January 22, 2020

Horas depois de bater o meu recorde pessoal de Coronas, acordo, ligo o computador e vou à procura do jogo do Manchester United fora com o Burnley. Encontro um link porreiro: 19 minutos jogados, ainda sem golos. A câmara foca o banco do United. O Van Gaal tem a cara fechada, como quem olha o sol de frente, mas o jogo é em Inglaterra, não há muito disso lá; ao lado o Giggs rói as unhas. De seguida o realizador aponta para as bancadas do estádio do Burnley: Sir Alex Ferguson, presente, boceja.

 

O Di María está em campo, estreia-se. Para se ter um ponto de partida sobre o recém-promovido Burnley, só o ex-Real Madrid custou mais ao Manchester United (75 milhões de euros) do que o Burnley gastou em contratações toda a vida (57 milhões). O jogador mais caro do Burnley é o Lukas Jutkiewicz, um avançado inglês de 25 anos que já jogou em nove clubes como profissional; custou menos de dois milhões de euros.

 

Deixo para os mais entendidos os comentários sobre a táctica do United, mas fico com a ideia de que não sou só eu a não entender aquilo; os próprios jogadores parecem meio confusos. Percebo bem é a estratégia do Burnley: comer o United vivo, sem bola, e uma vez com ela pontapeá-la para a frente e de preferência para fora, de modo a ganhar metros sem desequilibrar a equipa. Um tipo de jogo agrícola.

 

Intervalo, 0x0. O melhor que vi foi um túnel de um bicharoco qualquer do Burnley ao Rooney e dois ou três truques do Di María, a quem o Van Gaal terá dado indicações para fazer tudo. Houve um penalty evidente sobre o Ashley Young que o painel de comentadores da BT Sport, formado pelo Mcmanaman e o Scholes, considerou “suave”.

 

Reatamento, tudo morno. O Burnley ganha um canto, festejado como um golo, mas é o United que monta o cerco. Quase marca o Van Persie à passagem da hora de jogo, e por duas vezes. Em cinco minutos o Manchester acumula 88% de posse de bola. Incha, Barcelona.

 

Noto que o patrocínio do Burnley é uma casa de apostas chamada Fun88 quando vejo o Di María sentar-se no chão. Cãibras. Substituição. Setenta e cinco milhões de euros para a troca. No banco há o Chicharito, o Welbeck e o Januzaj, mas o Van Gaal lança o gordinho Anderson. A seguir entra mesmo o Welbeck. Só que sai o Van Persie. Quinze minutos para jogar e um golo para meter com urgência.

 

Bola a rolar pela direita do ataque do Manchester, o Valencia desce pelo corredor e perto da grande área do Burnley chuta contra o jogador que o marca em cima. É repetente nisto, o Valencia, tentar furar as pernas do adversário na altura de cruzar – ganhar a linha de fundo por ele próprio, tentar uma tabela ou procurar soluções por dentro é mentira. Claro que a bola não passa, o adversário está lá e tem as pernas fechadas. Hey, Valencia: BURRO.

 

Outro penalty negado ao Ashley Young. Mão na bola que o árbitro dá como bola na mão. Sai o lentinho e ineficaz Mata, músculo rasgado. Só mesmo assim para entrar o puto Januzaj, alguma irreverência em campo, para variar. Mas é tarde.

 

Descontos, “Fergie Time” nos bons-e-ainda-não-tão-velhos-tempos-quanto-isso do Ferguson, e coisa nenhuma nos tempos modernos. É grave constatar que já ninguém espera um golo do United nos últimos instantes, quando dantes era quase inevitável. Fim do jogo, 0x0. O Manchester com mais jogos (3) do que pontos (2). O Burnley com o seu primeiro pontinho. Mais valia o Moyes.

 

Rui Coelho

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