December 10, 2018

 

Partilho com vocês o que tenho visto como amante de futebol, mas também como benfiquista a 127%.

 

Ano após ano, ou melhor, época após época, tenho visto uma queda na qualidade futebolística do meu clube, o que não se compreende na entrada para uma quarta época de uma equipa técnica.

 

Rui Vitória começou a sua carreira como treinador principal do Sport Lisboa e Benfica a perder uma Supertaça para o nosso maior rival na cidade de Lisboa e para o antigo treinador dos encarnados. Mudou o sistema táctico quando chegou para o 4-3-3 que o ajudou a subir na carreira. Percebo perfeitamente que um treinador se mantenha fiel a um sistema e a uma maneira de ver o futebol que lhe deu tantas alegrias durante a sua carreira (entre elas uma taça de Portugal ganha ao Benfica de Jorge Jesus). O que não percebo e não admito como benfiquista é que coloque o meu clube a jogar como um clube pequeno e que as filosofias não mudem.

 

O plantel permite perfeitamente que nos possamos apresentar em 4-4-2 com um 11 atractivo e eficiente. O 4-3-3 apresentado pelo treinador do Benfica faz com que o único avançado de raiz tenha que correr imenso, principalmente quando tem que recuar para servir de pivot para aguentar a subida dos alas/extremos, para que possa (novamente) correr para a área para servir de referência mais ofensiva nos cruzamentos feitos a 20/30 metros… algo que, normalmente, não tem corrido bem… nem me recordo de correr bem com frequência… um gole de água não muda nada…

 

Para se conseguir compensar algum défice de qualidade em determinados aspectos (mais à frente toco no assunto) acredito piamente que a equipa tem faculdades muito boas para jogar com a bola no pé, e praticar um futebol baseado em passes curtos e directos e aproveitar os momentos certos para rasgar linhas.

 

Os cruzamentos, a intensidade defensiva. principalmente na colocação em campo, a velocidade de André Almeida e Grimaldo, a inexistência de referências no sector intermediário aquando dos movimentos atacantes para a construção de jogo, a “tareia” que os avançados levam pelas piscinas que fazem, mostram que muito do que tem sido feito em campo não dá juz nem valoriza os jogadores nem a qualidade que muitos deles têm, mas não apresentam.

 

Os 2 alas/extremos que jogam com mais frequência não conseguem apresentar movimentos interiores defensivos de qualidade. Lembrando Ramires no Benfica, ou mais recentemente Pizzi no primeiro ano de Rui Vitória a hipótese de termos pelo menos um médio a jogar num dos flancos faz com que se apresente maior qualidade na posse de bola assim como no passe. Aqui acredito que a presença de Zivkovic seria uma mais-valia no 11 (passa-se alguma coisa internamente que não se saiba?).

 

A esperança actualmente do meu clube é depositada num jogador com 34 anos que não caminha para novo e tem mostrado cada vez mais fragilidades físicas (vejam quanto tempo durou contra o Ajax a jogar sozinho na frente). Pôr Félix ou mesmo Ferreyra (ACORDA!!!) a fazerem dupla com o mesmo não seria nada descabido, iria permitir uma maior pressão no primeiro sector de construção da equipa contrária por exemplo. Quem fala nestas hipóteses, também não pode colocar de parte a hipótese do avançado helvético jogar acompanhado no ataque.

 

O Benfica, como qualquer clube grande, precisa de jogar com acutilância e mais irreverência ofensiva. Sim, a maioria dos mesmos joga em 4-3-3, mas os apoios e forma de jogar (não há bola para a frente, médios em presença constante na carreira de tiro à entrada da área, movimentos frequentes interior dos laterais, entre outros) são completamente diferentes do que se vê na Luz actualmente.

 

Outro aspecto que merece especial atenção: quem treina a finalização? Existe medo em rematar à baliza fora da área porquê? Porque é que se joga SEMPRE pelas alas até à linha de fundo e não existe flutuação nas hipóteses ofensivas?

 

Como ferrenho benfiquista espero que algo mude. A minha visão romântica do futebol leva-me a desesperar pelo que vejo nos últimos meses. Treinadores como Sarri, Klopp e Guardiola fazem-me sonhar com algo mais, não espero o mesmo, porque os jogadores não são os mesmos, mas a paixão e o amor por este desporto sei que todos os que tocam na redondinha o sentem, nem que sejam dos distritais.

 

A mudança do 4-4-2 para o 4-3-3 foi para despegar do passado que Jorge Jesus deixou na Luz. Rui Vitória deveria ter aproveitado o que ficou de bom e trabalhar com essa base (a primeira época foi boa porquê?). Aliás, devemos sempre pegar em qualquer ramo laboral no que está bem feito e aperfeiçoar no quotidiano. O que foi feito foi exactamente o contrário, destruiu-se a base da pirâmide e agora parece que a mesma não “se quer erguer”.

 

P.s.: Um bom chefe de família sabe ser humilde e reconhecer quando erra, mas também sabe dar um murro na mesa quando é preciso.

 

Ricardo Rodrigues

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