December 8, 2019

Fanning venceu em Portugal e adiou decisão do título para Pipeline

Contra todas as previsões o australiano Mick Fanning venceu em Peniche e baralhou as contas da luta pelo título mundial levando a decisão para o Billabong Pipe Masters, a 11ª e última etapa no Havai. Agora são três os candidatos ao trono.

Na história da etapa portuguesa os favoritos Gabriel Medina e Kelly Slater, até então 1º e 2º do ranking, respetivamente, não brilharam, tendo sido eliminados na 3ª ronda da competição.

A Medina era esperada uma performance à imagem da conseguida na edição de 2012 da prova, quando foi finalista vencido numa bateria bastante polémica contra o australiano Julian Wilson.

 

A Kelly Slater, para ainda alimentar o sonho do 12º título, era aguardada prestação similar mas nunca inferior. O resultado, porém, foi inesperado, uma bateria após Medina ter sido afastado, surpreendentemente, pelo norte-americano Brett Simpson [12.50 x 12.06!] Slater realizou dos piores, senão o pior, resultado do ano, tendo sido eliminado pelo basco Aritz Aranburu, somando 6.30 pontos em 20 possíveis, insuficientes face aos 12.00 do espanhol. O onze vezes campeão do mundo desperdiçou, assim, mais uma grande oportunidade de ganhar terreno a Medina na luta pelo título, ao invés, deixou caminho aberto a Mick Fanning, que vencendo a prova em Portugal subiu à segunda posição do ranking (53,100 pontos) relegando Slater para o terceiro posto (50,050).

 

O tri-campeão mundial, em título, Mick Fanning pautou a sua prestação em Peniche pela exemplar regularidade provando que quem vence uma etapa em Supertubos (venceu o Rip Curl Search em 2009) pode muito bem repetir a proeza. Além do vencedor australiano, no Top 3 dos melhores em Supertubos inclui-se o outro finalista, Jordy Smith. O sul-africano soube sempre adaptar-se às condições que a onda de Supertubos proporcionou, demonstrando o quão completo é o seu surf. Num reportório vasto, quer na abordagem ao tubo, em manobras mais progressivas pelo ar ou junto à água, os argumentos de Smith valeram-lhe, novamente, uma presença na final em Peniche, à imagem de 2010, onde acabou derrotado por Kelly Slater. A derrota repetiu-se, mas desta vez tinha pela frente o australiano Mick Fanning.

 

Na meia-final, Smith ainda bateu o outro destaque do Moche Rip Curl Pro Portugal, John John Florence. O local de Pipeline, Havai, foi o único em todo o evento a faturar duas ondas com a nota máxima: 10 pontos em 10 possíveis nas fases iniciais e intermédias da etapa o que fez antever uma excelente participação, no entanto travada por Smith numa das meias-finais em que Florence não esteve à altura das expectativas.

 

Com a vitória de Fanning em Peniche, a luta pelo título mundial está agora entregue ao australiano (agora 2º classificado) a Kelly Slater (3º) e Gabriel Medina, que continua líder do ranking. A última etapa no Havai, o Billabong Pipe Masters (de 8 a 20 de Dezembro) vai, assim, coroar o novo campeão mundial, um título que pode ser revalidado por Fanning, estes são os outros cenários possíveis:

  • Se Medina chega à final (independentemente do resultado) é o novo campeão do mundo;
  • Se Medina termina em 3º, Fanning precisa de vencer a etapa, nesse cenário Slater não tem qualquer hipótese;
  • Se Medina termina em 5º, Fanning precisa de vencer a etapa, Slater continua sem hipótese;
  • Se Medina termina em 9º, Fanning precisa de chegar à final para ser campeão do mundo;
  • Se Medina termina em 13º ou 25º, Fanning precisa de ficar em 3º para ser campeão mundial ou em 5º para levar a decisão para uma bateria de desempate (surf-off) com o brasileiro;
  • Se Medina termina em 13º ou 25º, Slater precisa de vencer o Pipe Masters

 

 

Saca desiludiu em Peniche e procura requalificação no Havai

O único representante português no World Championship Tour (WCT) voltou a desiludir os largos milhares que acorreram a Peniche. Tiago Pires entrou de forma tímida na ronda inaugural do Moche Rip Curl Pro Portugal, tendo sido repescado para uma bateria onde defrontou e acabou eliminado pelo australiano Kai Otton, vencedor em título da etapa portuguesa do ano passado.

Nota: A Triple Crown (prova havaiana que reúne duas etapas a contar para o circuito de qualificação e a última do circuito mundial) poderá significar a tábua de salvação para o local da Ericeira que precisa, desesperadamente, de pontos para se manter no circuito mundial.Com este resultado em Peniche, Tiago Pires desceu para a 28ª posição do ranking a seis lugares da zona de qualificação, mais precisamente a 4,950 pontos do havaiano Sebastian Zietz, que ocupa a 22ª posição.

Para garantir a manutenção no WCT, Saca precisa de um milagre no Billabong Pipe Masters. Numa prova onde nunca venceu uma bateria em toda a sua carreira, o português precisa de terminar em terceiro e, ainda, esperar que os seus concorrentes diretos, Sebastian Zietz (EUA) os australianos Matt Wilkinson, Adam Melling e Dion Atkinson, assim como o basco Aritz Aranburu tenham prestações inferiores à de Tiago Pires.

 

Resumindo, a manutenção no WCT via Pipe Masters não parece uma tarefa fácil para Tiago Pires. O único surfista português na elite do surf mundial tem melhores hipóteses de arrecadar pontos via WQS (World Qualifying Series) o circuito de qualificação mundial, onde ainda restam três etapas com pontuação máxima (prime). Para isso Saca terá de entrar numa verdadeira maratona até Pipe.

 

Iniciou o caminho, rumo à requalificação, no Brasil, mais precisamente em Maresias, no O´Neill São Paulo Prime, desta quarta-feira até ao próximo dia 9 de Novembro.

Três dias depois, de 12 a 23 de Novembro, inicia-se o período de espera da primeira etapa da Triple Crown havaiana, o Reef Hawaiian Pro, outra competição com pontuação máxima.

De 24 de Novembro a 6 de Dezembro tem início a segunda de três etapas da Triple Crown, o Vans World Cup em Sunset, na Costa Norte de Oahu, outra prova Prime determinante para as aspirações do surfista português.

Por último, de 8 a 20 de Dezembro, a terceira etapa da perna havaiana, o Billabong Pipe Masters, a última do circuito mundial. Vida pouco facilitada para Tiago Pires.

 

Nota: Nestas três etapas prime do WQS, a contar com a brasileira do Maresias Prime e as duas em território havaiano, Saca terá a companhia de outros cinco surfistas nacionais: Vasco Ribeiro (recentemente coroado campeão mundial júnior), Frederico Morais, Nicolau von Rupp, Marlon Lipke e José Ferreira.

 

Vítor Hugo Rosa

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE