December 8, 2019

O que faz de especial esta prova ? O porquê de ser o “Inferno do Norte” ? Muito fácil de responder.

É uma clássica, prova de um dia, épica. Tem cerca de 260km em terreno plano mas com 28 secções de pavé. E o que é pavé ? São zonas de calçadas. Mas não são de calçada boa, como vemos nas zonas históricas das nossas cidades. É calçada onde até carros têm dificuldades em passar.  Como é óbvio as bicicletas têm os seus quadros e rodas desenvolvidas especialmente para esta prova mas mesmo assim os problemas mecânicos e furos nas rodas são o prato do dia desta prova o que dita muitas vezes os possíveis vencedores.
Essas zonas de pavé estão classificadas com grau de dificuldades. Tento em conta o estado desse sector e a distância do mesmo são classificados de uma a cinco estrelas, sendo a uma estrela o mais leve em termos de dureza.

 

O sector mais mítico é o “Trouée d’Arenberg”. Tem cerca de 2400 metros e é uma estrada muito estreita e sempre cheia de público. Muito irregular torna um sitio, não decisivo, mas onde os ciclistas ficam seleccionados para a vitória. Não me lembro de ver uma passagem neste mítico sector onde não haja quedas ou furos.

 

Imagem 1

 

Outro factor importantíssimo é o estado meteorológico onde nada é bom para esta prova. Quando o tempo está seco, há imensa poeira nos sectores de pavé muitas vezes incomodando os ciclistas não só na visão mas também na respiração. Quando o tempo está muito húmido com chuva, além dos perigos que todos sabemos de andar à chuva ainda há mais a lama. Imensa lama entre os sectores que torna os ciclistas irreconhecíveis tendo sempre que tentar ao máximo limpar o equipamento com as mãos para ser possível ver os patrocinadores, na chegada à meta.

 

imagem 2

 

Bem que podia estar aqui a escrever páginas e páginas sobre esta enorme corrida mas para me despedir quero deixar aqui as últimas curiosidades. A corrida terminou quase sempre no velho Velódromo de Roubaix. Um velódromo ao ar livre com 750 metros onde o ciclista termina dando duas voltas ao mesmo.
Os ciclistas com mais vitórias na prova são ambos Belgas, cada um com 4 vitórias. São eles Roger De Vlaeminck, nos anos 70, e bem mais recente Tom Boonen sendo o Holandês Niki Terpstra o último vencedor, neste domingo.
Para último quero dizer que este inferno tem sensivelmente cinco horas e meia de corrida mas a versão mais lenta foi em 1919 que demorou mais de doze horas de corrida. Sim, doze horas numa bicicleta a andar basicamente em pedras. Isto aconteceu devido à primeiro grande guerra que deixou as estradas bem piores do que já são.

 

António Almeida

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