Bill era uma força da natureza e, numa altura em que o basket era totalmente virado para o ataque, demonstrou com brio a pertinência de se apostar em tácticas defensivas. Excelente “shotblocker”, autoritário a defender o cesto assim como o perímetro, Russell foi uma das pedras basilares que serviram para forjar a supremacia dos Celtics nos anos 60. Além do enorme jogador, líder e treinador-jogador, é um homem ainda hoje com um carisma e uma aura enormes. E se se dá importância ao debate actual sobre a capacidade ou não de Kobe a atingir os 6 títulos ou de o Lebron os ultrapassar, provando assim de maneira definitiva que são melhores que o Jordan, fica aqui uma marca que não deixa muita margem para debate: 11 RINGS.

 

8 – BS – Hakeem Olajuwon: Hakeem “The Dream”, a sua alcunha demonstra o seu estilo de jogo, um poste fino, capaz de brilhantes movimentos ofensivos (um jogo de pés ímpar, particularmente nos anos 90 quando os postes eram pouco móveis e baseavam o seu jogo na força bruta), com um lançamento razoável a 4 metros do cesto que obrigava os seus adversários a defendê-lo no exterior. Olajuwon foi 2 vezes campeão da NBA (nos anos em que Michael Jordan se “retirou” para jogar beisebol) tendo reclamado os 2 MVP das Finals. Além disso foi considerado MVP da temporada regular por 1 vez, foi 12 vezes All-Star, 2 vezes o melhor defensor do ano e melhor ressaltador, líder de blocos por 3 vezes, 6 vezes escolhido para a melhor equipa do ano, 5 vezes escolhido para melhor equipa defensiva da NBA e 1 medalha de ouro olímpica. Batalhando com outros “monstros” como Patrick Ewing, David Robinson, Shaquille O’Neal, Olajuwon estabeleceu a sua presença e era claramente o melhor jogador da sua equipa quando esta venceu os seus 2 campeonatos. Hakeem Olajuwon é um jogador ímpar pela sua força e qualidade técnica, invulgares para um jogador do seu tamanho. Reinventou a posição de Poste.

 

9 – BS – LeBron James: Para mim (e para todos os que conseguirem passar de haters pela sua troca de Cleveland por Miami) o melhor jogador da actualidade da NBA e, talvez já, um dos melhores 10 jogadores da história da NBA. Tendo entrado na liga com um hype que faria com que muitos soçobrassem perante tamanha pressão, James pegou numa equipa moribunda e com a ajuda de jogadores medianos ou já em final de carreira levantou-a às portas das finais da NBA. Uma máquina a jogar, com um físico impressionante, LeBron é já um duplo campeão da NBA com 2 MVP de Finals, 4 MVP de temporada regular, 9 selecções All-Star, 7 vezes escolhido para a melhor equipa do ano, 5 vezes para a melhor equipa defensiva, contando com 2 medalhas de ouro em Jogos Olímpicos. LeBron James, mesmo nos tempos modernos, revolucionou o jogo de basquetebol. Nos anos 90 o Karl Malone era um jogador interior que fazia dos movimentos e lançamentos próximos do cesto (até 5 metros) as suas armas. James tem a mesma altura e envergadura de Karl Malone mas é um jogador que apenas recentemente começou a actuar no mesmo espaço de Malone (para gáudio dos Heat que com isso garantiram já 2 campeonatos). É talvez o único jogador dos nossos dias capaz de ter uma média de triple-double numa temporada (feito apenas conseguido por Oscar Robertson) caso procurasse fazê-lo. Bateu vários recordes de juventude em termos de pontos marcados (embora os mesmos tenham vindo a ser batidos por Kevin Durant, um jogador criado para marcar pontos como nenhum outro na história da liga). Além de ser um dos melhores jogadores ofensivos da liga, James é, caso seja necessário, o melhor defensor, conseguindo defender todos os jogadores da equipa adversária no mesmo jogo, caso seja necessário (defende desde o base até ao poste). Um jogador singular, como nenhum outro na história da liga.

 

10 – RB – Charles Barkley: Charles Wade Barkley, alias Sir Charles, alias The Round Mound of Rebound. Um miúdo baixo e gordo de Alabama (1,78m, 100kg) viu a sua vida transformada quando ganhou 15 cm num verão. De reserva passou a titular na equipa do liceu, demonstrou uma força de vontade sem igual, e uma paixão devorante pelo jogo. Chegado à NBA, não demorou muito a mostrar-se um power forward dominante e determinado, compensando a falta de altura (1,98m numa posição onde o normal é estar-se à volta dos 2,05m) com uma garra fora do comum. Sir Charles era provocador, trash talker de talento, não hesitava a jogar ombro a ombro com jogadores com mais 10cm do que ele e impôs-se como um dos maiores guerreiros que a liga já viu. MVP do torneio Olímpico de 1992 com a Dream Team original, MVP da temporada regular de 1993, Barkley tocou as suas melhores partições contra os maiores, e só foi barrado no acesso ao título supremo pelo MAIOR. Um jogador que contrariou a adversidade para se tornar um dos melhores de sempre.

 

11 – PF – Karl Malone: É sempre chocante quando um dos melhores jogadores de uma modalidade se retiram, sem conhecer o que é ganhá-la. É ainda mais chocante quando é o segundo jogador com mais pontos de sempre na Liga e o sexto com mais ressaltos. O “Mailman” retirou-se da NBA com médias impressionantes de 25 pontos por jogo e de 10,1 ressaltos por jogo. Apesar de ter chegado às finais da competição por três vezes na sua carreira, duas ao serviço dos Utah Jazz – onde esteve entre 1985 e 2003 – e uma última, já em final de carreira, ao serviço dos Los Angeles Lakers, a sorte nunca quis nada com ele. Retirou-se com esse sabor amargo, mas com a certeza de figurar entre as lendas do jogo.

 

12 – PQ – Tim Duncan: Chamam-lhe “The Big Fundamental”, pelo modo cirúrgico como pratica a modalidade, sem erros e jogadas fora do comum, como uma precisão de eficiência quase robótica. Na verdade, o que muitos querem dizer é que consideram o seu jogo aborrecido – uma descrição que qualquer conhecedor da NBA reconhece como extremamente injusta mas com a qual, suponho, Tim Duncan se rala muito pouco. Enquanto os seus críticos lhe apontavam a falta de magia e rasgo, Duncan foi continuando a ganhar títulos, dando o mote às suas equipas com mestria defensiva e um jogo ofensivo completo, rematado com um lançamento à tabela que figura, com o “sky-hook” de Abdul-Jabbar e o “turnaround” de Jordan, entre as jogadas mais indefensáveis que a liga já viu. O melhor “power forward” de sempre tem sido subvalorizado ao longo de toda a sua carreira, mas já cravou firmemente o seu lugar entre o Top 10 de sempre que a NBA já viu jogar. Quatro vezes campeão da NBA, Duncan registou, no jogo 6 (e decisivo) da sua vitória nas Finals contra os New Jersey Nets, em 2003, 21 pontos, 20 ressaltos, 10 assistências e 8 blocks. Gostava que me dissessem o que isto tem de aborrecido.

 

13 – PQ – Oscar Robertson: O que dizer do “Big O”? Que foi icónico. Que foi o primeiro “big guard” que a liga conheceu, mostrando um talento igual para marcar e passar. Que foi o homem que inventou técnicas como o head fake e o fadeaway jumper. Que, claro, todos o sabemos, foi o único jogador na história da NBA a terminar uma temporada regular com uma média de triple-double – 30,8 pontos, 11,4 assistências e 12,5 ressaltos na época de 1961-62, o seu segundo ano na liga. A liga conheceu muitos poucos jogadores tão dominadores ofensivamente como Oscar Robertson e o número de jogadores que lhe seguiram as pisadas é demasiado extenso para contabilizar. É importante não esquecer, no entanto, que Robertson ficou também conhecido como um jogador de personalidade difícil e casmurra, constantemente na defensiva em relação aos seus adversários e companheiros de equipa. Para perceber esta atitude, basta perceber, no entanto, que Oscar Robertson jogou basket pelo seu liceu e universidade em plenos anos 50, quando a segregação racial era uma constante nos EUA e a discriminação, direta ou mal-disfarçada, era uma triste realidade com que tinha de lidar diariamente. “The Big O” já afirmou várias vezes que nunca perdoou quem o tratou assim e que não deveremos contar nunca com esse perdão. Já a resposta? Essa foi dada no campo.

 

14 – PF – Jerry West: O desporto vive de jogadores icónicos, mas talvez nenhum seja tão icónico como este. Porquê? Bem, é que, literalmente, Jerry West é o ícone da NBA. O logo que todos conhecemos e que serve de símbolo à NBA desde 1969, foi criado pelo designer Alan Siegel, inspirado por uma imagem de Jerry West a driblar em corrida. Segundo o autor, o que o atraiu na imagem foi a graciosidade, o dinamismo e a verticalidade de Jerry West, que captavam na perfeição a essência do jogo. Jerry West só teve uma equipa em toda a sua longa carreira, os Los Angeles Lakers, e embora só tenha conseguido sagrar-se campeão por uma vez em 1972 (enquanto jogador), fica para a história do jogo como o único que conseguiu ser eleito MVP de umas finais que perdeu, logo contra os seus históricos rivais, os Boston Celtics de Bill Russell (que curiosamente hoje “empresta” o seu nome a esta distinção), decorria do louco ano de 1969. Jerry West ainda é chamado de “Mr. LA” por ter passado toda a sua carreira ao serviço dos Los Angeles Lakers.

 

15 – RB – Julius “Dr. J” Erving: Jogador que começou o seu percurso na extinta ABA, The Doctor era um showman nato. Dotado de uma capacidade atlética invejável, foi dos primeiros jogadores a transformar o afundanço em arte. Foi o vencedor do concurso de dunks na ABA em 1976 com o primeiro dunk da linha de lances-livres da história do basket profissional (lembra-vos alguém que o voltou a fazer nos anos 80?), levando a noção de hangtime para uma nova dimensão. Julius transformou um gesto brutal, geralmente usado por interiores para intimidar, em uma elegante dança nos ares, e não é em vão que Michael Jordan o cita como uma das suas maiores influências, e que baseou grande parte do seu jogo no do Doutor. Mas seria um erro reduzir o Original Mr. Jumpman a um simples artista voador. Defensor ferrenho, atacante de talento (6º melhor marcador da história da NBA) e grande motivador, foi dos poucos jogadores a ganhar Campeonatos e títulos de MVP nas duas ligas (ABA e NBA). Um senhor da bola, que merece indubitavelmente o respeito de todas as gerações. E não foi por acaso que ele foi o primeiro desportista negro nos Estados Unidos a representar uma marca de sapatilhas, ou a famosa marca de bebida com o logo vermelho e letras brancas. “He was Michael Jordan before Michael Jordan”.

 

16 – BS – Scottie Pippen: Qualquer equipa com Michael Jordan tem de ter Scottie Pippen. Segundo vários dos seus contemporâneos, Pippen tinha a mesma qualidade de Jordan (ou até mesmo mais), apenas era maior e tinha uma personalidade diferente. Um dos primeiros point-forwards da NBA (capaz de jogar em todas as posições de base a extremo-poste), é considerado um dos melhores 50 jogadores de sempre, mesmo jogando na equipa da Michael Jordan. Como Jordan, tem 6 títulos de campeão da NBA, foi 3 vezes escolhido para a melhor equipa do ano, 8 vezes escolhido para a melhor equipa defensiva do ano, 7 vezes para o All-Star game, é o líder de roubos de bola da história da NBA e ganhou 2 medalhas de ouro olímpicas. Nos anos em que Jordan se retirou para jogar beisebol, Pippen carregou com a equipa dos Bulls, tendo tido uma média de 22 pontos, 8.7 ressaltos, 5.6 assistências, 2.9 roubos de bola e 0.8 blocos, tendo Chicago acabado o ano com 55 vitórias, apenas menos 2 que no ano anterior com Jordan. Pippen ficará para a história como um dos jogadores mais completos de sempre, abrindo caminho para jogadores como LeBron James, Tracy McGrady ou Kevin Durant que, apesar do seu tamanho, são jogadores com a capacidade de jogar praticamente em qualquer posição.

 

17 – BS – Shaquille O’Neal: No seu primeiro ano os Orlando Magic foram “obrigados” a aumentar a capacidade das suas máquinas de levantamento de pesos, uma vez que Shaq levantava o máximo que eles tinham na sua época de secundário. Preterido em favor de Christian Laettner como jogador universitário nos Jogos Olímpicos de 1992 (sim, o do Dream Team), Shaq fez o “favor” de lembrar a todos durante a sua longa carreira que essa escolha foi um erro de casting. Shaq ganhou 4 títulos (3 nos Lakers e um nos Heat), foi 3 vezes MVP das Finals, 1 vez MVP da temporada regular, 15 vezes escolhido para a equipa All-Star, 2 vezes melhor marcador da NBA, 8 vezes escolhido para a melhor equipa da temporada, 3 vezes escolhido para a segunda melhor equipa defensiva da temporada (não esquecer que Shaq jogou numa altura em que vários postes como Dikembe Mutombo ou Ben Wallace faziam o seu jogo com base na defesa) e 1 medalha de ouro olímpica. Os grandes defeitos de Shaquille O’Neal foram os seus lançamentos da linha de lance-livre (há quem diga que o problema seria o facto da sua mão ser demasiado grande para a bola dificultando a rotação no lançamento – consta que o dedo do meio da mão de Shaq é do tamanho de um garfo de refeição) e a sua preguiça. A partir da altura em que Shaq percebeu que conseguia dominar os seus adversários e contribuir nos playoffs sem fazer trabalho de pré-temporada o seu trabalho diminuiu drasticamente. Mesmo assim foi o jogador mais dominante da liga desde Wilt Chamberlain, chegando a ter médias de 30.7 pontos e 15.4 ressaltos nos playoffs em 2000, ano do seu primeiro campeonato. Tendo trabalhado mais, O’Neal poderia ter chegado ainda mais longe, mas a sua personalidade brincalhona levou sempre a melhor. Não deixa, contudo, de ser um dos 3 postes mais dominantes da história do jogo (com Chamberlain e Bill Russell).

 

18 – RB – Reggie Miller: Reginald Wayne Miller, alias Reggie Miller, alias “Knick Killer”. Antes de um certo Ray Allen fazer cair o recorde, Reggie era o melhor atirador de 3 pontos da história da NBA. Mas a lenda de Reggie Miller mantém-se viva na mente de quem o viu jogar. Um extremo longilíneo, com um lançamento assassino, um gosto imoderado pelo trash talking e pelos desafios mais ousados, como o de silenciar o público mais hostil na sala mais ruidosa dos Estados Unidos: o Madison Square Garden. Se este atirador de elite se evidenciou no campo pela sua tenacidade, pela sua capacidade a galvanizar os seus companheiros de equipa, e de marcar os cestos mais improváveis sob uma pressão suficiente para causar paragens cardíacas ao mais zen dos seres humanos, nunca os seus combates foram mais sublimes do que contra New York, adversário recorrente dos Pacers nas meias finais de conferência. E se Reggie se forjou um carácter à prova de fogo, foi porque, durante anos, mediu forças com a melhor basquetebolista que existia no país: a sua irmã Cheryl. Ela foi das poucas pessoas a marcar mais de 100 pontos num jogo oficial (no liceu, mas mesmo assim…), pelo que Reggie, que lhe serviu de sparring partner durante a sua juventude, não tinha qualquer outra alternativa senão a excelência. A loucura atingiu o seu paroxismo contra os Knicks e o seu fã número 1, o realizador Spike Lee, no jogo que lhe valeu a alcunha de “Knick Killer”:  Final de Conferência Este em 1994, Reggie marcou 25 dos seus 39 pontos no último quarto, e fez o gesto de asfixiar o pescoço com as mãos em direcção do realizador de “He Got Game” a cada triplo marcado. Este passou a ser conhecido como o Choke Game, e fê-lo entrar pela grande porta nas rivalidades míticas da NBA. E no círculo restrito dos Hall of Famers da liga.

 

19 – PF – Elgin Baylor: Se parece um crime Karl Malone não ter ganho nenhum título (dos que verdadeiramente interessam, falo de anéis de campeão), que dizer de Elgin Baylor? Desde que entrou na NBA que estava predestinado a ser estrela. Foi a primeira escolha dos Lakers (na altura ainda em Minneapolis) decorria o ano 1958. O seu primeiro ano confirmou todo o potencial deste “Rabbit” que se sagrou rookie do ano. Retirou-se da liga com uma média de 13,55 ressaltos por jogo, que fazem dele o nono melhor ressaltador da história e com uma média de 27,36 pontos por jogo, que o consagram como quarto melhor de sempre. É ainda o quinto jogador com mais finais, com um impressionante número de presenças em oito finais. Mais impressionante e inacreditável que isso é o facto de não ter conseguido vencer nenhuma dessas finais. É verdade, Baylor tem um recorde pessoal na liga. Jogador que esteve presente em mais finais sem nunca a conseguir ganhar um anel. Oito. Parece impossível não é? Pensem nisto. Os Lakers são a segunda equipa com mais títulos da NBA. Ao longo de toda a sua história já se sagraram campeões por 16 vezes e para além dessas já chegaram por mais 15 vezes à final da competição (embora sejam “apenas” a segunda equipa com mais vitórias, lideram quando o tema é finais perdidas). Das 15 finais que os Lakers perderam, Baylor esteve em mais de metade delas. Estar em oito finais é obra. Não ganhar nenhuma dessas oito, também. Não sei qual dos feitos se superioriza, mas uma coisa é certa: lá que é obra, é.

 

20 – PQ – Isiah Thomas: Revolucionário. Controverso. Genial. Mau perdedor. Líder. Todos estes adjetivos já foram atirados à cara sorridente de Isiah Thomas, que escondia por trás desse sorriso um instinto assassino como poucos alguma vez tiveram. Se Oscar Robertson e Magic Johnson inventaram a posição de “big guard”, Isiah Thomas refinou à excelência a de “small guard”. Com a comparativamente franzina compleição de 1,85m e 82kg, Thomas ficou conhecido pelo seu incrível e desconcertante “drible baixo” que utilizava para manter qualquer defesa fora do alcance e perfurar as defesas impunemente no seu caminho para o cesto. Deveremos aplaudi-lo como o líder dos duas vezes campeões “Bad Boy Pistons” ou criticá-lo como o homem que foi rejeitado da mítica Dream Team de 1992 porque, reza a lenda, Jordan, Bird e Magic não o podiam ver à frente? Quando nos lembramos também da sua desastrosa passagem pelo front office dos New York Knicks, não é de estranhar que o seu nome hoje gere mais gozo que admiração. O que é imensamente injusto. Porque nunca me irei esquecer que este foi o mesmo homem que marcou 25 pontos no último período de um jogo das Finals (ainda um recorde) – e isto depois de ter sofrido uma lesão séria no tornozelo e passar o resto do jogo a coxear visivelmente. Isiah Thomas não foi um homem fácil, mas foi, sem dúvida, um génio.

 

Equipas:

BerrySpooks Spoons (Bruno Silva)

Michael Jordan

Scottie Pippen

LeBron James

Hakeem Olajuwon

Shaquille O’Neal

 

Glenn’s Grey Wolves (Ricardo Glenn Baptista)

Magic Johnson

Reggie Miller

Julius Erving

Charles Barkley

Bill Russell

 

Los Angeles Lakers (Pedro Filipe)

Jerry West

Kobe Bryant

Elgin Baylor

Karl Malone

Wilt Chamberlain

 

Lisbon SkyHooks (Pedro Quedas)

Isiah Thomas

Oscar Robertson

Larry Bird

Tim Duncan

Kareem Abdul-Jabbar

 

Quem tem a melhor equipa? Quem fez as escolhas mais acertadas e as mais erradas? O que teriam feito de diferente se vos tivesse sido dada a escolha? Este tipo de decisões são sempre agradavelmente polémicas e é isso que as torna tão imensamente sedutoras. Digam de vossa injustiça, estamos à espera das vossas críticas.

 

Pedro Quedas

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