December 10, 2018

 

Nya Ullevi, Gotemburgo, 1982.

Um desconhecido do futebol mundial ficava na ribalta da Europa após vencer a Taça UEFA numa final disputada a duas mãos contra o poderoso Hamburgo de Franz Beckenbauer, e logo com um agregado de 4-0, 3-0 na Alemanha (primeira mão) e 1-0 em casa (segunda mão). O seu nome é Sven-Göran Eriksson.

 

O modesto IFK Gotemburgo

 

Verão de 1982, Fernando Martins, Presidente do Benfica, à data, decidiu contratar este jovem promissor e inovador, sim inovador, porque nenhuma equipa na Europa jogava no sistema de 4x4x2 que Sven-Göran implementou quando, com 27 anos, começou a treinar uma equipa da terceira divisão sueca. Mais tarde muitas equipas dos anos oitenta e noventa viriam a adoptar a sua táctica que durante muito tempo foi a base do futebol mundial.

 

O sueco era um verdadeiro mestre da táctica

 

Fernando Martins deslocou-se à Suécia e trouxe-o para Lisboa. Quando chegou ao Aeroporto da Portela o sueco não queria acreditar no que via, estavam centenas de adeptos à sua espera! Mais tarde confessou que ficou assustado, até porque, o clube de onde vinha não tinha a massa associativa, nem a dimensão d o Sport Lisboa e Benfica.

 

Eriksson junto de Toni e Eusébio

 

Eriksson teve uma brilhante passagem pela Luz ganhando três campeonatos, uma Taça de Portugal e chegando duas finais europeias. De Sven-Goran vou esquecer aqui a passagem pela Roma, Fiorentina e Sampdória, para me focar na sua equipa da Lázio, uma equipa absolutamente soberba.

 

Dois suecos que deixaram saudades na Luz: Stromberg e Eriksson

 

Passou três anos e meio em Roma, mas foi no época de 99/00, após um grande investimento monetário da Cirio, e depois de contratar Véron, Sensini, Simeone, entre outros, que ficou com um plantel absolutamente fantástico com jogadores como Nedved, Nesta, Mihajlovic, Marcelo Salas, Roberto Mancini, Boksic, Almeyda, Stankovic, Ravanelli, Lombardo, Fernando Couto e Simone Inzaghi. Melhor, só se não tivesse perdido Cristian Vieri para o Inter nesse mesmo ano.

 

Eriksson, novamente de águia ao peito, desta vez em Itália

 

Como sabemos a Serie A da altura era o campeonato mais competitivo da Europa, e esta fantástica squadra, que na frente de ataque tinha, Marcelo Salas, Boksic e Ravanelli, teve de suar até à última jornada para garantir o seu terceiro Scudetto.

 

 

Nessa última jornada, tinham a vantagem no confronto direto sobre a Roma de Capello e a Juventus de Lippi, pelo que precisavam de ganhar esse jogo e esperar que a Juventus não ganhasse o seu. Conseguiram vencer a Reggina com golos de Inzaghi, Véron e Simeone, e, por incrível que pareça, a Juventus que dependia apenas de si mesma, perdeu no terreno do Perugia por uma bola a zero, cedendo o título à Lázio, o que acabou por ser justo devido ao futebol cativante que praticavam.

 

Desafio: Contem quantos treinadores actuais tem esta foto

 

Mas é importante destacar a qualidade futebolística deste 4x2x2 de Eriksson, que na frente de ataque tinha o trio mortífero que já referi (Inzaghi, Boksic e Salas), alternando com Ravanelli, tinha ainda a magia de Mancini, Nedved e Stankovic , a arma mortífera das bolas paradas, Sinisa Mihajlovic, a irreverência de Simeone e uma defesa sólida com Nesta e Fernando Couto.  Estes foram os alicerces do futebol fantástico que praticaram, numa serie A onde a Juventus tinha uma equipa fabulosa, tal como a Roma e o Milan, e contra todas as expectativas, porque todos já tinham entregue o título à Juventus de Lippi, a Lázio acabou por arrecadar o troféu.

 

 

Ivo Monteiro

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