December 15, 2017

 

E eis-nos no fim do longo calvário que atinge todos os fãs de futebol americano e que, pelo que vou percebendo, são cada vez mais em Portugal.

 

Na próxima madrugada de quinta para sexta-feira os New England Patriots recebem os Kansas City Chiefs, jogo que assinala o primeiro encontro oficial desde o Super Bowl LI, em que a equipa de Tom Brady fez história, ao recuperar uma desvantagem de 25 pontos e conquistar o seu quinto troféu.

 

 

Desde Fevereiro até agora, muito se passou, porque a NFL não pára. As coisas mais importantes foram:

 

– A retirada de Tony Romo. O antigo quarterback dos Dallas Cowboys vai passar para a cabine de comentários da CBS, entregando de vez as rédeas da equipa a Dak Prescott;

 

Tony Romo disse adeus à competição.

 

– O Draft, que viu Myles Garrett (defensive end, vindo de Texas A&M) ser escolhido em primeiro lugar pelos Cleveland Browns e os Chicago Bears trocarem pelo segundo lugar para escolherem o seu quarterback de futuro (e talvez presente) Mitchell Trubisky (North Carolina), uma vez que se viram livres de Jay Cutler (que passou de comentador para titular dos Miami Dolphins devido à lesão de Ryan Tannehill);

 

Mitchell Trubisky, a segunda escolha do draft deste ano.

 

A primeira escolha do draft deste ano, Myles Garrett.

 

– Brock Osweiler foi trocado de Houston para Cleveland, sendo depois libertado e tendo entretanto assinado pelos Denver Broncos. Os Houston Texans perceberam que não era Osweiler a solução para a posição e despacharam o jogador para Cleveland, mais uma escolha de segunda ronda do próximo draft, como compensação pelo facto de os Browns absorverem o salário desta época (16 milhões de dólares).

 

Passando agora a uma antevisão da temporada que se avizinha, a pergunta que se impõe é: Quem poderá impedir os Patriots de, no mínimo, marcarem presença no Super Bowl? Os campeões não perderam nenhum jogador fulcral (no sistema de Belichick só Brady parece ser imprescindível e mesmo isso é discutível, vide primeiros quatro jogos da temporada regular passada). Martellus Bennett e LeGarrette Blount são as saídas mais notáveis. Mais recentemente, os Pats sofreram uma baixa importante, com a lesão de Julian Edelman, que vai afastar o jogador durante toda a temporada. Já a lista de reforços é impressionante: Dwayne Allen (tightend, ex-Colts), Stephon Gilmore (corner back, ex-Bills), Brandin Cooks (wide receiver, ex-Saints), Rex Burkhead (running back, ex-Bengals), Mike Gillislee (running back, ex-Bills) e Phillip Dorsett (wide receiver, ex-Colts, este por troca com Jacoby Brissett, QB). Um caso nítido de rico a ficar mais rico.

 

Na AFC as principais ameaças virão de Pittsburgh e Oakland. Os Steelers contam com o regresso de Martavis Bryant para ajudar a abrir o campo para Antonio Brown e Le’veon Bell. O problema para a equipa de Mike Tomlin tem sido manter toda a artilharia em campo ao mesmo tempo, seja por lesões ou por castigos. Ben Roethlisberger continua entre a elite dos quarterbacks, e, se todos se mantiverem disponíveis, os Steelers serão um adversário poderoso.

 

O veterano Ben Roethlisberger.

 

Já em Oakland a maior curiosidade é, sem dúvida, o regresso de Marshawn Lynch à acção, após um ano sabático. Se tivermos Beast Mode na sua melhor forma os Raiders contarão com uma grande melhoria no seu ataque. Adicionaram também o tight end Jared Cook, que irá emprestar maior qualidade à posição. A maior dificuldade desta equipa passa por estar inserida numa divisão extremamente competitiva, onde todos podem ganhar a todos e também por estarem de malas aviadas para Las Vegas, factor que poderá criar um ambiente algo estranho nos jogos caseiros. Na divisão dos Raiders moram duas das equipas que irei observar com maior curiosidade, por razões diferentes: Denver Broncos e Los Angeles Chargers.

 

Em Denver houve mudança de treinador principal: por motivos de saúde, Gary Kubiak deu o seu lugar a Vance Joseph, que na época passada foi coordenador defensivo dos Miami Dolphins. A situação no lugar de quarterback continua a ser preocupante, com Trevor Siemian a linha ofensiva foi alvo de uma pequena remodelação, com as entradas de Ronald Leary (guard, vindo de Dallas) e Menelik Watson (tackle, ex-Raiders) a visarem a protecção de Siemian e a abertura de rotas para o jogo em corrida (em 2016 os Broncos foram apenas a 27ª melhor equipa no jogo em corrida). De grande qualidade continua a ser a defesa, tanto nas primeiras linhas defensivas (Von Miller continua a aterrorizar adversários) e a secundária está bem entregue a Talib, Chris Harris e Darian Stewart.

 

Os Los Angeles Chargers estarão sob os holofotes por estarem de regresso a Los Angeles, também com novo treinador principal (Anthony Lynn, chegado de Buffalo, onde era adjunto do treinador principal e treinador de running backs). A jogarem num estádio bastante mais pequeno do que o normal na liga (StubHub Center, casa dos LA Galaxy e com capacidade para cerca de 30.000 espectadores, em contraste com os cerca de 70.500 do Qualcomm Stadium em San Diego), vamos ver que tipo de ambiente irão os Bolts criar no seu recinto temporário.

 

Continuando na AFC, temos alguns candidatos a uma fazerem uma surpresa, começando pelos Houston Texans, assim consigam resolver a equação sobre quem será o QB titular. Pelas indicações Tom Savage vai começar a titular, mas o rookie Desahun Watson tem impressionado durante a pré-temporada e pode saltar para o XI a qualquer momento. A defesa é simplesmente das melhores da liga e vai ser uma delícia para os fãs dos Texans ver JJ Watt e Jadeveon Clowney em campo em simultâneo.

 

Os Baltimore Ravens também esperam recuperar de uma temporada desastrosa, muito marcada pelas lesões. A principal preocupação é Joe Flacco, que esteve practicamente toda a temporada de 2016 fora devido a uma lesão num joelho, e já nesta época esteve de baixa por força de um problema nas costas. Se o ataque funcionar a um nível aceitável, a defesa certamente fará a sua parte, ancorada em CJ Mosley e Eric Weddle.

 

A ter em atenção ainda os Miami Dolphins, que apesar de terem ficado sem Tannehill devido a lesão, foram buscar Jay Cutler à cabine de comentador, o que pode ser uma melhoria na equipa, devido à familiaridade entre Cutler e o treinador principal, Adam Gase. Os Dolphins conseguiram um lugar nos playoffs de 2016 e entram nesta temporada a pensar no mesmo e com condições para lá chegarem.

 

Pela parte negativa, nesta conferência temos os New York Jets, que estão em reconstrução e deverão ser a equipa mais desinteressante de seguir e os Cleveland Browns, dos quais se espera que consigam um registo melhor do que o atingido na pretérita temporada (1 vitória e 15 derrotas). Uma nota ainda para a cirurgia ao ombro a que foi submetido Andrew Luck, e que tem impedido o número 12 dos Colts de se treinar com a equipa, tendo sido já anunciado que na primeira semana o quarterback titular será o suplente Scott Tolzien.

 

Passando à NFC, o panorama é bastante diferente – à semelhança da NBA, a diferença de qualidade entre as duas conferências é enorme. Entre Atlanta Falcons, Dallas Cowboys, New York Giants, Carolina Panthers, Green Bay Packers, Seattle Seahawks e Arizona Cardinals não me atrevo a avançar sequer com favoritos a finalistas de conferência, tanta é a qualidade.

 

Começando pelos campeões de conferência em título, os Atlanta Falcons, vão ter muito trabalho para defender o ceptro. Os Falcons perderam o arquitecto de um ataque histórico, o coordenador ofensivo Kyle Shanahan que aceitou o convite dos San Francisco 49ers para ocupar o cargo de treinador principal. Foi substituído por Steve Sarkisian, que veio da universidade de Alabama. Sem grandes alterações no plantel comandado por Dan Quinn, espera-se ver de novo futebol de alta qualidade no novíssimo e estonteante Mercedes-Benz Stadium.

 

Já em Dallas, a grande incógnita, à hora a que escrevo, prende-se com a disponibilidade de Ezekiel Elliott, suspenso 6 jogos por violar o código de conduta pessoal da NFL, num caso de alegada violência doméstica. O jogador recorreu, foi ouvido em audiência de recurso e espera agora por uma decisão. Apesar de tudo, atrás daquela linha ofensiva até eu corria com a bola, mesmo não ganhando tanto terreno como Zeke.

 

Ezekiel Elliott não conseguirá evitar os problemas com a justiça com a mesma facilidade com que o faz com os adversários.

 

Na mesma divisão estão os New York Giants, que já tinham uma boa unidade defensiva, e que a mantêm. O ataque registou a chegada de Brandon Marshall, chegado dos vizinhos Jets, um receiver que abrirá mais espaço para Odell Beckham, que, sozinho, já era uma dor de cabeça para as defesas contrárias. No segundo ano de Bem McAdoo ao comando dos Giants as expectativas na Big Apple são elevadíssimas.

 

 

Passando aos Carolina Panthers, duas épocas após a presença no Super Bowl, a equipa de Ron Rivera e Cam Newton espera regressar a esses tempos. Uma das grandes esperanças dos adeptos é o running back rookie Christian McCaffrey, muito bom no jogo em corrida e também no jogo em passe. Se Cam (recuperado da operação a um ombro) e Luke Kuechly (linebacker) não sofrerem lesões, os Panthers regressarão aos bons resultados.

 

Nunca podemos deixar de fora destas contas os Green Bay Packers (Aaron Rodgers faz milagres e este ano vai ter Martellus Bennett, vindo de New England como arma) e os Seattle Seahawks, que adicionaram Sheldon Richardson a uma defesa já de topo.

 

 

Russell Wilson espera apenas que a sua linha ofensiva o proteja melhor, e não o faça passar tanto tempo a correr pela sua vida. O número 3 dos Seahawks tem em Doug Baldwin um dos mais subvalorizados receivers da NFL e espera que, no seu terceiro ano com a equipa, Jimmy Graham possa repetir a época de 2013 na qual, ao serviço dos New Orleans Saints, ganhou 1215 jardas em recepção e fez 16 touchdowns.

 

 

Ainda na NFC Oeste, temos outra equipa à espera de regressar aos bons resultados, os Arizona Cardinals (Angry Birds para os amigos). Com muita experiência, principalmente em Carson Palmer e Larry Fitzgerald, a janela de oportunidade está a fechar-se. David Johnson é um dos melhores running backs da liga e está pronto para destroçar as defesas adversárias, e a defesa acolhe de braços abertos o regresso de Tyrann Mathieu. O Honey Badger passou por uma lesão no ombro que o afastou dos últimos 6 jogos da época passada. Para ajudar chegou Antoine Bethea dos rivais 49ers, safety com 11 anos de experiência na NFL, sempre em bom nível.

 

Na NFC as surpresas poderão vir dos Tampa Bay Buccaneers, que pescaram um dos maiores peixes da Free Agency, DeSean Jackson. Chegado de Washington, e que vai formar com Mike Evans uma das mais fortes duplas de receivers da liga. Prometem fazer os coordenadores defensivos adversários perder muitas horas de sono. Também os Detroit Lions esperam dar um passo em frente sob a batuta de Matt Stafford, que renovou recentemente contrato. A época passada a equipa da Motown parecia ir no bom caminho para vencer a divisão, mas uma pequena, porém incomodativa, lesão num dedo de Stafford fez com que os Lions caíssem logo na primeira ronda dos playoffs.

 

As minhas curiosidades nesta conferência vão para os Los Angeles Rams, com Sean McVay como novo treinador principal. Aos 31 anos McVay torna-se o mais novo treinador principal de sempre na NFL. Chega de Washington, onde era coordenador ofensivo e o trabalho feito com Kirk Cousins convenceu os Rams. Pela frente tem um desafio chamado Jared Goff, escolha número 1 do draft de 2016. Os Rams eram a equipa mais aborrecida ofensivamente da liga, agora os dirigentes e adeptos esperam que isso mude. Contam também com a adição de Sammy Watkins e Robert Woods, vindos dos Bills para revitalizar o jogo em passe da equipa, e com isso facilitar também o renascimento de Todd Gurley. O ponto forte da equipa continua a ser a defesa, que tem esta época em Wade Phillips o seu coordenador defensivo, uma das mais brilhantes mentes da liga e arquitecto da defesa de Denver que carregou a equipa até à vitória no Super Bowl 50.

 

Sean McVay, está prestes a tornar-se o mais jovem treinador de sempre de uma equipa da NFL.

 

As equipas mais fracas da conferência serão os Chicago Bears, com a posição de quarterback ainda indefinida (para já Mike Glennon é o titular, mas não há garantias sobre durante quanto tempo segurará o lugar) e os San Francisco 49ers, embora a equipa californiana tenha deixado boas indicações na pré-temporada, principalmente a nível defensivo.

 

Os dados estão lançados, a época 2017 da NFL começa à 1h30 da madrugada de sexta-feira, como já referido com os New England Patriots a receberem os eficientes, embora não deslumbrantes Kansas City Chiefs.

 

Para todos os que acompanham futebol americano e se quiserem aventurar, ficam os dados para se juntarem à fantasy league de NFL do Entre Linhas:

 

Link: entrelinhas.league.fantasy.nfl.com

Password: entrelinhas

League Id: 5755927

 

Nuno Fernandes

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