December 7, 2019

Bem, já passou mais de uma semana desde o apito final de Jorge Sousa no derby.

 

Os ânimos, aparentemente, já serenaram, já acabaram os comunicados, o corte de relações já foi feito, por isso agora parece-me uma boa altura para fazer a minha avaliação do jogo, e apenas do jogo.

 

O jogo começou equilibrado, primeiros 10/15 minutos com bola lá, bola cá, foi o único período que se viu o Ala Jonas (o extremo) a tentar cruzamentos e o único período do jogo de R. Patrício correu sem ser para se ir mantendo quente. Depois o Sporting começou a tomar conta do jogo com domínio a meio-campo, muito por culpa de um inspirado João Mário e de um Montero que recuava muito para vir buscar bola. Sem criar oportunidades o Sporting chegou com um ascendente ao intervalo em relação ao Benfica, mas sem criar perigo junto da baliza de Artur. O Benfica depois dos primeiros 15 minutos não mais chegou perto da área do Sporting, muito por culpa do seu meio-campo que se remetia a apoiar a defesa e também devido a W. Carvalho, que preencheu muito e bem, o meio-campo mais recuado do Sporting.

 

A segunda parte trouxe um Sporting com um propensão ofensiva maior, mas continuava sem criar real perigo para Artur. O Benfica a nível defensivo tinha o jogo controlado, era a sensação que dava, ainda para mais quando os centrais estavam nas suas sete quintas, sem ninguém para marcar, com o recuar de Montero, lá ficavam as torres a marcar a sua zona, não fosse Montero voltar ou J. Mário aparecer na área para tentar fazer de Montero. Mas por volta dos 60 minutos J. Mário quebrou fisicamente, já poucas foram as vezes que subia até à área, excepção feita quando Samaris o desmarcou na cara de Artur, que ainda defendeu um primeiro remate, mas não conseguiu para a recarga de Jefferson. Na segunda parte o Benfica a nível ofensivo, tirando os últimos 5 minutos, apenas criou relativo perigo numa bola pelo ar em que P. Oliveira tem uma má avaliação e deixa que Jonas (o avançado) lhe ganhe a frente e fique cara-a-cara com R. Patrício, mas, excepção feita a esse lance, o Benfica apenas mostrou conhecer o caminho da área do Sporting depois de sofrer o golo e aí Jefferson, por solidariedade com Samaris, decidiu amortecer a bola para um outro Jardel voltar a resolver em Alvalade, embora este ao contrário do outro, tenha decidido contra o Sporting.

 

Isto foi o jogo propriamente dito, agora vejamos os destaques, e começo pelo destaque para o Benfica. Tanto foi criticada a tática que J. Jesus usou no derby, que “não quis ganhar o jogo” e que o Benfica só foi lá para o empate. Notoriamente o Benfica cruzou a 2ª Circular para não perder, e embora com alguma sorte, o que é certo, é que não perdeu o jogo, embora nunca tivesse perto de o ganhar, saiu de Alvalade com 1 ponto. A única coisa que se pode criticar relativamente ao Benfica foi o anti-jogo, que me parece ter sido exagerado, tanto para lançamentos de linha lateral, como para bater os pontapés de baliza, foi muito tempo que por ali se andou a gastar e muitas “lesões” e dores que os rapazes tiveram, agora a tática, com os ovos que tinha, J. Jesus fez a omolete possível.

 

Quanto ao Sporting, antes de mais permitam-me que deixe um recado ao seu treinador “Oh Marquinho, sim senhor, acho que és um bom coach, mas tirares o Nani para meter o Capel aos 91’… Tinhas o Sarr no banco homem, para o chuveirinho do Benfica, não era o rapaz o mais indicado?! Embora eu entenda o teu receio, com o Sarr em campo, provavelmente o gajo tinha poupado trabalho ao Jardel e tinha sido ele a meter a bola na baliza do Sporting”. Feito este desabafo, o Sporting fez aquilo que lhe competia, foi à procura da vitória, o único resultado que lhe interessava, porque mantendo a distância de 7 pontos para o Benfica, não acredito que cheguem lá, com o onze que melhor tem jogado esta época, M. Silva apenas pecou por tardiamente ter feito entrar Mané, e mesmo assim pareceu-me que a saída de Adrien ou de J. Mário fizesse mais sentido, para Mané jogar pelo meio, afim de criar roturas no muro encarnado e chegar ele a área quando Montero recuava.

 

Nos destaques individuais, começo logo pelos negativos, os extremos de ambas as equipas andaram perdidos, se ainda tinha a esperança que Carrillo, com o bónus Eliseu à frente fizesse alguma coisa, essa esperança morreu cedo, embora Eliseu ficasse a ver Carrillo cabecear para a melhor defesa da noite. A. Almeida que poderá ter feito um bom jogo do ponto de vista tático, é um jogador que até na sombra bate, tudo o que mexa ali na área de alcance das suas pernas, os rapaz “bota abaixo” e os pontas-de-lança do Benfica, tirando um ou outro lance do Jonas, pouco se fizeram notar em campo, Jonas até se notou mais que Lima, mas sobretudo na ajuda a tapar as súbidas de Cédric.

Nos destaques positivos, claramente a dupla de centrais do Benfica, que conseguiram anular Montero, nas poucas vezes que por eles passou. W. Carvalho, fez um jogão, assim como Samaris do lado contrário, mas gostava de destacar Tobias, está ali jogador, a impor-se nos duelos que travou, sobretudo com Lima, com alguns cortes de algum risco, em carrinho, o rapaz esteve à altura e o Sporting tem ali um futuro patrão da defesa. Já o poderá ser, mas mais pela ausência de concorrência que por outro motivo qualquer.

 

E pronto, deixo-vos com aquilo que foi a semana de trabalho do Benfica no Seixal, na semana que antecedeu o derby, os rapazes ouviram isto tantas vezes durante a semana… Pena foi os do Sporting depois do golo não terem adotado semelhante tática. Se o tivessem feito, talvez tivessemos um outro campeonato neste momento.

 

Rui Almeida

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