December 7, 2019

 

Vivemos tempos difíceis, com ataques à nossa existência a sucederem-se quase diariamente. O desporto não está a salvo destes actos, nunca esteve. Olhando para trás, desde a década de 70 que o desporto faz parte da lista de alvos, fossem tentativas ou actos consumados. Um rápido resumo mostra-nos um sequestro nos Jogos Olímpicos (JO) de 1972 em Munique (praticado pelo grupo palestiniano Setembro Negro contra a delegação israelita), uma explosão nos JO de Atlanta em 1996 (obra de um indivíduo a solo), explosão antes da meia-final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Barcelona, em Madrid (perpetrada pela ETA), explosão na maratona de Boston em 2013 e a mais recente tentativa no Stade de France, naquela sexta-feira negra em Paris no ano de 2015, evitada pela segurança, além de várias alegadas tentativas durante o Euro 2016.

 

 

Estes ataques têm variados objectivos, alguns com motivações políticas (Munique, Madrid), outros apenas com o objectivo de espalhar o terror (Boston, Paris).

 

 

Podemos questionar-nos porque razão os eventos desportivos não são atingidos tantas vezes. Na minha perspectiva a resposta está em Paris, precisamente. O atacante foi impedido de entrar no estádio pela segurança, como se devem lembrar. Os eventos desportivos de grande dimensão têm sempre efectivos de segurança superiores ao normal, fazendo com que seja mais difícil a um terrorista passar despercebido e conseguir levar a cabo os seus intentos.

 

O ocorrido ontem em Dortmund (que ainda pode vir a mostrar-se desenquadrado deste artigo) mostra que podemos estar perante uma mudança no modus operandi destes grupos, ao atacarem os agentes desportivos antes de entrarem no perímetro de segurança mais apertado. Pode não causar o número de vítimas possivelmente desejado, mas o impacto que deixa é duradouro.

 

 

Por cá, como é óbvio, não podemos garantir que não ocorrerão estas tragédias. Podemos apenas confiar no trabalho das nossas forças e serviços de segurança e na cooperação que nestes eventos costuma ocorrer entre as várias polícias europeias. Eu continuarei a frequentar os eventos desportivos que se realizarem no nosso país. Não podemos ceder. Não iremos ceder.

 

Nuno Fernandes

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