August 25, 2019

O Entre estuda a performance de um tal Manuel Neuer, não sabemos se já ouviram falar…

 

“Um guarda-redes será sempre guarda-redes mesmo que jogue uns metros mais à frente. O que está nas suas costas depende do que ele e a equipa percebem do jogo. O Futebol é um desporto colectivo. Se os meus colegas sobem, eu subo também”. A frase, retirada de uma entrevista a um pasquim chinês (leram bem), por ocasião de um encontro promovido pela agência Xinhua entre Neuer e Timo Boll (o ‘Marco Freitas’ lá do sítio), é de um dos, se não O Melhor (porque não dizê-lo, não será novidade para ninguém…) guarda-redes da actualidade, o alemão Manuel Neuer, 28 anos, titular absoluto da Selecção Alemã e do Bayern de Munique.

 

Há quem diga que Neuer inventou qualquer coisa, “nada, não inventei nada. É algo que eu tenho de fazer em prol da equipa. Tenho de ajudá-la, é um requisito mínimo da minha posição, já agora!”, atira.

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Numa das melhores partidas do Mundial do Brasil, Neuer fez bastantes inimigos pelo Norte de África. Fez uma incrível exibição, anulando inúmeros lances de golo ao ataque Argelino

 

Neuer é questionado sobre o jogo contra a Argélia, esse do Mundial do Brasil que não foi tão fácil de resolver quanto isso, no que ao lado germânico diz respeito. Nessa apaixonante partida, o guarda-redes alemão correu mais de seis quilómetros e fez tantas defesas quanto cortes decisivos: “Já tive jogos parecidos. Um jogo do Mundial atrai mais que os da Bundesliga e os da Liga dos Campeões. Talvez as pessoas tenham ficam com a impressão que foi diferente ou inovador”.

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Neste gráfico à Rui Santos, os toques do Alemão na bola. A grande-área jamais limita o raio de acção de Manuel Neuer

 

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Aqui a “tirar o pão da boca” a Feghouli

 

Oliver Kahn, antecessor de Neuer na baliza da Mannschaft, define o estilo de jogo de Neuer como “harakiri”, que é como quem diz completamente suicida. Para o actual Campeão de Mundo, “pode ser perigoso e arriscado mas não se trata de um ‘one man show’ do guarda-redes. Eu faço parte da equipa e sou o último da linha. Eu sou igual aos avançados e aos centrocampistas. O risco que assumo é pela equipa. Claro que, se as coisas correrem mal, serei sempre o culpado”, confessa, antes de justificar que “é o meu estilo, eu sou assim. Não tem a ver com o facto de, se eu quiser correr riscos, a equipa vai atrás. É ao contrário… eu sigo os riscos colectivos, o espírito da equipa. A mensagem é a mesma para todos os guarda-redes”, sublinha.

 

Mensagem bem recebida no seio dos seus colegas? Neuer quer lá saber: “os guarda-redes não se limitam apenas a fazer enormes defesas em cima da linha. Eles são jogadores de equipa. Eu sinto-me um jogador de equipa e tenho o instinto de ajudá-la quando for preciso. A questão mais importante para mim é… do que é que a equipa mais precisa?!”

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Num Mundial caracterizado pelo futebol ofensivo os guarda-redes foram chamados a intervir vezes sem conta. A percentagem de soccer field coberta por Neuer supera a de todos os outros participantes. Rui Patrício não está aqui porque é um nabo com os pés, já agora…

 

Parece que estamos na presença de alguém que sabe mais umas coisas que Butt ou Weidenfeller sobre isto de ser goleiro…

“O espaço no Futebol de hoje está cada vez mais curto. Entre os defesas e os avançados há apenas 40 metros de espaço de cada vez que a equipa se movimenta. Se ficas atrás, se és o último, és tu que tomas conta do espaço que fica entre a defesa e a tua baliza”.

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Aqui a chilar com o compatriota Mats Hummels

 

Neuer foi beber desta abordagem a algum lado… “quanto ao futebol Alemão, isto não era nada que eu não visse no Jens Lehmann, que ganhou a UEFA em 1997, com o meu antigo clube, o Schalke 04. Em Selecções, tenho de referir o van der Sar”.

 

Convém falar um pouco de van der Sar quando falamos deste sub-género de sweeper keepers. Ele foi, sem dúvida, o trendsetter deste estilo de jogo, quem sublinhou o papel do guarda-redes como o 11º jogador de facto. Cruyff por várias vezes colocava Edwin como jogador de campo nos treinos, dele dizendo que “era o melhor avançado do Ajax!”. Peça-chave do clube holandês, daquela super-equipa que destronou o AC Milan, dizer que nessa famosa época de 1995 jogou três partidas contra o colosso italiano sofrendo… zero golos.

 

Os ataques, segundo a velha tradição de circulação de bola tão neerlandesa, começavam sempre nele. Por isso não se deu bem na Juventus (jogava constantemente com os defesas italianos, autênticos matrecos), por isso procurou espaço numa equipa montada à sua volta (Fulham) e por isso finalmente se reafirmou no United de Ferguson, com uma linha defensiva que sabia comandar como poucos (ou nenhuns) guarda-redes da sua geração. Esteve 1311 minutos (21 jogos) sem ir buscar a bola ao fundo das redes.

 

Nunca virou herói como van Breukelen (Taça dos Campeões de 88/Campeonato da Europa de Selecções desse ano), aliás não conquistou nenhum título Internacional com a sua Holanda mas será relembrado como um pioneiro quando falamos da escola sweeper de guarda-redes.

 

Voltando à companhia de Neuer, convidamos Joachim Low para o sofázinho: “O Manuel tem a mesma técnica que os outros, ele podia jogar no meio-campo se quisesse”. “A confiança que traz à equipa e a capacidade de antecipação dos lances potencialmente perigosos deixam os defesas mais confiantes, por isso pressionam mais acima”, deixa escapar. Perante a única e mesma expressão de Neuer. Sim, porque alemão que é alemão não sabe sorrir.

 

Beckenbauer e Matthäus são coisa do passado.

Manuel Neuer, 28 anos (@Manuel_Neuer), chegou para ficar. Sair da área. E bater na frente.

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Novamente chilando, desta feita com os seus colegas do Bayern de Munique. Lewandowski está cortado mas a culpa não é do Entre

 

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Para a selfie, com Alcântara e Müller claramente ‘fora do lance’

 

Manuel Tinoco de Faria

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