December 8, 2019

Ponto prévio: Tiro o meu “chapéu de côco” a 2 pessoas: Leonardo Jardim e Bruno de Carvalho. Sim sou lampião da ponta do meu mais recente cabelo branco até à unha do dedo mindinho do pé direito, mas simplesmente não me consigo desprender de olhar para o outro lado da 2ª circular e aplaudir todo o trabalho recentemente feito.

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Eu tive o meu Vale e Azevedo, sei de tudo o que pode correr mal na gestão de um clube. Situação idêntica passou um dos meus rivais nos ultimos anos, principalmente com as gestões desastrosas que me davam motivos para “picar” os meus amigos mais chegados anti-benfiquistas, mas no fundo sempre torci por um campeonato com mais do que apenas 2 clubes a lutarem por titulos nacionais. Futebol é isto, é conseguir superar os rivais que estão na luta, e não saber se logo à quinta ou sexta jornada um deles já não luta pelo título.

 

Bruno de Carvalho agarrou no mais importante: o orgulho de ser sportinguista, de certeza que é igual ao meu orgulho vermelho e branco. Numa fase de mudança uniu as claques. Bateu o pé à banca portuguesa, essa “maldita” que tinha as torneiras sempre abertas para o Sporting, desde que o Ricciardi tivesse sempre um lugar quentinho na administração da SAD. Avança com a auditoria, doa a quem doer. Fechou a porta a contratações milinionarias, tendo em conta o rendimento que essas mesmas contratações tiveram. Agarrou no melhor que o Sporting tem para oferecer desde sempre, independentemente dos resultados da equipa senior: a formação.

 

E aqui entra Leonardo Jardim. Treinador jovem mas calejado, orientou equipas em todas as divisões de futebol em Portugal. Arrasou na Grécia…e não só no futebol (ahhh malucooo, devias ter salários em atraso). Com discurso simples e coerente (se comparar com o meu “mister”…) impõe desde cedo um futebol simples mas directo e bonito de se ver pelos lados de Alvalade, dos melhores da última década verde-e-branca.

 

Na primeira volta senti aquilo que pretendo para o meu clube, mas senti no lado errado. Vi paixão, vi garra, vi amor a uma camisola…pena não ser a do Benfica…

Muito se fala dos milhões que o Benfica tem gasto ano após ano em jogadores, alguns deles com enorme sucesso, mas também não posso esquecer nunca os outros que mal calçam e transpiram a camisola de Cosme Damião.

Ficou desde cedo provado que não são precisos milhares e milhares de euros gastos para se poder ser competitivo. Apenas é preciso um treinador minimamente competente, com estrutura minimamente competente.

 

Os milhões que os azuis e os vermelhos gastam não pagam nunca aquilo que já vi este ano em Alvalade…aquilo que Cedric, André Martins, Adrien, Rui Patrício sentem quando jogam com a camisola dos 5 violinos e Manuel Fernandes. Incutidos desde cedo nos escalões de formação a importância do clube na sua vida, na sua formação como homens e jogadores, vivem desde a nascença um amor inquestionavel pelo leão que envergam ao peito…eles sabem muito mais o que é um derby do que praticamente todo o plantel do meu querido Benfica, eles sabem o que é ir para a escola, ora de sorriso de orelha a orelha, ora com trombas maiores do que um elefante. Eles, no fundo, significam parte de um qualquer adepto que paga 25 ou 30€ (ou muito mais ainda) para assistir a um grande jogo, que convive antes e após o jogo na primeira roulote que nos aparece à frente com mines e coiratos de qualidade.

 

Olho para o meu clube e vejo o surgimento de um Ivan Cavaleiro… eu sei é pouco, muito pouco… mas é de certeza o que sabe ao certo o que se vai passar no próximo dia 9 no relvado novo da Luz (por favor, mais um campo de cultivo igual ao de Barcelos é para evitar). Vejo um plantel equilibrado, muito profissional, mas aquele amor à camisola, meus amigos, aquele amor…….. só nós sabemos o que vale, o que nos dói, o que nos trás a lagrima de raiva ou de alegria, o que nos leva a gastar dinheiro ano após ano para seguir a nossa maior paixão…

 

Prevejo um jogo muito equilibrado na próxima jornada, espero, claro, que o Benfica ganhe e que o Cardozo faça o que melhor faz – não não é falhar penalties -, marcar golos e meter como sempre o Rojo no bolso (mas por favor o Capel que não faça o mesmo com o Maxi). Curioso para ver que os dois médios-defensivos que foram esteio nas respectivas equipas na primeira metade do campeonato não jogam, Dier e Fejsa terão um duro teste pela frente, principalmente Fejsa, que carrega até Maio um fardo enormíssimo.

 

Que ganhe o melhor. Saudações.

 

Ricardo Rodrigues

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