December 8, 2019

Depois do draft de hoje à noite, começam as viagens de uma série de jovens com grandes ambições e sonhos ilimitados. Alguns deles vão ser concretizados, outros até superados. Para a maioria, a realidade vai ser bem mais cruel. Mas o mote de hoje não é ser negativo. Hoje vamo-nos concentrar nos sonhos.

A maioria dos peritos concorda que esta fornada de talentos está especialmente recheada e embora seja difícil de apontar um ou mais jogadores que vão ser estrelas “garantidas” (quase nunca é fácil), há esperanças elevadas para um número considerável dos jogadores que se vão seguir em baixo.

Assim, seguem aqui as minhas previsões para as mais prováveis escolhas que vão ser tomadas no draft desta noite – com a devida ressalva que há sempre um sem número de grandes trocas e pequenos ajustes que invariavelmente tornam a noite do draft um evento inerentemente imprevisível.

Procurei com estas pequenas análises pintar um pequeno quadro das necessidades das equipas e das principais características dos jogadores que, espera-se, as venham suprir. Um modesto olhar sobre estas singulares visões do futuro da NBA.

 

1 – KARL-ANTHONY TOWNS – PF/C (Minnesota Timberwolves)

Os Timberwolves pareciam estar inicialmente mais inclinados para escolher Jahlil Okafor, mas depois de assistirem aos treinos de Towns, a sua escolha rapidamente migrou para o talento da Universidade de Kentucky. E não há nada a dizer quanto a esta decisão. O que temos aqui é um jogador capaz de jogar nas duas posições do frontcourt (embora seja melhor a C), excelente ressaltador e com muito potencial defensivo – ainda que arrisque um pouco demais nos blocks e terá de ter cuidado com as faltas. Adicionalmente, é também um bom lançador, sendo o raro “gigante” que lança bem da linha de lance livre e é capaz não só de acertar no midrange como até da linha de triplo, se necessário for. Num draft recheado de talento, nenhum tem mais potencial que este. Escolha fácil.

 

2 – JAHLIL OKAFOR – C (Los Angeles Lakers)

Apesar de não ser uma decisão tão “óbvia” como a primeira, acredito que os Lakers vão apostar no talentoso poste de Duke. Têm-se ouvido rumores de grande interesse em D’Angelo Russell e até o enigmático Porzingis, mas acho que os Lakers não vão ter coragem de “arriscar” naquela que pretendem ser a escolha que os vai ajudar a relançar para o topo da liga. Com Jahlil Okafor não há surpresas, sabemos com o que contar. Um poste “à moda antiga”, incrivelmente dotado nos movimentos de low post e forte nos ressaltos ofensivos, com capacidade de atrair muita atenção no garrafão. Os problemas? Tendência para lapsos defensivos e o facto de ter um estilo de jogo que não está necessariamente em linha com a “nova” NBA. Ainda assim, uma escolha segura.

 

3 – D’ANGELO RUSSELL – PG/SG (Philadelphia 76ers)

Aqui é quando tudo pode ser virado do avesso. Há uma escolha óbvia para os 76ers, mas o front office de Philadelphia não é necessariamente conhecido por tomar decisões “normais”. Obcecados em acumular talento independentemente de posição, especula-se que poderão escolher Porzingis e continuar a deixar para depois a constituição de uma equipa com um cinco titular não-amador. Eu acredito que isso não vai acontecer este ano. Depois de “desistirem” de Michael Carter-Williams, o backcourt dos Sixers está sedento de um PG e D’Angelo Russell seria a escolha perfeita. Com grande visão de jogo, um lançamento certeiro e uma capacidade de drible estonteante, o canhoto de Ohio State pode muito bem ser a peça que falta para os Sixers voltarem a ser competitivos.

4 – EMMANUEL MUDIAY – PG (New York Knicks)

Ninguém sabe o que os Knicks vão fazer com esta escolha. Phil Jackson não tem dado quaisquer pistas sobre os seus alvos preferenciais e o facto do plantel dos Knicks ter buracos sérios em quase todas as posições aumenta ainda mais a incerteza. Um grande poste seria a primeira prioridade, mas os dois melhores já foram escolhidos. Segue-se na lista a procura por um PG de elite. D’Angelo Russell seria ideal para o esquema de triângulo que querem implementar, mas também prevejo que esteja fora por esta altura. Assim, aposto em Emmanuel Mudiay, que jogou na China o último ano e demonstrou uma capacidade atlética fora do vulgar e grande disponibilidade para distribuir jogo. O lançamento ainda tem muitos problemas, mas há muito em Mudiay que faz lembrar John Wall.

 

5 – KRISTAPS PORZINGIS – PF (Orlando Magic)

Devem ter reparado que tenho mencionado várias vezes o interesse das equipas em Kristaps Porzingis, o jovem de 19 anos da Letónia que tem feito olheiros de várias equipas salivar. Incrivelmente alto, com bons índices atléticos e uma pureza de lançamento que lembra Nowitzki, Porzingis tem sido apontado por muitos para escolhas até mais altas, mas acredito que o medo de um novo Milicic ou Bargnani vai amedrontar alguns front offices. Se chegar aos Magic, é quase garantido que não o vão deixar escapar, dado que não só supre uma necessidade posicional como traz lançamento exterior a uma equipa sedenta de spacing. Se Porzingis não “cair” tanto no draft, Orlando deverá olhar acima de tudo para o lançador croata Mario Hezonja ou o incrivelmente atlético Justise Winslow.

 

6 – MARIO HEZONJA – SG/SF (Sacramento Kings)

A maior necessidade dos Kings é um PG para o futuro, mas com os dois melhores talentos já escolhidos, acredito que Sacramento se irá voltar para um swing player. A escolha mais “segura” provavelmente até seria Justise Winslow, de Duke, mas o seu lançamento exterior questionável torna-o redundante ao lado de Rudy Gay. Assim, esta seleção deverá ir para Mario Hezonja, o jovem croata que tem impressionado GMs em toda a liga com a sua extrema confiança em si mesmo. Com um bom lançamento exterior aliado a uma belíssima capacidade atlética no ataque ao cesto, Hezonja é também bastante alto para a posição, o que o torna mais competitivo nas funções defensivas e uma arma extra nos ressaltos. Tem uma personalidade forte, mas isso não deverá assustar os Kings.

 

7 – JUSTISE WINSLOW – SF (Denver Nuggets)

Justise Winslow tem sido apontado como o alvo preferencial dos Nuggets desde que começaram as considerações para o draft e acredito que vai ser exatamente isso que vai acontecer. Conseguir um talento deste nível na sétima escolha só mostra como esta rookie class está especialmente recheada. Justise Winslow é tão agressivo a defender quanto a atacar, especialmente quando lançado em velocidade no fastbreak, uma necessidade no estilo ofensivo dos Nuggets. O seu lançamento exterior ainda é um pouco inconsistente, mas há boas expectativas de que melhore ao longo da sua carreira. Se os Kings apostarem em Winslow, os Nuggets não deverão hesitar em escolher Hezonja, amigo pessoal do seu poste Jusuf Nurkic, um elemento central da reconstrução do plantel em Denver.

 

8 – STANLEY JOHNSON – SF (Detroit Pistons)

Com Greg Monroe na calha para sair, uma das grandes prioridades dos Pistons seria encontrar um PF atirador mais adequado ao modelo de jogo que Stan Van Gundy quer implementar. Isso foi resolvido com a contratação de Ersan Ilyasova aos Bucks. Assim, resta agora encontrar no draft um SF para tapar o gritante buraco que têm nessa posição – Stanley Johnson, de Arizona, é uma excelente opção para preencher esse lugar. Johnson é, acima de tudo, um ás defensivo, abençoado tanto com a inteligência e agilidade para cobrir espaços com o seu movimento lateral como com a habilidade atlética para apagar entradas para o garrafão. O seu jogo ofensivo é ainda um “projeto”, mas não só o seu lançamento exterior tem vindo a melhorar, como já é fortíssimo no ataque ao cesto.

 

9 – WILLIE CAULEY-STEIN – C (Charlotte Hornets)

Olhando puramente para necessidade, os Hornets precisam de um SG. Não só para substituir o já recambiado Lance Stephenson mas também para trazer lançamento exterior a uma equipa que quase não o tem. Nesse sentido, Devin Booker, de Kentucky, seria a escolha perfeita. E pode muito bem ser essa a opção. Mas o GM Rich Cho já avisou que vai escolher puramente por talento e há um talento melhor disponível, também de Kentucky, no qual os Hornets até já demonstraram interesse – o prodígio defensivo Willie Cauley-Stein. Apesar de jogar a poste, Cauley-Stein é capaz de defender todas as posições de forma quase perfeita. Com Al Jefferson já veterano e sempre no limiar de mais uma lesão, escolher Cauley-Stein aqui não é apenas inteligente – é quase um roubo.

 

10 – DEVIN BOOKER – SG/SF (Miami Heat)

Os Miami Heat têm um cinco titular já pronto para atacar um lugar alto na Conferência Este na próxima temporada. Não precisam de muito mais nesta pick que um jogador útil para o banco. Ainda assim, dada a incerteza quanto à permanência (e saúde) de Dwyane Wade e a veterania de Luol Deng, um wing player será o grande alvo de Pat Riley. Felizmente para os Heat, deverá estar disponível Devin Booker, um especialista de três pontos que consegue, dada a sua altura, jogar tanto a SG como SF. Defensivamente, apesar de não ser especialmente atlético, tem bons institutos e é esforçado. Se os Hornets o agarrarem primeiro, é esperado que os Heat olhem para as duas estrelas de Wisconsin, Frank Kaminsky e Sam Dekker.

 

11 – MYLES TURNER – C (Indiana Pacers)

O rumor que anda a circular por toda a liga é que os Indiana Pacers “desistiram” de Roy Hibbert e estão à procura da primeira oportunidade para o trocar e dar espaço a um novo poste do futuro. Como tal, é certo e sabido também que os Pacers estão a jurar promessas a todos os santos para que Willie Cauley-Stein, que se enquadraria de forma perfeita na cultura defensiva de Indiana, ainda esteja disponível na 11ª escolha. Se isso não acontecer, o plano B será o poste da Universidade do Texas, Myles Turner. Apesar de ainda muito jovem, o potencial é quase sem limites. Muito alto e com uma enorme extensão de braços, Turner mostra uma boa capacidade para proteger o aro, à qual junta uma eficiência de lançamento invulgar para um poste, incluindo da linha de triplo.

 

12 – FRANK KAMINSKY – PF/C (Utah Jazz)

Todos os olheiros e GMs na liga consideram que os Utah Jazz vão ser uma equipa temível no futuro próximo, apresentando um manancial de jovem talento em todas as posições. O frontcourt dos Jazz está especialmente impressionante, com Derrick Favors e o explosivo Rudy Gobert a inspirar medo genuíno em todos os incautos que se atrevam a atacar o cesto. Curiosamente, é nesta área que se espera que os Jazz apostem no draft. É que embora Favors e Gobert sejam excelentes na defesa, são um pouco limitados no ataque. Aqui a escolha que fará mais sentido será Frank Kaminsky, de Wisconsin. Com a capacidade de jogar a PF e C, Kaminsky tem um jogo ofensivo muito versátil, tanto no low post como no lançamento exterior, sendo o complemento perfeito para os bigs de Utah.

 

13 – TREY LYLES – PF (Phoenix Suns)

De acordo com as notícias que têm saído nos media (com toda a relativa credibilidade que podemos atribuir a esse tipo de notícias), os Phoenix Suns estão, acima de tudo, interessados em conseguir um bom PF de rotação para complementar o frontcourt. Para cumprir esse objetivo, conseguir Trey Lyles, de Kentucky, tão tarde neste draft seria ouro sobre azul. Alto e longo, enganadoramente forte, com boa capacidade de conseguir ressaltos disputados, Lyles é o puro team player. O típico jogador que não faz nada espetacularmente mas faz tudo bem. Tem bons post moves, com ambas as mãos, e um lançamento sólido, até da linha de triplo. Também não se coíbe de fazer screens e ajudas nos pick and rolls – o tipo de coisa que não se vê nas estatísticas mas todos precisam.

 

14 – CAMERON PAYNE – PG (Oklahoma City Thunder)

Se os Thunder escolherem apostar em tentar colmatar a necessidade mais imediata, então acredito que vão olhar seriamente para jogadores como Sam Dekker ou a estrela de Kansas, Kelly Oubre, com o objetivo de solidificar a rotação de wing players, neste momento ainda demasiado dependente de Kevin Durant. Se forem simplesmente por “melhor talento disponível”, como acho que vai acontecer, então não vão querer deixar escapar Cameron Payne, o PG de Murray State que tem impressionado nos treinos com os olheiros e tem motivado comparações com Mike Conley. Bom lançador e excelente no passe, com bons instintos no ataque ao cesto, Payne pode começar como a faísca no banco dos Thunder e até mesmo vir a partilhar o backcourt com Westbrook.

 

15 – SAM DEKKER – SF (Atlanta Hawks)

Kyle Korver (34 anos) já não está para novo e DeMarre Carroll pode eventualmente sair no futuro próximo, para uma equipa onde tenha mais possibilidades de vir a ser “A” estrela. Mesmo que isso não aconteça, melhores elementos de rotação nas alas deverão ser o grande alvo a apontar para os Hawks. Assim, voltamos à questão entre o possibilidade de estrelato de um jogador como Kelly Oubre (apesar da sua personalidade… difícil) ou a maior “garantia” de solidez de um jogador como Sam Dekker, bom no lançamento e no ataque ao cesto, capaz de jogar “na média” tanto no ataque como na defesa e que chega à NBA mais preparado que a maioria. Dado que os Hawks estão em modo “win now”, acredito que irão para a escolha mais segura.

 

Pedro Quedas

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