April 23, 2018

 

Aproximam-se a alta velocidade as emoções de mais uma temporada da categoria rainha do desporto automóvel. O Grande Prémio da Austrália marca de novo o arranque, para aquela que será a época mais preenchida da história da disciplina, pois, se saiu o traçado de Sepang, na Malásia, regressaram os Grandes Prémios de França (Paul Ricard) e da Alemanha (Hockenheim), aumentando assim para 21 o número de eventos no calendário.

 

Mercedes

 

A nível técnico e após a revolução da temporada passada, não existem muitas alterações, mas as que existem são significativas, a começar pelo número de motores disponíveis, que passaram de quatro (para 20 provas) para apenas três. As equipas já estão a fazer contas a qual o melhor grande prémio para serem penalizadas. Passemos agora para os pneus, onde a Pirelli introduziu duas novas misturas para piso seco às já existentes, uma em cada extremo do espectro: os super duros (em versão original super hard), assinalados a cor-de-laranja e os híper macios (hyper soft), pintados a cor-de-rosa. A marca italiana aumenta assim o leque de escolhas das equipas, sendo certo que iremos assistir a escolhas bem diferentes e podemos mesmo assistir a cenários interessantes em qualificação, uma vez que as equipas menos fortes poderão arriscar a fazer a última qualificação com este novo pneu hipermacio que tem uma duração consideravelmente inferior, mas virá baralhar as contas. Para cada prova a Pirelli oferecerá três tipos de pneus, sendo que em corrida todos os pilotos têm que usar obrigatoriamente dois, excepto nos casos em que haja chuva.

 

Os novos sets de pneus da Pirelli

 

Mclaren

 

Deixei propositadamente para o fim as alterações mais facilmente identificáveis à vista desarmada. Mesmo quem não perceba de engenharia aerodinâmica conseguirá notar duas grandes diferenças entre os monolugares de 2017 e de 2018: a “barbatana de tubarão” foi proibida (tal como as t-wings) e surgiu o horrível Halo e quanto a isto tenho a dizer:

Senhores da FIA, eu percebo muito bem que tentem por todos os meios salvaguardar a integridade física dos pilotos, mas com tantos milhões que as equipas investem em pesquisa não se consegue nada mais bonito? Vejam lá isso, os fãs agradecem e os pilotos também certamente.

 

Quando a Beyonce cantou sobre o Halo não tinha isto em mente de certeza

 

Renault

 

Continuando a falar de novidades, tivemos uma pequena dança de fornecedores de unidades de energia: a McLaren rompeu a parceria com a Honda, que ficou claramente aquém do esperado e mudou-se para a Renault, enquanto a Honda passou a equipar a Toro Rosso. Note-se ainda que com o regresso da Alfa Romeo, mesmo que apenas como parceiro técnico, a Sauber ganhou acesso a unidades de energia Ferrari de última geração, contrariamente ao que se passava anteriormente.

 

Ferrari

 

Dito isto passemos à pergunta que está na cabeça de todos: será desta que alguém terá andamento para a Mercedes, grande vencedora do ano passado? Como sempre, os testes de Inverno (e este ano foi mesmo Inverno, até nevou em Barcelona!!!) foram pouco esclarecedores. Os tempos não revelam grande coisa, apesar de terem colocado os dois Ferrari no topo da tabela, com Fernando Alonso e Daniel Ricciardo logo atrás. O melhor Mercedes foi Lewis Hamilton, com o oitavo melhor tempo, enquanto Bottas ficou pelo décimo posto. Aqui notamos uma diferença assinalável, pois enquanto os melhores tempos dos Ferrari e de Ricciardo foram conseguidos com os novos pneus hipermacios, a Mercedes nem lhes tocou. Mesmo considerando tudo o que não sabemos sobre as condições em que cada piloto rodava (quantidade de combustível, setup), é de realçar o sexto lugar nesta tabela de Kevin Magnussen com o Haas e o sétimo de Pierre Gasly com um Toro Rosso.

 

Os tempos de teste de cada piloto

 

Toro Rosso

 

Falando agora do que podemos concluir com alguma certeza, a quilometragem que as equipas fizeram, reveladora da fiabilidade, ou falta dela. Como já referi, a meteorologia em Barcelona fez com que na primeira semana de testes pouco ou nada se tenha rodado. A Mercedes aparece no topo desta tabela, com 1040 voltas completadas, um número impressionante que resulta em 4841 quilómetros. Sabendo que cada grande prémio totaliza sensivelmente 300 km, a marca de Estugarda completou 15 (!) simulações de corrida nesta fase. Em matéria de fiabilidade tudo indica que as Flechas Prateadas não perderam nada. Já a Ferrari completou 929 voltas, num total de 4324 km, um bom indicador também. Uma agradável surpresa foi a Toro Rosso, uma vez que os problemas dos motores Honda parecem ter desaparecido e a escuderia de Faenza foi a terceira que mais voltas e quilómetros acumulou. Em comparação com os testes de 2017 o motor Honda dobrou os quilómetros percorridos, uma evolução assinalável. Para uma marca que era acusada de ser a causa de todos os males da McLaren nos últimos anos, vamos ver se os nipónicos não acabam a rir por último, agora que se libertaram da pressão dos resultados que existe em Woking. E por falar na McLaren, a equipa britânica foi mesmo a que menos quilómetros fez. As unidades motrizes da marca do losango deram muitos problemas nestes testes às três equipas a que fornece motores.

 

O número de voltas e distância percorrida por cada escuderia nos testes

 

Haas

 

Assim sendo, o que nos é dado a concluir? Esta época deverá ser semelhante à última, com Ferrari e Mercedes um pouco à frente da RedBull, com a marca do touro a rezar para que o motor não dê muitos problemas. Após as habituais três marcas de topo, temos este ano muita indefinição. A Force India, surpresa positiva de 2017, atravessa um período de turbulência que deverá acabar com a equipa fora das mãos de Vijay Mallya. A Williams está a ter bastantes dificuldades em entender o seu monolugar e o facto de ter dois pilotos bastante jovens não ajudará nada. É certo que Robert Kubica anda por lá e a experiência do polaco irá ajudar mas, por melhores que os simuladores sejam, nada substitui o trabalho de pista e esse será para os jovens Stroll e Sirotkin (o jovem russo é um dos dois rookies, sendo o outro o monegasco Charles Leclerc, piloto da Sauber). Portanto, temos a disputa do quarto lugar em aberto e eu prevejo que entrem nessa luta Renault, Haas e Toro Rosso, com estas duas como grandes candidatas a surpresa da temporada. Haas e Toro Rosso partem de chassis com grande margem de progressão, com a chave para o sucesso a estar em conseguirem progredir no sentido correcto.

 

A evolução dos testes de 2017 para 2018

 

Red Bull

 

Já a Renault evoluiu bastante o chassis, este RS18 é consideravelmente melhor que o RS17, mas, como já mencionei o motor tem deixado muitas dúvidas quanto à fiabilidade. Se a unidade de energia se aguentar, qualidade não falta na dupla de pilotos, Nico Hulkenberg e Carlos Sainz. E falando de incógnitas, a McLaren tem sobre si um enorme ponto de interrogação. Após a mudança da Honda para a Renault, espera-se muito mais da equipa dirigida por Eric Boullier, mas os sinais não foram nada animadores. Fernando Alonso é o piloto mais talentoso deste plantel e devia ser crime não vermos o asturiano a lutar por vitórias. Já a Sauber deverá continuar na cauda do pelotão.

 

Sauber

 

Finalizo dizendo que a Liberty Media renovou completamente a imagem da marca F1, com novos gráficos e um novo sistema de transmissões on demand que, para já, não estará disponível em Portugal. O horário das provas europeias foi alterado, tendo início agora às 14h10 e não às 13h, como era hábito. Este ano ainda temos o pormenor de o Grande Prémio de França se realizar em dia de jogo do Campeonato do Mundo de Futebol, o que empurra o início dessa prova para as 15h10. Esta alteração terá sido efectuada a pensar nos adeptos do desporto motorizado nos Estados Unidos da América, um mercado gigantesco para qualquer desporto.

 

Force India

 

A partir de agora é a sério, no próximo sábado, dia 24, por volta das 7 horas da manhã de Lisboa já teremos uma melhor ideia de como está a relação de forças para a época de 2018.

 

Williams

 

O espectáculo promete!

 

Nuno Fernandes

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