December 8, 2019

Sim, esqueçam Premier League, para mim o campeonato inglês só tem um nome, aquele que um dia Gabriel Alves imortalizou “Primeira Liga Inglesaaaaaa”, dito assim, com uma tonalidade muito própria e ligeiramente nasalada. Está tatuado e escrito em pedra, da mesma forma que a estação de televisão que agora detém os direitos de transmissão da liga portuguesa, da espanhola e pouco preservou em ambar a música de baixo, também associada à liga de futebol mais antiga do mundo.

 

Mas olhemos para o que nos espera este ano, no fundo, mais do mesmo: O melhor campeonato e um dos maiores espetáculos do mundo. É inspirador a forma como a velha Albion consegue renovar todos os anos os motivos de interesse da sua liga interna. E são vários. Centenas. Milhares. Milhões, muitos milhões, ou milhares de milhões, para a Sky Sports são pelo menos 6 mil milhões de motivos para estarmos atentos a todos os detalhes.

 

Por onde quer que se olhe os números da liga são sempre impressionantes. Ao todo já foram disputados 8.986 jogos e já foram marcados 23.679 golos, o que dá uma média de mil golos por época, 2,64 por jogo.

Também regista um total de 5.214 jogos em que pelo menos uma equipa não sofreu golos. David James é o guarda-redes recordista nesse capítulo, conseguiu acabar 169 jogos sem qualquer golo sofrido. A “desvantagem” de David James é que o fez ao longo da sua extensa carreira na Premier, onde representou sete clubes do escalão principal. O guarda-redes recordista de jogos no mesmo clube sem sofrer golos será um dos protagonistas desta época, o checo Petr Čech que depois de ganhar pelo Chelsea todos os títulos a nível de clubes, transferiu-se esta época para o Arsenal onde dificilmente conseguirá bater impressionante número de 162 jogos sem sofrer golos. Ao consegui esse feito ao serviço do seu antigo clube, bateu o recorde anterior que pertencia a um antigo número 1 do Arsenal, o mítico David Seaman (137).

No extremo oposto do terreno esta época vai fazer-se história. Porquê? Porque Wayne Rooney (170) está apenas 5 golos de ultrapassar a marca do eterno Henry (175) e tornar-se no melhor marcador da história do campeonato inglês (Alan Shearer tem “apenas” 148). Não há dúvidas que o conseguirá fazer, a única dúvida que há é saber quando acontecerá. Henry, agora comentador da Sky Sports, terá possibilidade de ver o seu reinado acabar em directo enquanto comenta o jogo, qual Ronaldo Nazário, o Fenómeno, viu Mirolasv Klose fazer no mundial, durante aquele jogo de memória dolorosa para os brasileiros e divertida para o resto do mundo. Resta esperar que o francês reaja melhor.

 

E este ano quem são as equipas e os jogadores a ter em conta? Sem surpresas, são os de sempre. Mesmo! Numa liga com tanto dinheiro aconteceu algo relativamente inesperado, até ao momento não houve muitas mudanças nos clubes de topo em Inglaterra e as que houve, forem entre eles, a ida de Čech do Chelsea para o Arsenal, que já referimos, e a ida de Raheem Sterling do Liverpool para o Manchester City.

A palavra de ordem para os candidatos ao título foi manter. Todos mantiveram as equipas técnicas, todos mantiveram os principais jogadores e todos operaram muito poucas mudanças de vulto nos planteis. Isto é ainda mais espantoso porque o ano passado todos fracassaram nas competições europeias.

 

No Arsenal entraram Čech e alguns miúdos com potencial como Jeff Reine-Adelaide e Alex Iwobi, mas apenas o checo vai fazer parte da equipa principal. O guarda-redes era uma adição necessária, mas não chegará para os gunners sere considerados favoritos ao título. Um central, um médio-defensivo e um ponta de lança, era o mínimo que a equipa londrina necessitava para assumir uma séria candidatura ao título. Isso e uma época livre de lesões, algo impossível uma vez que a pouco tempo antes do início da época Jack Wilshere já se lesionou. Typical gunners… enfim…

Esta época, tal como na passada, a equipa até começou por ganhar um troféu, a Community Shield, frente ao Chelsea, naquela que foi a primeira vitória de sempre de Wenger sobre Mourinho. Uma pré-época perfeita só com vitórias pode ser o mote ideal para uma época diferente para os lados do Emirates. A moral está em altas, se até ao fim do mês chegarem os reforços que colmatam as lacunas já há muito identificadas na equipa, pode ser que a qeuipa faça uma gracinha que já não faz desde 2004…

Previsão: 3º lugar.

 

Um pouco mais baixo em Londres o atual campeão, o Chelsea de José Mourinho. Como todos os campeões que não mudam muito parte na frente da grelha de partida. Saiu Drogba entrou Falcao. Saiu uma lenda na fase terminal da carreira entrou um (agora) crónico lesionado com vontade de relançar a carreira. É ela por ela. Saiu Čech, que já não era titular entrou Begovic, também aqui fica tudo igual. Também entraram Nathan e Pantic. De relevo só a partida de Filipe Luis para o Atlético de Madrid depois da experiência falhada na Liga inglesa, que nunca é fácil para jogadores brasileiros. E tudo se mantiver até ao fim do mês, o Chelsea é o grande favorito a repetir o título, sobretudo se Mourinho conseguir reforçar o centro da defesa com mais um central.

Previsão: 1º lugar.

 

O Liverpool só é um candidato ao título pela sua história, na verdade é “apenas” o clube com mais probabilidades de complicar as contas pelo mesmo (seguido de perto por  Tottenham e Everton) e, sobretudo, as contas pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões.

A época passada foi um fracasso. Balotelli foi um fracasso. A forma física de Sturridge, o melhor jogador da equipa, foi um fracasso. A perda de Sterling só não foi um fracasso devido ao pornográfico valor de 70M de euros que rendeu e a produção ofensiva da equipa no geral foi um fracasso.

Esta época para fazer frente a tanto fracasso, Brendan Rodgers apostou no internacional brasileiro Roberto Firmino e num leque de jogadores já com provas dadas na liga. James Milner, Adam Bogdan, Joe Gomez, Nathaniel Clyne e Christian Benteke. Todos apostas seguras, mas veremos se a equipa não se sentirá órfã da perda do seu líder de tantos anos, Stevie G.

Previsão: 5º lugar.

 

Em teoria o Manchester City tem o melhor plantel da liga. Mas, em teoria, isso também já acontecia o ano passado e não foi suficiente para bater o Chelsea devido à inconsistência da equipa, sobretudo no sector defensivo. É por isso estranho que o clube não tenha procurado reforçar essa zona do terreno com jogadores de renome. Na verdade só duas contratações do City são dignas de destaque e todas para o meio campo, Fabian Delph e Sterling. A equipa também não tem perdas de relevo dignas de nota. No geral está mais forte obviamente, mas talvez não o suficiente para passar o Chelsea. Manuel Pellegrini, com o lugar estável, já que renovou contrato antes de começar a época tem margem de manobra e orçamento quase ilimitado para fazer ajustes até ao fim do mês. Se quer voltar a sorrir é bom que o faça.

Previsão: 2º lugar.

 

O último dos candidatos ao título também mora em Manchester. O United também teve uma época decepcionante para as suas expectativas, depois da contratação de Louis Van Gaal e de ter gasto 200M de euros em contratações. De todos os candidatos é o que surge menos bem preparado para atacar esta época. Toda a equipa é uma indefinição, a começar na baliza, onde De Gea está de saída para o Real Madrid (e já chegou o argentino Sergio Romero para o substituir) e a acabar no ataque onde depois da venda de Robin Van Persie e da não prorrogação do empréstimo de Falcao, Rooney é praticamente o único avançado, já que Chicarito Hernandez não entra nas contas do treinador holandês. A equipa comprou bem, mas não para onde devia. Depay é um talento seguro, Schweinsteiger dispensa apresentações e afirmar-se-á como o patrão do novo meio campo dos mancunianos e Schneiderlin, com toda a experiência acumulada de Premier League que tem em vários anos de Southampton também deve encaixar como uma luva na equipa, a menos que sofra do efeito “Fellaini”, mas… e a defesa? É impossível olhar para os defesas do United sem esboçar um sorriso. Se o sector não forte fortemente reforçado este Manchester não aspirará a ganhar o que quer que seja. É impossível, venha quem vier para o ataque. Mais uma vez, ainda há 20 dias para mudar a situação. Resta esperar que os resultados das primeiras jornadas não tornem a missão já demasiado difícil nessa altura.

Previsão: 4º lugar.

 

Para além dos candidatos há sempre equipas e jogadores a que vale a pena estar atento. O Tottenham terá sempre uma palavra a dizer, o Everton e a sua defesa goleadora (32% dos golos da equipa o ano passado foram marcados por defesas), as sempre dificeis deslocações ao País de Gales para enfrentar o Swansea onde Ederzito que fazer valer o valor que lhe foi reconhecido um dia, e tentar provar que tem um lugar na Seleção Nacional, o Southampton que de ano para ano surpreende pelos bons resultados e até tem um “white (Graziano) Pellè” goleador (os adeptos United já não têm legimidade para chamar isso ao Rooney) e que tem o português José Fonte, o jogador que há dois anos lidera a liga em numero de cortes, como uma das suas principais figuras, o West Ham fez chegar ao clube o jogador europeu que mais oportunidades de golo criou na Europa o ano passado, Dimitri Payet, vindo do Marselha,  e muio, muito mais que esta espetacular liga tem para nos oferecer.

Pedro Filipe

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