August 25, 2019

Sempre que uma época chega ao fim, é quase obrigatório comparar o futebol praticado por todas as equipas. Neste artigo irei abordar o campeonato Nacional, Liga Espanhola e competições Europeias (Liga Europa e Champions).

 

O campeonato português, no meu entender, resume-se em três ideias chave.

1) O Benfica manteve o nível competitivo da época prévia, sagrando-se naturalmente campeão, enquanto o Porto, muito graças ao treinador Paulo Fonseca, mas também às contratações que não vingaram, ficou pelo 3º lugar.

2) O Sporting, graças à sua escola de formação, surpreendeu até os mais optimistas e com um futebol prático, pautado por Adrien e William de Carvalho, mostrou que a raça do leão é algo a ter em conta daqui para a frente. Uma questão fica por responder: Saindo William de Carvalho (que é quase óbvio), conseguirá o Sporting manter o nível exibicional?

3) No que diz respeito aos restantes clubes, o Estoril mostrou grande capacidade competitiva, conseguindo um honroso quarto lugar. No fim da tabela, ficaram Paços de Ferreira e Olhanense. Após o jogo de playoff o Paços confirmou a manutenção frente ao Aves (0-0 e 3-1) confirmando que merece permanecer na 1ª Liga. Já o Olhanense foi relegado para a 2ª Liga.

 

Fazendo uma breve análise ao topo da Liga Espanhola, fico surpreendido ao encontrar o Atlético de Madrid (77 golos marcados e 26 golos sofridos) no topo da tabela com mais três pontos que Real Madrid (2º lugar com 104 golos marcados e 38 golos sofridos) e Barcelona (3º lugar com 100 golos marcados e 33 sofridos). Embora nos últimos anos a disputa de “La Liga” fosse bicéfala, este ano teve um novo e inesperado campeão, baseando o seu futebol na entreajuda, capacidade atlética, raça e sobretudo numa defesa que parece intransponível perante galáticos e jogadores de tiki taka.

 

Inquestionavelmente, a Espanha dominou as competições europeias em 2014. Na Liga Europa chegaram à final o repetente Benfica e o surpreendente Sevilha. O Sevilha provou ser uma equipa coesa, de processos simples e sempre com disponibilidade física e mental para defender, mas com algumas limitações nos processos criativos e/ou construção de jogo/ataque. A equipa espanhola surpreendeu ao aguentar-se frente a um Benfica que dominou praticamente todos os adversários, no entanto, sempre a muito custo – amarelos, lesões. Este pormenor melhorou as hipóteses do Sevilha, visto que as ausências de Enzo, Salvio e mesmo Fejsa tiveram repercussões no fio de jogo da equipa, que, inesperadamente, não conseguiu apresentar soluções ao quebra-cabeças que a defesa do Sevilha apresentou. Na lotaria dos penalties (que de lotaria teve pouco), o guarda-redes do Sevilha não se fez de Beto e saiu da linha de golo sem que o árbitro mandasse repetir a marcação dos penalties (como mandam as regras) defendendo os remates de Cardozo e Rodrigo. Irónico o último marcador do Sevilha se chamar Gameiro, pois os de Sevilha acabaram por gamar o troféu à equipa de Lisboa.

 

Avançando para a Liga dos Campeões, depois de em 2012 Proença ter sido o árbitro da final da Champions, tenho que enaltecer o facto de se ter disputado a final em Lisboa, no Estádio da Luz (o nome de Portugal está de boa saúde, pelo menos no que diz respeito ao futebol). Chegaram à final as principais equipas de Madrid: Real e Atlético. Analisando o jogo pelo jogo, as equipas não fizeram jus ao nome que envergam. O Real Madrid, com pouco ou nenhum fio condutor de jogo criado por Modric, um frango à moda de Casillas, trapalhadas de Bale na hora de finalizar, Ronaldo mostrando muito pouco (estaria lesionado?!?) e Benzema sem criar perigo, não convenciam ninguém de que mereciam ganhar ao Atlético. Apenas Di Maria foi rei na exibição, enquanto os restantes foram comuns plebeus, que pouco ou nada trouxeram ao jogo, nos 90 minutos! Após o minuto 92 Sérgio Ramos finalmente usou a cabeça com utilidade e cabeceou para golo (lembrou-me a sensação fantástica do golo de Kelvin ao cair do pano do ano passado). Já o Atlético foi verdadeiramente atlético criando inúmeras jogadas com perigo durante 85 minutos, posteriormente desvanecendo a pique, com os jogadores a não aguentarem a supremacia de um “IrReal” que só levou o caneco para casa, pois provaram supremacia atlética contra um Atlético que mostrou futebol digno do título de realeza.

 

Rafael Cunha

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE