November 13, 2019



Ferrari SF90


Está a chegar mais uma temporada da Fórmula 1 e a grande questão do ano é a que dá título a este texto. Durante os testes de Barcelona a escuderia transalpina demonstrou grande poderio, deixando Vettel bastante optimista, algo que não é comum nesta fase. Em Maranello o novo ano trouxe mudanças na liderança com Maurizio Arrivabene a ser obrigado a dizer arrivederci, cedendo o lugar a Mattia Binotto. No lineup, Raikkönen cedeu o lugar a Charles Leclerc, que chega à Ferrari no seu segundo ano na F1. O piloto monegasco tem muita qualidade e, caso Vettel tenha um apagão, como sofreu na segunda metade de 2018, pode dar muitas dores de cabeça ao companheiro de equipa. Se algo pode reter a Ferrari é a fiabilidade, uma vez que a segunda semana de testes revelou alguns problemas (sistemas eléctrico e de arrefecimento e de escapes) que, se não forem devidamente resolvidos, podem custar pontos importantes. Ainda assim, pelo ritmo demonstrado, a Ferrari está no bom caminho para acabar com a seca de troféus.

Mercedes W10



Quem parece não ter grandes problemas de fiabilidade é a Mercedes. Os anos anteriores demonstraram que os homens de Brackley apostam em garantir consistência como prioridade, sendo que a menor velocidade de ponta em relação à sua rival italiana pode ser recuperada durante a temporada e até colmatada pela capacidade de Lewis Hamilton. O piloto britânico vai procurar o sexto título da carreira e manda o bom senso que não se aposte contra uma equipa que é pentacampeã, ainda para mais sabendo que nestes testes ninguém sabe muito bem o que as equipas estão a fazer em termos de setup e quantidade de combustível.

RedBull RB15



Já a RedBull chega a 2019 com a grande novidade de ter trocado a Renault pela Honda e com a promoção de Pierre Gasly para o lugar deixado vago por Daniel Ricciardo. O construtor nipónico está a caminhar na direcção correcta, com os graves problemas de fiabilidade do passado a desaparecerem e a diferença para a Ferrari e a Mercedes a manter-se por volta dos já habituais 0,5 segundos. Max Verstappen tem de mostrar maior maturidade, provando a Helmut Marko que apostou no piloto certo, uma vez que qualidade tem de sobra. Atrás das três da frente, a luta promete ser a mais animada dos últimos anos, com Renault, Haas, Racing Point e Alfa Romeo (novo nome da Sauber) com justificadas expectativas de serem a melhor das restantes.

Renault RS19



Começando pela Renault, a equipa francesa trocou Carlos Sainz Jr. por Daniel Ricciardo e espera que este upgrade contribua para levar a marca do losango até aos pódios de forma regular. A pré-temporada foi tranquila, sem problemas dignos de registo e com um ritmo de corrida assinalável.

Haas VF-19



Já a Haas manteve os seus pilotos e agora esperará esquecer os erros do passado que, principalmente na parte inicial de 2018, custaram muitos pontos à equipa, como os erros nas mudanças de pneus na Austrália e o despiste de Grosjean quando rodava atrás do Safety Car em Baku. Utilizando a unidade de energia fornecida pela Ferrari, a velocidade de ponta é o aspecto forte do VF-19. Pela negativa, menção para os problemas de fiabilidade que surgiram, principalmente na primeira semana de testes.

Racing Point RP19



Já a Racing Point, antiga Force India, mostrou-se fiável (a consistência tem sido mesmo a grande arma da equipa) e com um ritmo de corrida assinalável. A equipa baseada em Silverstone manteve Sergio Pérez e contratou Lance Stroll, que vai ter que trabalhar muito para provar que merece o lugar, ou será sempre apontado como o “filho do patrão”, pois o seu pai, Lawrence Stroll é um dos donos da equipa.

Alfa Romeo C38



 Mais atrás nesta luta deverá ficar a Alfa Romeo, com um trunfo chamado Kimi Raikkönen (pela amostra aposto no finlandês para ser o piloto mais bem classificado, a seguir aos pilotos das big three), mas com uma incógnita em Antonio Giovinazzi. A estreita cooperação com a Ferrari está claramente a dar frutos, mas antevejo que apenas Raikkönen pontue regularmente, o que será manifestamente pouco para chegar ao quarto lugar na classificação por equipas. Mais atrasadas em relação a este quarteto estão a McLaren, a Toro Rosso e a Williams.

Williams FW42



Começando por esta última, o único ponto positivo é mesmo o regresso de Robert Kubica à competição, ao lado de George Russell, protegido da Mercedes e visto como uma futura estrela. O projecto do carro nasceu muito atrasado, perderam dois dias e meio na primeira semana de testes e isso notou-se nas tabelas, com os Williams afundados nos tempos, a léguas de distância de todos os outros.

McLaren MCL34



Já a McLaren para já não revelou problemas de maior, mas o ritmo de corrida não lhes permite mais do que rodar à frente da Toro Rosso e da Williams. Sem problemas de maior e após ter perdido o talento de Fernando Alonso, os sinais são animadores para os lados de Woking, com uma boa base de trabalho e uma enorme margem de progressão. Enorme curiosidade para ver o que vale Lando Norris, em ano de estreia.

Toro Rosso STR14



Por último temos a Toro Rosso que, em simulação de corrida apenas superou a Williams, muito pouco para as expectativas de Franz Tost. Outro problema é sem dúvida a dupla de pilotos, com o rookie Alexander Albon e o “reciclado” Daniil Kvyat a não oferecerem garantias.

Para 2019 foram introduzidas algumas alterações ao regulamento técnico, sendo que a mais significativa tem a ver com a aerodinâmica. Nesse sentido a asa dianteira é mais larga e mais simples (embora não pareça) e a asa traseira é mais alta. O objectivo é permitir que seja mais fácil circular atrás de um adversário e podermos assistir a um maior número de ultrapassagens sem a intervenção do DRS. A outra alteração significativa é a atribuição de um ponto ao piloto que registar a volta mais rápida da corrida. Pequeno pormenor: esse ponto só será atribuído se esse piloto ficar nos dez primeiros classificados, ou seja, em lugar pontuável.

O calendário completo da época



No passado domingo, dia 17 de Março, disputou-se o Grande Prémio da Austrália, com um resultado que, pelo que se passou em Barcelona foi inesperado, mas não é muito significativo. Albert Park é um circuito semi-permanente, com baixos níveis de aderência e que por isso não é muito representativo do andamento de cada um. No entanto, o ritmo da Ferrari foi preocupante, até porque a Scuderia não percebeu bem a causa da falta de andamento. Já o andamento de Valtteri Bottas foi uma agradável surpresa (mesmo tendo em conta os problemas que surgiram no monolugar de Lewis Hamilton foi uma vitória autoritária para o piloto finlandês) e a rapidez de Max Verstappen deixa boas sensações quanto ao potencial do motor Honda. O reverso da moeda é dado à Haas, que voltou a ver Grosjean abandonar com uma roda mal apertada e para a Williams, que esteve a anos-luz de distância de todos os outros. Vai ser um ano muito longo para os lados de Grove.

Nuno Fernandes

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