December 7, 2019

Excepto o poker, esse espalha-se pelo mundo.

A velha expressão da cidade norte-americana, capital do pecado, parece aplicar-se bem a todos os devaneios e loucuras que lá ocorrem, excepto ao poker, que se alastra para todos os cantos do mundo. As World Series of Poker (WSOP), o mais antigo festival de poker, ainda retém o estatuto de instituição do poker, Meca de verão e peregrinação para jogadores de todo o mundo. Mas o poker também acontece fora de Vegas, e os recordes batem-se em sucessão na Europa.

A recente abertura da temporada 10 do European Poker Tour (EPT) no início de Setembro, aqui mesmo ao lado, em Barcelona, foi palco do maior torneio com entrada de mil euros fora de Las Vegas (1798 jogadores), o maior torneio High-Roller do EPT, com 180 jogadores (são considerados High-Rollers apenas os torneios com entrada de dez mil euros), e o maior torneio principal do EPT em Barcelona (1234 jogadores com uma entrada de cinco mil euros). Barcelona, cidade visitada dez vezes nas dez temporadas do maior circuito europeu de poker, serve bem de barómetro para a explosão da modalidade no velho continente ao longo da última década. O jogo de poker, que está tradicionalmente ligado à cultura norte-americana e que encontra em Las Vegas o seu expoente máximo, é hoje praticado em todos os continentes, com cada vez maior profissionalismo e competitividade.

As WSOP ainda são o reduto máximo do poker e Las Vegas o epicentro deste desporto, mas o cenário muda rapidamente fora de Vegas. A Europa e a Ásia são cada vez mais activas na produção de grandes jogadores e palco de grandes torneios. Na Europa, o European Poker Tour estabelece-se cada vez mais como o maior circuito do mundo, ofuscado apenas pelo Evento Principal das WSOP e, na Ásia, a cidade de Macau destronou Las Vegas em 2007 tornando-se a capital do lucro de jogo. Apesar destes lucros incluírem resultados de todos os jogos praticados em casino e não apenas poker, o jogo tem sido cada vez mais aceite por jogadores asiáticos e tem apresentado um crescimento considerável na Ásia.

Os planos de construção de uma EuroVegas, em Madrid, por Sheldon Adelson (o que acontece em Madrid, fica em Madrid?), e a criação da Cotai strip ,em Macau, vão criar mais dois epicentros do jogo que irão rivalizar directamente com a estrela do deserto de Nevada. Resta saber que impacto terão estas novas “capitais do pecado” na evolução do jogo e na produção de novos torneios, jogadores e campeões.

Miguel Barradas

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