December 8, 2019

 

Estamos à beira de mais uma edição do campeonato nacional, esta com a particularidade de contar, pela primeira vez, com o recurso ao vídeo-árbitro (VAR).

Muito se tem falado sobre a introdução deste meio no futebol. De um lado os que pretendem que o jogo se torne mais justo, limpo e onde não haja espaço para o erro grosseiro; do outro, os que o acusam de matar a emoção, ou porque o tal erro faz parte do jogo ou pelo suposto tempo até à decisão final ser tomada.

 

O Troféu Cinco Violinos, disputado entre o Sporting e a Fiorentina, é o exemplo perfeito de como o VAR será uma mais-valia para o jogo. Para os que não viram, explico de forma sucinta o que aconteceu. Bas Dost aparece na grande área e faz golo, jogada imediatamente anulada pelo árbitro auxiliar por fora-de-jogo do avançado holandês. O árbitro principal solicita de imediato o recurso às imagens televisivas. Quem está a assistir ao jogo pela televisão já viu a repetição do lance e constata que Bas Dost está em jogo e o golo é perfeitamente legal. O mesmo acontece com o árbitro principal, que vê as imagens no ecrã junto ao relvado e valida a recomendação do VAR. O Sporting acabaria por vencer a partida por 1-0.

 

Imaginemos então que o VAR ainda não estava em funcionamento e o jogo contava para o campeonato nacional. Aquele golo seria anulado. O árbitro auxiliar não beneficiava o atacante, o que pressupõe que teria a certeza absoluta do fora-de-jogo (só que não) e a partida acabaria empatada a zero. Dois pontos a voar, polémica para o resto da semana, pressão sobre a arbitragem, etc. Quantas vezes já vimos isto? Quantos jogos já foram perdidos ou empatados graças ao erro grosseiro? Pergunto-me para quem iria o campeonato no ano em que uma mão do Ronny fez golo e deu três pontos ao Paços de Ferreira em Alvalade…

 

Os críticos do vídeo-árbitro caem constantemente no ridículo para defender algo indefensável. Após o Sporting x Mónaco, em que o vídeo-árbitro anula um golo aos franceses (mais uma vez bem), os “isentos” comentadores da SIC Notícias chegaram a dizer que o golo não devia ter sido anulado porque era muito bonito. Perante isto confesso a minha dificuldade em continuar a argumentar…

 

O VAR não vai resolver todos os problemas dentro das quatro linhas, mas vai ajudar a acabar com o tal erro grosseiro, seja o golo com a mão ou o fora-de-jogo escandaloso. Concordo que o erro é humano mas não será melhor para os próprios árbitros terem ajuda para decidirem e assim evitarem menos críticas e pressões? Só se realmente não quiserem apitar segundo as regras…

 

A teoria de que demora muito tempo a decidir também é uma falsa questão. O golo de Bas Dost demorou exatamente um minuto e 18 segundos a ser validado. Quanto tempo se perde quando um jogador está no chão no final do jogo? Quanto tempo demora um guarda-redes a bater um pontapé de baliza? Quanto tempo demora a organizar uma barreira num livre?

 

Os críticos do VAR não estão preocupados com a emoção do futebol, estão antes chateados porque já não vão poder ganhar jogos com o “fechar de olhos” dos árbitros, esse ligeiro pormenor que, muitas vezes, ajuda a decidir campeonatos.

 

Pedro Gabriel

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