December 8, 2019

Nos relvados da “bota”, arrisca-se o telespectador, a encontrar a mesma camisola com um mesmo símbolo a ser envergada por um mesmo jogador. Décadas a fio. Será um exclusivo italiano? Não.

 

Talvez não…

 

Ainda há ligações assim: simbólicas e intemporais. Sejamos generosos com a palavra “simbólicas”. Os símbolos só o são por terem poder. Se se desse o caso de não o terem, seriam outra coisa qualquer. Por isso, este poder simbólico é mais do que um estatuto: é um remate certeiro para a história. História essa aplaudida por legiões de adeptos, reconhecida por adversários.

 

Há-os assim: jogadores que reconhecem um clube como sua casa e que não o abandonam porque outros chegaram; que não se vendem porque outros os pretendem comprar. Lá permanecem uma época, duas épocas, quinze, vinte anos. Para sempre. São monumentos. São os resquícios do futebol de antigamente, os restos do futebol de rua. Foram eles que imaginaram o seu estádio cheio num domingo à tarde. Foram eles que imaginaram o seu estádio cheio a erguer-se das fundações; tudo porque uma bola, atravessou uma linha que embateu numa rede… imaginária.

 

São os veteranos do futebol numa rua, numa ruela, numa qualquer betesga. E são eles a ligação umbilical, onírica ao Futebol. Num mar de mercenários e de Judas, são eles os faróis, os verdadeiros e únicos guardiões do templo do desporto. São eles que mantêm a camisola vestida mesmo depois de a despirem; que ficam para a História pelos golos, as conquistas, as derrotas e os adversários que ajudaram a levantar do chão.

 

Acerca deles não se fazem contas ao que ganham por segundo, por minuto mas a toda a areia da ampulheta que caiu desde que começaram a jogar com uma determinada camisola, com aquela cor e este símbolo.

 

Ze Pedro

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