August 17, 2018

 

Este será o domingo mais longo do ano na América. Não, nada tem que ver com a mudança ou o início de outra estação, mas pelo simples facto de ser o domingo de Super Bowl. Todos os anos o Super Bowl é o evento mais visto da televisão americana. Todos os anos as audiências batem recordes. Todos os anos os valores da publicidade nos intervalos da transmissão televisiva sobem meteoricamente. Todos os anos o Half Time Show fica mais grandioso. Todos os anos a América pára para ver o Super Bowl. Este ano não será diferente.

A edição 51 (LI na numeração romana que eles tanto gostam) do Super Bowl vai opôr New England Patriots a Atlanta Falcons. Para saberem o que as duas equipas fizeram para aqui chegar leiam a nossa Road to the Super Bowl.

Agora que já sabem, vamos dissecar tudo o que há para dissecar sobre as duas equipas. Quem ataca melhor? Quem defende melhor? Quem são as estrelas que podem desequilibrar a balança? O que torna cada uma destas equipas tão especial? E claro, a pergunta de ouro que não podia faltar, Quem vai ganhar este ano?

Da mesma forma que Tom Brady e Matt Ryan se vão defrontar sem nunca estarem em campo ao mesmo tempo (se não percebem o porquê têm MESMO de ler ESTE artigo) também o Pedro Quedas e o Nuno Fernandes vão trocar opiniões sem se cruzarem.

Vamos a isto? Kick Off e siga para a primeira (bu)jarda…

 

Quem tem o melhor ataque?

 

Pedro Quedas – Aqui o que temos é uma luta entre explosão e precisão. Os Atlanta Falcons, liderados pelo incrível Matt Ryan, têm o leque mais impressionante de opções ofensivas em toda a liga, especialmente no que diz respeito aos receivers. Julio Jones mais parece uma glitch na “Matrix” e apanha todo o tipo de passes em todo o tipo de situações – e tem-no feito ao longo de todos os playoffs. E é acompanhado por receivers letais como Mohamed Sanu ou o supersónico Taylor Gabriel. A linha ofensiva liderada por Alex Mack também é das melhores na liga e dá muito tempo a Ryan para medir as suas opções. Do outro lado, os Patriots têm… Tom Brady. Parece simplista, mas não assim tanto. Mesmo tendo perdido os primeiros quatro jogos por suspensão e com Rob Gronkowski lesionado, o veteraníssimo Brady parece sempre encontrar o jogador certo na altura certa e desfaz as defesas oponentes com precisão cirúrgica. Ainda assim, a vantagem tem de ir para os Falcons.

Matt Ryan e Julio Jones, uma das duplas ofensivas mais eficazes da NFL

 

Nuno Fernandes – Discutir os melhores ataques da NFL nesta época passa obrigatoriamente por Atlanta. Matt Ryan teve uma temporada fantástica, estando na luta pelo prémio de MVP. O quarterback dos Falcons foi segundo no número de jardas em passe (4944), segundo em jardas em passe por jogo (3090) e segundo em touchdowns (38). Certamente que ajuda bastante ter ao seu dispôr um receiver com a qualidade de Julio Jones, que registou 1409 jardas recebidas em passe. Mas não é só no jogo em passe que o ataque de Atlanta se destaca, uma vez que foram a quinta melhor equipa no jogo em corrida, com um total de 1928 jardas, uma média de 120.5 por jogo. A dupla composta por Tevin Coleman e Devonta Freeman tem sido uma dor de cabeça para os coordenadores defensivos adversários, não só pela qualidade que emprestam ao jogo em corrida da equipa, mas também ao jogo em passe. Freeman registou 462 jardas em recepção na época regular, para terem uma ideia, mais do que muitos jogadores que desempenham aquela função de raiz.

Já do lado de New England, não podemos esquecer que Tom Brady esteve castigado durante os primeiros quatro jogos da temporada. Mesmo assim alcançou 3554 jardas em passe, a uma média de 296.2 por jogo, para 28 touchdowns e duas intercepções, o melhor rácio de sempre. Mesmo sem ter um verdadeiro wide receiver 1, como Julio Jones ou Antonio Brown (e sem Rob Gronkowski durante grande parte da temporada), o ataque dos Patriots foi suficientemente eficaz para ser o quarto melhor da liga no total de jardas (os Falcons foram a segunda melhor equipa a atacar).

Tudo pesado e analisado, vantagem Falcons.

Devonta Freeman e Tevin Coleman, dois running backs que causam muitos estragos nas defesas adversárias

 

Quem tem a melhor defesa?

 

Pedro Quedas – Também aqui, temos um contraste de estilos em que os Falcons vencem no rasgo e os Patriots na consistência de execução. Ambas as defesas começaram a temporada meio tremidas, ainda que de formas diferentes. Com os Falcons, era mais o facto de concederem constantes touchdowns “desnecessários” e tornarem alguns jogos mais equilibrados do que deviam ser. Já os Patriots têm uma cultura de “bend don’t break”, que consiste em, até certo ponto, deixar a equipa adversária avançar no terreno perdendo muito tempo em cada posse de bola ofensiva, para depois fechar o cadeado na red zone e limitá-los a um field goal. Com essa estratégia, os Patriots foram a equipa com menos pontos sofridos em toda a liga. Mas continuam a ter problemas sérios no pass rush, o que tende a abrir algumas brechas. Já os Falcons têm melhorado a cada jogo, exatamente no pass rush, causando breakdowns defensivos que depois levam a turnovers. Apesar desta melhoria, dou uma leve vantagem aos Patriots.

Parte da linha defensiva dos New England Patriots

 

Nuno Fernandes – Neste campo não existem dúvidas: a defesa dos Patriots é muito superior à defesa de Atlanta. Espreitemos os números: os Patriots permitiram menos pontos por jogo (15.6 contra 25.4 dos Falcons), defendem melhor contra o passe (237.9 jardas por jogo contra 266.7) e também contra a corrida (88.6 jardas por jogo enquanto Atlanta permite em média 104.5). Uma defesa sempre muito bem organizada pelo coordenador Matt Patricia e liderada pelo herói do Super Bowl XLIX Malcolm Butler. É verdade que os números ajudam a perceber algumas coisas, mas não nos dizem tudo. Não nos dizem, por exemplo, que a defesa de Atlanta tem vindo a melhorar bastante, o que se compreende se levarmos em linha de conta que é composta por vários jogadores de primeiro e segundo ano. Keanu Neal (safety) é rookie, Vic Beasley (linebacker) está no segundo ano na liga, Jalen Collins (cornerback) também está no segundo ano e todos são titulares nesta defesa. No entanto, pela experiência e pela qualidade de jogo, a vantagem nesta área está do lado dos Patriots.

Malcom Butler já foi o herói improvável de um Super Bowl

 

Que estrelas vão brilhar mais?

 

Pedro Quedas – Já costuma ser assim quase sempre, dada a importância da posição no futebol americano, mas a decisão deste jogo estará provavelmente na mão dos seus quarterbacks. A grande diferença será o modo como o conseguirão. Para parar Matt Ryan, a grande missão dos Patriots será anular Julio Jones – mais fácil de dizer que fazer. Ainda assim, se Julio Jones desaparecer do jogo, o ataque dos Falcons passa de histórico para “apenas” muito bom – e muito bom não vai chegar para derrotar os Patriots. Do outro lado, é uma questão de saber se Brady, depois das várias batalhas nos playoffs, ainda terá energia para juntar mais um título ao seu palmarés. Do alto dos seus 39 anos, terá Brady ainda força (física e mental) para colocar uma farpa no dorso de Roger Goodell [o comissário da liga], que tão controversamente o suspendeu? A grande questão aqui é se o elenco secundário dos Patriots será suficiente para superar o maior poder de fogo das duas incandescentes estrelas de Atlanta.

Tom Brady, o lendário quarterback de New England

 

Nuno Fernandes – Falando dos protagonistas, os jogadores, é inevitável começar por Tom Brady. Aos 39 anos o camisa #12 de New England está em grande forma, continuando a dissecar as defesas contrárias com a precisão de um cirurgião, executando de forma perfeita os planos delineados pela mente do seu treinador principal, Bill Belichick. Brady vai jogar o seu sétimo Super Bowl, procurando levantar o quinto troféu Vince Lombardi.

Parece inacreditável, mas quando olhamos de relance para o plantel dos Patriots, o único grande nome reconhecível é mesmo o do marido de Gisele Bündchen. Já para quem segue mais atentamente este desporto, salta à vista o nome de Martellus Bennett (irmão de Michael Bennett, jogador dos Seatlle Seahawks). O tight end chegou este ano a Foxborough vindo dos Chicago Bears e logo se tornou peça importante do ataque dos Pats, tanto no jogo em passe, como na protecção de passe ou a bloquear para o jogo em corrida. Destaque ainda para Julian Edelman, um receiver raçudo e destemido.

Já do lado de Atlanta, destaque óbvio para Matt Ryan, que está a realizar a melhor época da sua carreira, tendo eliminado os erros crassos que marcaram o seu jogo durante as épocas anteriores. De realçar nos Falcons os receivers Julio Jones e Mohamed Sanu e também os running backs Devonta Freeman e Tevin Coleman que, como já referido, são ameaça no jogo em corrida e no jogo em passe devido à extraordinária capacidade (para jogadores da sua posição) de receber bolas em passe.

Mohamed Sanu, o wide receiver dos Falcons é muçulmano e filho de imigrantes da Serra Leoa, onde viveu quando era jovem

 

Qual será o factor X?

 

Pedro Quedas – Como já disse várias vezes, a principal arma dos Falcons está pelo ar, nos seus receivers. Mas se os Patriots estiverem sincronizados na sua linha secundária, outras soluções terão de ser encontradas. Felizmente para Atlanta, os dois running backs que rodeiam Ryan têm sido absolutamente devastadores, tanto no running game como no papel de opções secundárias de passe. O sucesso dos Falcons nesta final poderá muito bem estar dependente da pressão contínua de Devonta Freeman e Tevin Coleman. Quanto aos Patriots, o seu “factor X” está no elemento mais inconsistente da sua equipa: a linha ofensiva. A melhor forma de anular Brady é incomodá-lo no momento do passe. O lendário quarterback continua a ser um dos melhores a contrariar o blitz adversário com passes rápidos, mas a sua proteção tem tido altos e baixos toda a temporada. Por mais técnico e obscuro que possa parecer, poderá estar nesta luta de trincheiras a chave para todo o jogo.

Kyle Shanahan, o coordenador ofensivo dos Falcons, dá instruções a Matt Ryan

 

Nuno Fernandes – Do lado de Atlanta, vou avançar com Taylor Gabriel. Um jogador que é apenas terceira opção para a posição de receiver, mas com qualidade para aparecer quando ninguém esperar e fazer a diferença. Do outro lado da bola, o veteraníssimo Dwight Freeney pode incorporar o seu melhor Von Miller e provocar muitas dores de cabeça à linha ofensiva dos Patriots.

Do lado de New England, e uma vez que Chris Hogan já tem créditos firmados nestes playoffs, a surpresa poderá vir de um dos running backs. LeGarrette Blount deverá ser o escolhido para a maior parte do trabalho, mas não me admiraria se em jogadas de terceiro down e principalmente nos retornos de pontapés Dion Lewis fizesse das suas.

Na defesa, muita atenção ao linebacker Kyle Van Noy, ao cornerback Logan Ryan e ao safety Patrick Chung, para além do já mencionado Malcolm Butler, os actores principais da defesa menos batida.

Apesar de ser naturalmente sorridente, não se deixem enganar, LeGarrette Blount é tudo menos bonzinho

 

Quem se vai sagrar campeão?

 

Pedro Quedas – Por um lado, o equilíbrio entre estas duas equipas torna difícil antecipar qualquer espécie de favoritismo. Por outro, ambas as equipas tendem a ganhar de forma dominadora, aproveitando erros adversários para criar vantagens inalcançáveis. Mas não penso que seja isso que vá acontecer neste jogo. De uma forma estranha, acho que os Patriots vão ter sucesso em impor o ritmo lento de jogo que mais lhes convém e mesmo assim perder. Como? Execução na red zone. Os Patriots vão ter mais dificuldades em limitar Ryan e companhia a field goals, principalmente ao longo de um jogo completo, quando o cansaço começa a afectar os jogadores, em especial nas linhas. Antecipo uma primeira parte muito fechada, com ambas as equipas hesitantes em revelar as suas cartas e os Falcons a ganharem cada vez mais ascendente à medida que se aproximar o final do jogo. É sempre um risco apostar contra Tom Brady, mas a maioria dos sinais apontam para que este venha mesmo a ser o ano de Atlanta. Uma temporada de sonho que deverá ser rematada com a coroação definitiva de Matt Ryan como MVP do Super Bowl.

Resultado Final: Atlanta Falcons 30 – 21 New England Patriots

MVP: Matt Ryan

O Pedro Quedas prevê que a época acabe com o balneário dos Falcons em festa

 

Nuno Fernandes – Ora bem, se nos basearmos apenas na história podemos dizer que os New England Patriots estão no bom caminho para vencer mais um Super Bowl. Os registos mostram-nos que a defesa menos batida e o melhor ataque da liga já se defrontaram cinco vezes no SB, com a melhor defesa a vencer por quatro vezes, sendo a última das quais há três épocas, quando os Seahawks atropelaram os Denver Broncos por esclarecedores 43-8!

Quer isto dizer que este jogo está decidido à partida? Nem por sombras! New England ainda não defrontou esta época nenhuma equipa com o “poder de fogo” destes Falcons. O que a defesa dos Patriots fez na final de conferência aos Steelers, e que foi retirar o principal receiver de Pittsburgh do jogo (Antonio Brown conseguiu apenas 77 jardas em recepção) não irá resultar contra estes Falcons, pois uma dupla cobertura a Jones abrirá espaço a Sanu ou até aos running backs, quer no jogo em corrida, quer no jogo em passe. Dizer ainda que Atlanta marca na sua primeira posse de bola de cada jogo há oito jogos seguidos, o que dá motivação a esta equipa porque, no mínimo, o ataque sai de campo com o jogo empatado.

Assim espero ver uns Patriots a executarem drives longos e sustentados, de forma a manterem o fortíssimo ataque dos Dirty Birds na linha lateral e explorar a mais fraca defesa de Atlanta.

Para terminar, não podemos menosprezar a mente brilhante de Bill Belichick, sempre capaz de surpreender, e o desejo de vingança de Tom Brady, após a suspensão de que foi alvo no início da temporada.

Resumindo, vitória para New England, com Tom Brady a levar para casa mais um troféu Lombardi e também o de MVP do Super Bowl.

Resultado Final: Patriots 30 – 28 Falcons

MVP: Tom Brady

Se há equipa que nos últimos anos se habituou a acabar a época em festa são os New England Patriots, e o Nuno Fernandes acredita que a tendência se vai manter

 

Nuno Fernandes

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