December 13, 2019

O Futebol Clube do Porto chega à trégua na liderança da Liga NOS. Um pequeno ponto de avanço sobre o Sporting, que caiu na Madeira frente ao União. O próximo jogo do Dragão será em Alvalade, contra o rival mais próximo na tabela de classificação. Uma vitória põe o Sporting a -4 pontos. Uma derrota põe-nos a -2 pontos. Um empate serve o Benfica, que se ganhar nessa jornada contra o Vitória de Guimarães, se aproxima de ambos. É uma jornada que não vai decidir o Campeonato, mas vai permitir uma distribuição interessante de pontos.

 

Depois da ressaca da eliminação perfeitamente evitável da Liga dos Campeões, o Campeonato é mais do que nunca o objectivo supremo do Futebol Clube do Porto. Se antes já era, agora sem a Champions, sem o dinheirinho dos oitavos ou eventuais quartos, a única alegria capaz de superar esta saída prematura do maior palco de futebol de clubes do mundo é o caneco nacional. A Liga Europa é também um prémio de consolo interessante,  e temos os meios de fazer bons resultados, mas é preciso que não nos roube forças para lutar pelo campeonato. Por isso temos que fazer os melhores resultados possíveis o mais cedo possível para ver se temos margem de manobra. Ok, o Sporting também está na Liga Europa, e o Benfica na Champions. Os adversários directos têm a mesma pressão do calendário Europeu. Mas voltemos à temporada do Porto até à data.

 

Campeonato Nacional

 

035Porto

 

Os Dragões são a única equipa que ainda não perdeu um jogo no campeonato. Não fossem 3 empates, dois dos quais (1-1 contra o Marítimo na segunda jornada e 2-2 contra o Moreirense na sexta) perfeitamente evitáveis, o porto poderia estar com uma folga maior em relação ao Sporting.

Depois de não ter conseguido ganhar o campeonato apesar de contar com o melhor plantel da Liga, Lopetegui escorregou logo na segunda jornada. Com um jogo pouco inspirado depois de sofrer o golo logo no minuto 5, o Porto não conseguiu mais do que recuperar o atraso no marcador.

Quanto ao empate em Moreira de Cónegos, o que maiores dores trouxe aos adeptos, pouco mais se podia ter feito. A falta de concentração no fim, que permitiu ao adversário empatar no minuto 88, lembrou o cenário de Kiev 10 dias antes.

Dos desaires do FC Porto neste campeonato, o pior foram sem dúvida os pontos perdidos. Mas o problema é a instabilidade provocada pela rotação excessiva do treinador. Era de pensar que, no segundo ano à frente da equipa, Lopetegui teria uma ideia de jogo, uma equipa-tipo, um esquema de jogo com que conseguisse explorar os pontos fortes do Futebol Clube do Porto contra qualquer equipa. Se o 4-3-3 foi mantido como regra até agora, os jogadores utilizados nem sempre renderam ao melhor do seu potencial. André André a sair do banco mesmo em momentos de grande forma; Ruben Neves usado de maneira ainda mais intermitente; Brahimi usado no corredor direito, onde o seu talento lhe permite brilhar, mas também está limitado (quando ele é um jogador perigosíssimo quando tem mais liberdade de acção e consegue picar para o meio). Depois temos o Johnny Depp Pablo Osvaldo, cujo impacto no plantel do Porto tarda a fazer-se sentir. Um golo, em tudo e por tudo. Em 12 jogos, dos quais 4 como titular. Pouco tempo de jogo, quando um dos problemas do Porto tem sido a finalização. Se há jogador no clube com sérias probabilidades de calçar os patins já este inverno, é ele. E voltamos aos problemas de sempre na era Lopetegui: Aboubakar está meio sozinho là à frente, as rotações de Tello e Corona são constantes (mesmo se o mexicano parece ser preferido no Campeonato), gostaríamos de ver mais estabilidade no ataque.

O positivo disto tudo: somos agora a única equipa INVICTA no Campeonato. Até ganhámos os 3 pontos de forma expressiva contra o União da Madeira, que foi o primeiro carrasco do Sporting e dividiu pontos com o Benfica. Se o Campeonato é a prioridade do Porto, por enquanto estamos a cumprir com esse objectivo. O calendário quis que o jogo seguinte à subida do Porto à liderança, esta fosse posta em jogo contra o Sporting Clube de Portugal, recém deposto. Caso o Porto volte com disposição e vença, acentua um bocado a diferença com os Leões. Vai ser uma viragem importante na temporada, que para já não define nada mas terá um papel importante do ponto de vista da motivação. Depois, é melhorar a finalização, e sobretudo não permitir tantos golos em fim de jogo. Sofrer menos para resolver jogos em aparência fáceis passa por simplificar, e ultimamente o Lopetegui não o tem sabido fazer. Enquanto funciona, vamos aguentando…

 

Liga dos Campeões

 

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A grande decepção do FC Porto este ano. Nem sequer me vou debruçar sobre o empate com o Dínamo de Kiev na primeira jornada. Depois de um jogo heróico de Aboubakar, que deu a volta ao marcador e depois bisou para pôr os seus em vantagem, os Dragões conseguiram sofrer um golo no penúltimo minuto do jogo. Desesperante…

A vitória contra o Chelsea na jornada seguinte manteve a chama acesa, o Maccabi Tel-Aviv foi uma formalidade nos dois jogos, e na quarta jornada, a equipa tinha 10 pontos, precisando de um ponto em dois jogos para se qualificar. Pois bem, Mister Lopetegui conseguiu, aquando da recepção do Dínamo de Kiev no Dragão, perder um jogo que DEVIA ter ganho. André André, o homem em forma do momento, entrou na segunda parte quando o Porto já perdia por 0-1. Osvaldo e Corona entraram depois de o resultado já estar agravado e mal parado, mas era tarde para tentar derrubar a muralha ucraniana. Resultado final: 0-2, zero pontos ganhos, e a necessidade de ir ganhar a Stamford Bridge para passar.

Mais uma vez, é preciso ganhar? Lopetegui tem a resposta: jogar sem avançados. 5-3-2 que se torna 3-5-2, com dois alas e nenhum ponta de lança. Ganhar a batalha do meio campo renunciando a marcar, ou contando com o facto de o Brahimi estar a jogar como se tivesse 3 pulmões, a ver se dá sorte e nos safamos. O objectivo era surpreender o Chelsea? Missão cumprida! Agradavelmente surpreendidos por não terem que se preocupar com um ponta de lança de raiz, o Chelsea pôde dar largas ao seu jogo em contra-ataque, e viu a sua vida ainda mais facilitada quando o Porto marcou o primeiro golo… na sua própria baliza! Depois disso, foi pôr o camião à frente como a (antiga) equipa de Mourinho tão bem sabe fazer, e criar perigo em CADA CONTRA-ATAQUE. E a estratégia do Porto,  uma vez o 2-0 consolidado, foi por terra como um castelo de cartas. Resultado: mais uma derrota, zero pontos em dois jogos, e eliminação da Champions. Resta a Liga Europa para tentar ir buscar alguma coisa e definitivamente corrigir os problemas que nos custaram os oitavos.

 

Taças

 

Por enquanto, a Taça de Portugal e Taça da Liga foram relativamente pacíficas para o FC Porto. O lugar das experimentações é este, mas ainda não houve adversários que pusessem à prova qualquer das formações alinhadas pelos Dragões. Vamos ver se continua assim, com a recepção do Marítimo no dragão dia 29 de Dezembro (da Liga), e a ida ao Bessa em Janeiro para enfrentar o Boavista (de Portugal).

 

Conclusão

 

  • O Porto, apesar de primeiro, não tem muita folga no Campeonato. O jogo com o Sporting vai definir se continuamos o campeonato à frente ou se vamos correr atrás do prejuízo. Qualquer deslize pode custar caro para as contas finais, portanto todo o erro é proibido.
  • Na UEFA, saímos do palco maior, mas continuamos na Liga Europa. Está ao nosso alcance? Sim, teoricamente. O dinheiro é sempre bem vindo, então esperemos conseguir o melhor resultado possível.
  • Nas taças, ainda temos todas as nossas chances, mas as coisas sérias começam. Convém estar em prontidão combativa desde já para evitar surpresas.

Menção especial à inscrição que se viu Domingo na camisola do Porto: Sinta +. Não é um patrocínio, mas sim  o novo slogan do Porto Canal. Ironicamente, é o que peço a Lopetegui. Que sinta mais o jogo, o estado de forma dos jogadores, o futebol que é possível desenvolver com esta equipa, e a leve a ganhar títulos de novo. Sinta +, Mister Julen. Mais e rápido, que o ano passa num instante…

 

 

Ricardo Glenn Baptista

One Comment

  • Responder
    5 de Dezembro de 2016

    Antiga gloria do clube, o argentino Francisco Reboredo dirigiu a equipa interinamente ate ao final da epoca apos a demissao de Augusto Silva. Haveria de voltar a ser chamado em mais tres ocasioes, sempre como treinador interino.

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