December 8, 2019

Com 13 pontos de avanço sobre o rival e outro milionário da Ligue 1, o Paris Saint-Germain afirma-se a cada jornada que passa como o mais sério candidato à sua sucessão como campeão de França. Esse é e será sempre o primeiro objectivo de um clube que viu os seus adversários e rivais (Marselha, Mónaco, Bordeaux, Lyon) acumular títulos e glória nos últimos anos, e que tem um pequeno fosso a cobrir para recuperar do “atraso”. O bis, sem estar já no papo, está cada vez mais próximo. Porém, Paris sabe que as dinastias futebolísticas se criam e mantêm no maior palco anual do mundo do futebol: a Champions League.

 

A Liga dos Campeões (LdC) é o último bastião para o PSG, a fronteira que ainda o separa dos “Grandes da Europa”. Se o Porto e o Benfica têm, na sua longa história e percurso, inúmeros títulos, inclusive europeus, o PSG tem sobretudo Taças de França(8) e Taças da Liga (3). Nascido em 1970 da fusão do Stade Saint-Germain e do Paris Football Club, este bebé da capital francesa é ainda jovem e sedento de títulos. Campeonatos Nacionais, tem apenas 3, e parece caminhar para o quarto. Então, o foco vai para territórios nunca conquistados.

 

Paris fez uma excelente campanha 2012/13 de LdC, saindo primeiro do seu grupo com 5 vitórias em 6 jogos; eliminou em seguida o Valencia, indo ganhar 2-1 em Mestalla antes de empatar no Parc des Princes. Veio em seguida o monstro catalão, o grande Barcelona. O empate 2-2 em casa obrigava quase ao equipa parisiense a ganhar no Camp Nou. E com um jogo que serve até hoje de referência para o campeão em título francês, o público parisiense acreditou possível até ao último minuto, tamanha foi a entrega dos seus jogadores.

 

Messi começou o jogo no banco, Thiago Silva, o capitão do PSG, anulou o meio campo ofensivo de Barcelona; Ibrahimovic e Pastore martelaram a defesa do adversário, até ao minuto 49 e o golo que permitiu a Paris sonhar com as meias-finais da Liga Milionária. Resistir passou a ser a palavra de ordem, enquanto Vilanova jogava a sua última e mais valiosa carta: LaPulga. Messi muda o equilíbrio da partida, dando a Barcelona outra profundidade. Os seus dribles fazem o efeito desejado, e apesar de a defesa parisiense ter tentado todo o seu possível, uma incursão do argentino entre três jogadores, um passe para David Villa que, atabalhoadamente, em pleno centro da grande área, consegue dar a bola a Pedro. Um remate de primeira, e Paris passa do sonho ao pesadelo. Apesar deste empate sinónimo de eliminação, o PSG só se dá por vencido depois do apito final. Até então, um recital ofensivo contido por Barcelona ditou a eliminação sem derrota da equipa francesa.

 

Em 2013/14, a campanha começou igualmente bem. Primeiro do grupo, desta feita com 13 pontos, Paris entra esta noite na prova de fogo: o Chelsea FC de José Mourinho, John Terry e Samuel Eto’o.

Ibrahimovic é até o momento o segundo melhor marcador da competição esta temporada, com 10 golos. Thiago Silva continua a ser o patrão imperial de uma defesa que sofreu apenas 5 golos em 6 jogos, quando Chelsea sofreu menos ainda (3).

 

O talento, a ambição e a fome de reconhecimento deste PSG que parece ter crescido rápido demais, contra a confirmação de um Chelsea experiente e mais sereno,  que nas últimas duas temporadas ganhou duas Taças Europeias (LdC em 2012, Liga Europa em 2013), e com quem Mourinho almeja ganhar a sua terceira “orelhuda”, que já lhe escapou com estes mesmos Blues e com os Galacticos do Real. Seja qual for o resultado deste jogo, será apenas a primeira parte de uma saga em dois volumes. Uma saga que, o ano passado, viu um Paris brilhante eliminado pela diferença de golos. Um confronto entre clubes milionários com percursos bastante similares, semeados de bling bling e ambição, mas também de ambições frustradas e constatação da necessidade de construir uma verdadeira osmose de equipa para ir até ao fim do percurso. Este ano, sem os “embaixadores” em fim de carreira que foram, Beckham e Makelele, mais responsáveis por atrair e manter jogadores de talento do que propriamente ao seu melhor nível como jogadores, restam os guerreiros. Ibrahimovic, cujo talento já não carece de apresentação; Cavani, Pastore, Lavezzi,  seus coadjuvantes no ataque. Lucas, Thiago Motta, Yohan Cabaye, Blaise Matuidi, guardiões do meio campo; Thiago Silva, Marquinhos, Camara, Van der Wiel, uma defesa que continua a provar o seu valor todos os dias.

 

Os ingredientes estão na cozinha. Falta sair a obra-prima prometida por uma equipa que tem ainda muito caminho a trilhar antes de se sentar à mesa dos grandes. Esta noite dá um passo importante nesse sentido. Se será um passo de gigante ou um trambolhão, a resposta ao Destino pertence. Mas sei que hoje, o meu coração, assim como o de milhões de parisienses pelo mundo fora vai gritar bem alto, para Chelsea e o mundo ouvirem:

ICI C’EST PARIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Ricardo Glenn Baptista

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