November 13, 2019



Já rezava a sabedoria popular que “ano novo, vida nova”, o que no panorama futebolístico é a mesma coisa que dizer “mercado de transferências”. Não obstante não ser uma “silly season” de dimensões equiparáveis ao período estival, o mercado de Inverno faz sempre correr muita tinta e rumores por esses jornais e programas de TV fora. Não sendo efetivamente a época mais propícia para reformular plantéis e consertar o que de errado se fez (ou não fez…) na pré-época, esta janela de transferências é uma verdadeira oportunidade de ouro para fazer ajustes cirúrgicos, desde que se saiba fazê-los, o que na verdade não está ao alcance de todos…

Existem porém verdadeiros exemplos de mexidas de sucesso neste intermezzo desportivo… quem não se lembra de Mbo Mpenza e André Cruz na época de 1999/2000, que valeu o 17.º título de campeão nacional ao Sporting? Ou Nuno Assis no Benfica em 2004/2005. Ou ainda Marc Janko e Ricardo Quaresma no FC Porto em 2012/2013.

Assim, que bons negócios poderiam os nossos três grandes (e não só) fazer neste período? Através deste artigo, sugerem-se alguns pequenos ajustes que poderiam fazer a diferença, ou pelo menos adicionar qualidade imediata, para o que resta da presente época.

Começando pela baliza, e no que à Primeira Liga diz respeito, temos desde logo o internacional português do Tondela, Cláudio Ramos. Tem nome de apresentador de TV, mas tem vindo a apresentar uma qualidade indubitável entre os postes que já vêm justificando outros voos. Seria uma boa opção para o Vitória SC ou para o Braga, ou mesmo para o Sporting (Renan não convence, e Salin não é mais do que um suplente razoável). Na mesma linha, chama-se a atenção para Muriel Becker, goleiro do Belenenses (o que não usa a Cruz de Cristo), irmão do astro do Liverpool com o mesmo apelido, que aos 31 anos apresenta já maturidade e experiência suficiente para ser uma opção válida em qualquer um dos grandes.

Depois, temos o Sequeira, do Braga. Está lá bem, é certo, mas é sobejamente conhecida a constante crise de laterais esquerdos existente no futebol português, pelo que a meu ver, seria também uma hipótese interessante para qualquer um dos grandes (no Sporting, por exemplo, teria entrada quase garantida no onze). Mais à frente, é impossível olvidar a grade estrela do Portimonense, Nakajima. O japonês é um craque da cabeça aos pés, e causa alguma estranheza não fazer ainda parte de nenhum plantel dos três grandes, com especial incidência no Benfica ou no FC Porto. Um virtuoso, um verdadeiro poço de criatividade, sem dúvida um acrescento de qualidade imediata que infelizmente passará por Portugal pela porta pequena (sem desprimor para os de Portimão), à imagem de Jimmy Hasselbaink. Outro grande craque a pisar os nossos relvados é o avançado do Rio Ave emprestado pelo Nápoles, Carlos Vinicius, de quem já se fala para o FC Porto, parecendo ser uma perfect fit para o conjunto azul e branco, o qual privilegia atacantes rápidos e possantes, como é o caso do brasileiro. E já que falamos em avançados, como não mencionar o goleador do Braga, Dyego Sousa? Rumores recentes ligam-no ao Benfica, o que, a confirmar-se seria excelente para o clube da Luz, fazendo de certa forma lembrar a contratação do saudoso Lima: avançado experiente (29 anos), incisivo, de técnica bastante apurada, e clínico em frente da baliza. Sucesso garantido.

Lá por fora, existem também excelentes oportunidades de negócio, seja por via de jogadores que não se conseguiram impor em tubarões europeus, ou verdadeiras pérolas que ainda se encontram acessíveis aos magros cofres dos clubes portugueses. Assim, de Barcelona poderiam ser aproveitados – ainda que por empréstimo – o criativo Denis Suárez e a eterna promessa Munir El-Haddadi, que parecem não fazer parte dos planos de Ernesto Valverde para o que resta da presente época. Também de Espanha, muita atenção à situação de Gelson Martins (aparentemente dispensável por Simeone) ou ao belga Michy Batshuayi (com problemas disciplinares no Valencia, mas que pertence aos quadros do Chelsea, onde também assume o estatuto de dispensável). Por Itália, com o regresso de Ghoulam e o desvio de Hysaj para a lateral esquerda, Mário Rui parece ter cada vez menos espaço no Nápoles, constituindo uma opção interessante para a banda esquerda de qualquer um dos três grandes.

Não esquecer ainda a situação no mínimo estranha de Nélson Oliveira, que alinha no Championship ao serviço do Norwich, e que não é convocado em virtude de desavenças pessoais com o treinador do clube inglês. Ou mesmo de Gonçalo Paciência, alvo de uma grave lesão (por esta altura deverá estar quase recuperado) e que perdeu o comboio no Eintracht Frankfurt. Para quem quiser abrir os cordões à bolsa e contratar um craque de nível internacional, o extremo do Boca, Cristián Pavón já revelou o interesse em mudar de ares, nomeadamente para a Europa.

Finalmente, uma menção honrosa para um jogador que entretanto já se transferiu para o Al-Ittihad (os petrodólares falaram mais alto) mas que durante anos esteve à mão de semear para os clubes portugueses: Aleksandar Prijovic. O ponta de lança sérvio que alinhava pelo PAOK passou constantemente despercebido aos clubes portugueses, especialmente tendo em conta a excelente relação preço/qualidade que ostenta. O pinheiro dos balcãs vai agora marcar (muitos) golos para a Arábia Saudita…

Em jeito de conclusão, diga-se que o mercado de Inverno não é para quem quer, é para quem pode: não mexer muito, mas mexer bem. O que não está ao alcance de todos. Vamos ver o que nos espera até ao dia 31 de janeiro.

Miguel Pinho

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