May 22, 2019

Nenhum jogo nas “divisional rounds” foi remotamente igual ao outro. Não foram todas necessariamente grandes partidas, mas pelo menos foram todas diferentes. Primeiro, tivemos o jogo entre Kansas City Chiefs e New England Patriots, em que os Chiefs tiveram uma boa oportunidade para tentar roubar o jogo aos Patriots, mas desperdiçaram tanto tempo no seu último touchdown (um problema recorrente com as equipas de Andy Reid) que acabaram por não conseguir concretizar a recuperação a tempo. Seguiu-se o louco jogo entre Green Bay Packers e Arizona Cardinals, dominado por recuperações milagrosas, dois “hail marys” concretizados no mesmo jogo e, pura e simplesmente, o melhor e mais excitante futebol que a NFL tem para oferecer. Os Cardinals acabaram por ganhar por 26-20, no prolongamento. O dia seguinte começou com o confronto entre Carolina Panthers e Seattle Seahawks, um jogo que, na verdade, contou por dois. Isto porque na primeira parte, os Panthers destruíram completamente os Seahawks, acumulando uma vantagem de 31-0 ao intervalo. Mas depois, num misto dos pupilos de Rivera a tirar o pé do pedal e Russell Wilson a ser Russell Wilson, os Seahawks quase conseguiram dar a volta ao jogo, que terminou em 31-24. Para o fim, ficou talvez o jogo menos interessante da última ronda. Numa partida dominada pelas defesas e decidida pelos mais mundanos detalhes de execução, os Denver Broncos acabaram por vencer os Pittsburgh Steelers (26-13). Ganhou quem acabou por cometer menos erros.

Já só faltam dois jogos para o tão antecipado confronto no Super Bowl. Vamos tentar desvendar o véu do que poderá acontecer este fim-de-semana:

 

AFC CONFERENCE FINAL

New England Patriots @ Denver Broncos

Brady/Manning XVII. Prestes a defrontarem-se pela 17ª vez nas suas condecoradas carreiras seria expectável que os dois veteranos quarterbacks já estivessem preparados para todas as possibilidades. Que o legado coletivo das suas batalhas leve a que os seus talentos se cancelem mutuamente e tornem este duelo uma decisão de moeda ao ar. Bem, isso seria verdade se não fosse o facto de Peyton Manning estar em acentuado declínio e de Tom Brady ser imortal. Seja como for, isto é a NFL – e aqui as vitórias são alcançadas centímetro a centímetro, sector a sector. E é nesses confrontos sectoriais que as equipas se cancelam mutuamente. O ataque dos Denver Broncos é razoável, mas não explosivo – tal como a defesa dos Patriots. E o ataque dos Patriots é estelar e virtualmente imbatível – tal como a defesa dos Broncos. Em última instância, o factor X que talvez desequilibre os pratos da balança para os Patriots é a capacidade de Brady de pensar (e agir) rapidamente no passing game, anulando assim a força do devastador pass rush dos Denver Broncos. Antecipam-se poucos pontos marcados e um jogo apertadíssimo que deverá ser decidido pela incerteza de um field goal longo nos últimos segundos. Sendo que tenho de escolher alguém, não consigo não “votar” em Tom Brady.

Vencedor: New England Patriots

 

NFC DIVISIONAL ROUND

Arizona Cardinals @ Carolina Panthers

O que temos aqui é um confronto entre duas equipas que são simultaneamente muito semelhantes e completamente diferentes. Os Arizona Cardinals têm o melhor ataque na liga, com uma legião de ridiculamente talentosos wide receivers prontos a correr por todo o lado e apanhar passes teleguiados do veterano quarterback Carson Palmer. Já o ataque dos Carolina Panthers, não sendo tão bom como o dos Cardinals, não é nada de se deitar fora. Apesar das opções de passe não serem incríveis para lá do inquebrável tight end Greg Olsen, Cam Newton está a ter um ano de MVP, conseguindo consistentemente deixar as defesas adversárias sem estratégia possível para o impedir de fazer o que quer – o resultado de se ter um quarterback que, a cada dada jogada, pode perfeitamente correr com a bola ou encontrar um velocista isolado nas linhas laterais. Já na defesa, ambas as defesas têm uma primeira linha virtualmente intransponível, mas enquanto a restante força dos Cardinals está nos seus cornerbacks, já os Panthers socorrem-se mais do duo de linebackers formado por Luke Kuechly e Thomas Davis, com alguma ajuda do dinâmico cornerback Josh Norman. A grande fragilidade dos (levemente) favoritos Panthers está nos passes longos inesperados que abrem a defesa verticalmente – e essa é uma das principais armas no arsenal dos Cardinals. Mas a equipa de Carolina é perita em forçar os seus “inimigos” a adaptarem-se ao seu estilo de jogo, mais musculado e “junto ao chão”. Por essa razão, entrego a muito ténue vantagem aos guerreiros de Ron Rivera.

Vencedor: Carolina Panthers

 

Cá se fazem…

Uma coisa que estes playoffs têm demonstrado é que, quando o nível de talento chega a estes níveis, mesmo as melhores jogadas raramente ficam sem resposta. Por exemplo, quando Carson Palmer teve este (muito sortudo) passe para touchdown…

… Aaron Rodgers teve de responder com esta bola milagrosa.

Do mesmo modo, depois de, na primeira parte, Cam Newton e Greg Olsen terem convertido este belíssimo touchdown…

… Russell Wilson não se quis ficar atrás.

Ainda assim, há certas coisas que não têm resposta possível, como esta humilhação de Rob Gronkowski a Eric Berry…

Pedro Quedas

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