August 25, 2019

O Entre analisa o jogador do momento. Sem filtros. Sem cerimónias. Sem fazer falta.

 

A tradição formadora do

Sport Lisboa e Benfica não faz parte do seu ADN. Jogadores como Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto, Félix, Francisco Ferreira, Humberto, Chalana, Carlão, Luvas Pretas, Pietra, Bento, João Vieira Pinto ou Nuno Gomes, todos hall of famers do Museu, não foram amamentados via teta de Cosme.

Aliás, dos tempos antigos, arriscamos dizer que apenas Dois clubes faziam da sua localidade fonte de transpiração das suas equipas: são eles o Ajax de Amesterdão (Cruyff) e o Bayern de Munique. Nem Real, nem Barcelona, ou por exemplo o Sporting na sua fase mais pujante (os Cinco Violinos não foram formados em Alvalade) “precisaram” das suas canteras. Não era essa a filosofia.

O discurso presidencial

torna-se assim redondo, confuso e enganador. O Benfica é um clube transformador na sua espinha dorsal. Foi eficiente a encontrar talento no Ultramar. Sabia explorar novos mercados (início dos anos 90, o Brasileiro, com Carlos Mozer a chegar via Flamengo) mas mantinha-se fiel à sua tradição de apostar na “Portugalidade”, apesar de Eusébio e Coluna, os seus mais distintos jogadores de Futebol, terem nascido em Moçambique.

Hoje, o Benfica tem no seu plantel principal, contando com os empréstimos, 9 jogadores que em fases embrionárias das suas carreiras passaram pelas camadas jovens do clube. Sílvio. Eliseu. Nélson Semedo. Nunca como agora teve tanto jogador da Formação. A aposta compreende-se por dois motivos essenciais, quer-nos parecer:

> a necessidade de baixar custos, o Benfica precisa de baixar o tecto salarial e por época(s) mais surpreendente(s) de Champions que faça, tem jogadores importantes como Júlio César, Luisão, Taarabt (!) para pagar ao fim do mês;

> reposicionamento claro na valorização de activos, um jogador Da Casa dá dinheiro ao clube formador durante boa parte da carreira, algo a que se convencionou chamar de “direitos de formação”. São activos em movimento.

Quer isto dizer que

vale mais um Renacho Santes em constante trânsito entre clubes do que um Renacho Santes a capitanear o meio-campo Benfiquista dentro de 4 anos. Pelo menos, parece ser essa a lógica de cash in do grão-ducado Vieirista. E da sua agremiação de bons rapazes, irrequietos empresários e longos parceiros de estranhas negociatas (Roberto, Sílvio, Pizzi, Salvio, Ola John, entre centenas de outras transacções).

O Seixal sim pode dar bons jogadores de 5 em 5 anos. O Seixal sim pode trazer jogadores de qualidade questionável (André Almeida), média (Gonçalo Guedes) e acima da média (Renato Sanches). O Seixal sim também pode dar berço a jogadores como

Mika

Bruno Varela

Danilo

Nélson Oliveira

João Cancelo

André Gomes

Bernardo Silva

Ivan Cavaleiro

entre dezenas de outros que raramente viram a luz do dia no plantel principal encarnado. Os adeptos do Benfica congratularam-se com a facturação de perto de 50M (alegadamente, os números saíram mais tarde e não foram os oficialmente anunciados…) com as vendas de Bernardo, Cancelo e Cavaleiro.

Nada mais errado. Falamos de 3 potenciais jogadores de Selecção, uma delas certeza enquanto jogador e uma raridade nos tempos que correm desde o início desta época: criatividade a meio-campo.

Estamos em crer que se Rui Vitória tem chegado um ano mais cedo à Luz talvez a estória fosse outra. O Benfica poderia hoje ter um dos meio-campos mais entusiasmantes da Europa, made in Seixal: André Gomes, Danilo e Bernardo Silva.

André é hoje titular do Valência de Jorge Mendes.

Bernardo fez época fulgurante no Mónaco de Jorge Mendes em 2014/2015.

E Danilo é titularíssimo do FC Porto, maior rival do Sport Lisboa e Benfica…

 

O Renacho Santes

É sem dúvida um talento à solta. Mas não esquecer que actualmente estas promessas caem mais rápido do que se levantam… Manel Fernandes também era incrível e foi turbo-aspirado a capas d’a Bola para nada.

O que o Benfica precisaria era de um gestor de comunicação para a formação. O FC do Porto ganhou nos anos 90 com Defesas e Meio-Campos da casa e nunca ninguém falou muito disso.

No fundo, a fórmula será essa: deixar os jogadores em paz. Não metê-los em estapafúrdios pedestais. Deixar a simulação para o FM e para o FIFA. Renacho joga bem mas também joga mal. É este princípio básico, que tanto vale para Renacho como para Vinicius, Luiz Carlos, João Mário, Ronaldo ou Messi, que poucos parecem querer assimilar.

 

As perguntinhas

será Renacho Santes um fenómeno da Natureza enquanto simples jogador de Futebol? Revisite-se o jogo do Bessa. Os jogos contra os grandes. Alguns jogos em casa. Esqueça-se o remate a 30m, esse já lá vai…

1. Renacho será o novo nº10 do Benfica?

2. Renacho terá condições para se impor, daqui a uns anos, num gigante do Futebol Europeu?

3. Renacho tem condições para entrar de caras no 11 da Selecção?

4. Renacho deve repensar a sua abordagem aos lances de construção de jogo?

5. E em termos disciplinares… deve Renacho ter mais juízo a disputar lances?

6. Quanto vale realmente Renacho Santes?

7. Deve mudar o nome Renacho Santes para Renatinho, Renatão ou Renacho Sanchez?

8. A quantos km/h foi o seu remate a 30m?

9. Porque não foi expulso Renacho em Belém ou em Alvalade?

10. Será Renacho um jogador-referência para o Sport Lisboa e Benfica daqui a 5, 10 anos?

Manuel Tinoco de Faria

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