December 14, 2019

Na última jornada da NFL, a estrela wide receiver Julio Jones lesionou-se gravemente, ficando de fora até ao fim de temporada e essencialmente acabando com a temporada de uns Atlanta Falcons que já não estavam propriamente a cumprir com as expectativas elevadas com que começaram a temporada. Mas antes que comecem a lamentar o azar do franchise de Atlanta, acreditem – eles não estão sozinhos.

Vince Wilfork, defensive tackle dominador dos New England Patriots – lesionado até ao fim da temporada. Luke Joeckel, 2ª escolha do draft por parte dos desastrosos Jacksonville Jaguars – lesionado até ao fim da temporada. Owen Daniels, tight end e parte integral do ataque já tremido dos Houston Texans – perna partida, fora oito semanas. Isto sem falar das múltiplas concussões e pequenas lesões que se multiplicam com cada jogo nas pernas. A ficha de lesionados da liga mais parece um cemitério.

Mas isto é tudo menos uma novidade. Acontece todos os anos. Por mais triste que seja admitir esta realidade, a grande maioria dos jogadores da NFL entra em campo com a consciência de que pode ser o seu último jogo. Mais, de que pode ser a última vez que têm algo a que se pode chamar remotamente um corpo saudável. Aceitam-no como algo que “faz parte do jogo”.

Mas o futebol americano não é uma atividade “normal”. Não é normal saber que há 11 homens do tamanho de armários e a boa-disposição de um enxame de abelhas do outro lado cuja missão é destruir o infeliz a quem lhe calhou a fava de ter a bola nas mãos. Principalmente se considerarmos que uma mistura de evolução genética e revolução tecnológica tem feito com que cada novo jogador que chega à NFL seja maior e mais rápido que o anterior.

A liga tem tomado algumas medidas para tentar evitar problemas de maior, nomeadamente maiores penalizações por contacto físico depois da jogada estar parada e maior proteção aos jogadores ofensivos, vítimas dos tackles mais duros.  Para além disso, depois de forte pressão (sob a forma de alguns processos legais) por parte de ex-jogadores, a liga tem agora regras muito mais apertadas para permitir que um jogador volte aos relvados depois de sofrer uma concussão, uma lesão craniana que, tem sido provado, pode vir a ter consequências gravíssimas na saúde física e mental dos jogadores pouco depois de abandonarem da liga.

Mas será suficiente? Mesmo quando sabemos que até a prática mais moderada de futebol americano pode causar danos cerebrais irreversíveis? Mesmo quando sabemos que muitos pais continuam a enviar os seus filhos para as ligas infantis sem uma percepção adequada dos perigos futuros? Mesmo quando o preço de um momento de glória pode ser uma vida de dor? Também isso fará “parte do jogo”?

Pedro Quedas

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