June 18, 2019

Alexis Tsipras e futebol nacional. Não estão a ver a ligação? É porque, na verdade, não existe. No entanto, numa altura em que o primeiro-ministro grego (pseudo-demissionário) está à procura de novos desafios, porque não ajudá-lo nessa demanda?

 

Opção A) Tsipras a presidente do Benfica!

Conhecida a aversão do grego por bancos, a primeira medida seria fácil: não deixar o clube da luz levantar mais de 60 euros por dia. Assim, a esperança de controlar o passivo do glorioso começava a ser uma utopia exequível. Eu sei que utopia exequível é demagogia. Estão a ver? Utopia e demagogia, Tsipras começa a colocar o seu cunho pessoal na equipa e ainda agora chegou. Para além disso, o défice de qualidade que Mitroglou já demonstra é tão parecido com o défice grego que o avançado nunca teria lugar no Benfica. Portanto, até agora, só boas notícias. A reformulação do plantel iria ser feita com muita calma, aproveitando os 14 milhões de adeptos do clube para a realização de um referendo. Depois de conhecidos os resultados e a vontade popular, era só fazer o contrário da vontade geral de todos os lampiões desta vida. Na verdade, Rui Vitória já faz isso. Harmonia entre treinador e presidente, nunca foi tão fácil, nunca foi tão simples.

 

Opção B) Tsipras a presidente do Sporting!

Bem, acho que esta é axiomática. Habituados que os lagartos estão ao terceiro lugar, era só chamar a Troika! Tsipras está habituado a isso, a comunicação seria mais eficaz do que o ruído de Bruno de Carvalho no Facebook. Nem vale a pena imaginar se o actual presidente do Sporting tivesse exercido funções no tempo do hi5, sempre ouvi dizer que se deve controlar o tempo das crianças à frente do monitor. A primeira medida de Tsipras seria empurrar Augusto Iná… Varoufakis para fora de funções e colocá-lo a comentar um desses programas de venda de peixe, disfarçados de debate futebolístico. Depois era só encontrar um senhor sem carisma para o lugar, assenta que nem um Machado na estrutura. É tudo uma questão de estrutura e fé em Deus, ou, melhor, em Jesus. Falta apenas dizer que nunca um Primeiro-Ministro europeu produziu tantos comunicados ao seu povo como Alexis Tsipras, estão a perceber a analogia, certo? #Burns! Perdão, #Burn.

 

Opção C) Tsipras a presidente do Porto!

Coligação com partidos da extrema-direita. Coligações duvidosas e o primeiro passo de Tsipras nos “tsi”peiros está consumado. Um Porto em crise e sem vitórias há dois anos, é um porto seguro para o grego. Isto dos hábitos é um critério perigoso mas eficaz. Além disso, a experiência em lidar com os mais diversos ladrões por essa Europa fora, dá a Tsipras tudo o que é preciso para facilitar transacções “arbitrárias” e apitos que podiam ser vendidos em ourivesarias. Pinto da Costa tem vantagem no que diz respeito ao equipamento, não posso negar, as riscas assentam-lhe, é um uniforme que poderia vestir todo o dia, toda a noite, durante uns bons anos. Mas chega de dra(c)mas e vamos ao que interessa, queremos um Porto com estilo, sem gravatas e com uma rebeldia para voltar a vencer, por isso, o emprego é de Tsipras.

 

Esta é uma sátira/caricatura ao futebol português. Não passa de uma brincadeira que, ao mesmo tempo, demonstra o que é falado nos programas sobre desporto: tudo, menos futebol. O nosso campeonato é fraco, fraco desportivamente e paupérrimo em valores. Enquanto assim for não merece adeptos iludidos nos estádios e é também por isso que o fosso entre fanáticos e amantes do desporto se adensa cada vez mais. Há mais dos primeiros, menos dos segundos e no meio… não há nada.

 

Filipe Pardal

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